| Amigos
da Corpore:
Decidi
tomar coragem e relatar minha história
de vida, como forma de incentivo para outras pessoas,
mas, principalmente, como forma de agradecimento.
Desde
criança, praticava exercícios físicos:
jogava futebol, basquete, ou seja, era uma criança
normal. Depois que tive hepatite, quando tinha
menos do que 14 anos, no início do ano
de 1997, engordei um pouco, o que se tornou um
grande problema para mim - no curso de minha adolescência
e início da minha fase adulta.
Para
se ter uma idéia da dimensão do
problema, iniciei minha faculdade com 74 quilos,
sendo que cinco anos depois, já estava
com 97. Depois disso, ainda engordei mais 8 quilos,
chegando, portanto, a pesar 105.
Minha
vida era completamente desregrada: comia e bebia
muito, não me movimentava. Cheguei ao cúmulo
de, aos 27 anos, estar com colesterol e triglicérides
altíssimos, pressão alta, etc, devido
à minha profissão de advogado e
dos problemas de saúde ocasionados pelo
excesso de peso.
Minha
auto estima era zero. Apesar de ter muita vaidade,
não me olhava no espelho, comprava roupas
e não as usava por vergonha, não
gostava de encontrar antigos amigos que diziam:
“Nossa, como você engordou!”.
E
os problemas se multiplicavam.
Tentei,
é verdade, alguns regimes, com médicos
ou por conta própria, sem muito ou nenhum
resultado.
Um
dia, no início do ano 2000, tive uma conversa
com um amigo que jogava tênis e, aos 40
anos, tinha um corpo invejável. Olhei para
ele e disse: “Ah, eu não consigo
emagrecer”. Ele me respondeu: “Como
não? Pratique exercícios e você
verá o resultado”.
No
dia seguinte, resolvi tomar uma atitude: iniciei
uma caminhada leve, após o expediente e,
para ajudar, resolvi dar um tempo no garfo. E
o resultado já veio no começo: perdi
10 (dez) quilos e esse estímulo era o que
me bastava.
Mas,
como? Logo cedo, levantava e andava perto de casa,
até que me recomendaram a aumentar o ritmo.
E, de fato, fui aumentando, até iniciar
algumas corridas. No início, corria mais
ou menos 50 metros e me cansava. Mas tive a paciência
de aumentar o percurso gradativamente. Olhava
a Avenida e pensava: JAMAIS conseguirei corrê-la
inteira, pois, ida e volta, eram 15 quilômetros.
Mas, tal pensamento virou meta e hoje consigo
corrê-la - e o melhor: duas vezes.
Consegui,
com a corrida, emagrecer 44 quilos. Hoje, tudo
que faço, programo um tempo para meus treinos:
todos os dias. Em viagens, a primeira coisa que
procuro é um lugar para correr: pergunto
no Hotel, e saio correndo. Minha mochila está
sempre pronta para o próximo treino. Muitos
me falaram que, após o casamento, não
poderia continuar. Mas continuo. E estou tentando
fazê-la correr também. Já
virei incentivo para muitos amigos e conhecidos.
Hoje, quando tem prova, todos se lembram de mim.
Associei-me
a CORPORE no início do ano e cada dia que
passa, faço mais amigos. É uma delícia
interagir com outros corredores. Claro que os
problemas também existem como xingamentos
nas ruas, latinhas de cerveja atiradas dos carros
em nossa direção, desrespeito dos
motoristas, etc... Mas nada supera o prazer de
correr.
Procuro
correr duas horas por dia. Evidentemente, alguns
dias, não consigo, mas no meu ritmo, vou
levando. E o melhor, não engordei mais...
Sempre traço uma meta para as provas e
acabo conseguindo diminuí-las. Corri a
IV Meia Maratona CORPORE em 1hora 27minutos, fato
que jamais sonhei. Neste ano já participei
de todas as provas e não perderei uma sequer...
É delicioso iniciar e concluir uma prova.
Ainda mais as da CORPORE, que não precisamos
nem falar: são super organizadas e reconhecidas
até em outros Estados.
Espero
vê-los nas próximas corridas ou,
quem sabe, nas ruas.
|