| Meia
maratona: venci o desafio!
Ano
passado, treinei muito pra correr a meia maratona
do Rio de Janeiro. Fiz um projeto especial para
atingir o ápice de minha forma física
no período. Utilizei toda a minha experiência
de técnico e muito mais de 100 provas completadas,
mas perdi para o calor: tive uma hipoglicemia
(falta de açúcar no sangue), fui
obrigado abandonar a prova e ser socorrido faltando
somente 97 metros. Corri um risco para quebrar
meu recorde. Se tivesse corrido mais fraco, provavelmente
não teria acontecido nada disso, mas enfim,
aconteceu.
Após o ocorrido, fiz um eletrocardiograma
e um teste de esteira no CEMAFE (laboratório
de fisiologia) onde obtive um resultado muito
bom, comprovando que não era nenhum tipo
de problema de saúde e nem falta de treino.
Depois fiz algumas provas curtas muito boas, sem
nenhum medo, mas neste período acabei tendo
alguns problemas pessoais que me levaram ao estresse
físico e mental bem no finalzinho do ano.
Não conseguia mais correr com vontade e
nem trabalhar como antes. Era hora de tirar umas
férias urgentes, pois por algum período
andei abatido, e minha tão forte motivação
estava meio abalada.
Passei duas semanas descansando, pensando na vida
e refazendo os planos na bela cidade de Santos.
Retornei para São Paulo, consultei uma
médica que corre, Dra. Paula Gama, fiz
um check-up no laboratório de uma aluna
minha - Lid Laboratório -; e após
os resultados, finalmente, voltei a treinar.
Havia estabelecido como meta do ano correr os
10km abaixo de 38 minutos e o grande desafio de
correr a meia maratona abaixo de quatro minutos
por quilômetro, muito mais forte que o tempo
que pretendia fazer na meia do Rio. Comecei a
treinar com a maior vontade do mundo, fazer musculação
e trabalhar como uma máquina.
Com apenas um mês de treino, fui para a
minha primeira prova do ano, os 10km da Lua em
Campinas onde, após correr com muita vontade
e motivação, cruzei a linha de chegada
abaixo de 38 minutos (37m55s) alcançando
um objetivo que era para o final do ano. Estabeleci
meu recorde pessoal e, de quebra, obtive o índice
para largar na Elite B da meia maratona. Deus
havia renovado minhas forças!
Sabia que precisaria treinar muito, mas a vantagem
é que tudo dependeria somente de mim, pois,
como técnico, eu mesmo faria meu treino
e treinaria sem depender de nada neste mundo,
só pedia a Deus todos os dias que me desse
saúde e disposição e confesso
que nunca tive tanta em toda a minha vida, pois
treinar voltou a ser um enorme prazer e saía
para correr com chuva, com sol, com frio ou calor,
na maior alegria!
Fazia os treinos mais longos aos sábados
e domingos à tarde, quando muitos se divertiam.
Nestes momentos, repensava minha vida toda, minhas
estratégias e meus grandes projetos. Corria,
corria e sempre imaginava aquele relógio
de chegada marcando o tempo que pretendia!
Comecei a acordar às 4:30 da manhã
uma vez por semana para treinar, pois além
de tudo, tinha que conciliar o treino com o trabalho.
Dormia o mais cedo possível e quando dava,
mais uma hora após o almoço. Cuidava
da alimentação, da saúde
e do corpo como se fosse um atleta profissional.
Muitas vezes treinava forte, sentia muitas dores
e vontade de parar, mas quando terminava o treino,
sentava no chão e começava a rir
sozinho, me sentindo forte como o Super Homem
e dizia para mim mesmo: eu vou correr a meia maratona
abaixo de quatro minutos por quilômetro!
Fiz uma prova de 12km correndo junto com a 1ª
colocada (Maria de Fátima da equipe Run
Fun), por quase todo o percurso e depois, corri
a Volta a Ilha em Floripa.
Finalmente, após quatro meses de muito
treino, chegou o grande dia. A Meia Maratona da
Corpore largava às 7h da manhã com
20ºC, ao contrário da Meia Maratona
do Rio que larga à 9:30h com mais de 30ºC!
Um problema pouco antes da largada tirou-me totalmente
do sério. Não tive tempo de concentrar-me
e aquecer direito, algo que considero importantíssimo
antes de uma grande prova. Saí meio forte
e achando que o resultado estaria comprometido,
mas quem me conhece bem é testemunha que
não costumo desistir de nada neste mundo,
sou persistente ao extremo e não gosto
de desperdiçar uma oportunidade por nada.
Seguia alguns grupos que corriam no ritmo que
eu queria e quando o ritmo caia, eu os ultrapassava
e procurava outro grupo. Sofria para manter aquele
ritmo, mas não diminuía, pois sabia
que seria fatal e que aquela era a oportunidade
de minha vida.
Quando faltavam somente 6097metros, sabia que,
se conseguisse correr mantendo o ritmo, chegaria
a minha tão esperada meta.
No quilômetro 16 comecei a sentir o ritmo
forte e o cansaço veio pesado. Por dois
quilômetros corri bem acima do previsto
e começou a bater o desespero. Naquele
momento comecei a lembrar os motivos que me levaram
a correr aquela prova, aqueles treinos onde queria
parar, mas não parava, sentia dores, mas
continuava, achava que não terminaria,
mas terminava. É lógico que não
colocaria minha saúde em risco, pois não
sou nenhum atleta profissional, mas havia chegado
o momento da superação, de trocar
o prazer pela dor, e, do milagre do treino bem
feito e da força interior falar mais alto!
Completei o 19º km e só faltavam mais
dois. O tempo estava no limite. As pernas pesavam
e já não conseguia pensar mais em
nada, somente em chegar. Com o maior esforço
do mundo fiz o 20º km em 3m59s. Fui para
o último muito cansado.
A vontade de diminuir o ritmo era muito grande,
mas sabia que ali não poderia, pois chegaria
alguns segundos acima da meta estabelecida, jogaria
todo o projeto fora e com certeza ficaria vários
e vários dias sem dormir de tanta raiva!
Faltando apenas uns 600 metros, um amigo avisou-me
que havia uma subida e não acreditei: queria
matar quem tinha inventando aquele percurso! Passei
em frente onde estava a torcida, fui aplaudido
e gritei: vou chegar abaixo de 4m/km! Subi a ladeira
como nunca, mas ainda havia mais um pouco pela
frente. Dei um sprint, mas ainda assim não
vi a faixa de chegada. Sabia que tinha que chegar
abaixo de 1h24m23, mas não tinha nenhuma
certeza se conseguiria. Com muito esforço,
queimando minhas últimas reservas finalmente
vi a faixa e cruzei a linha de chegada . O relógio
marcava 1h24m21s e eu não acreditava, pois
havia corrido somente dois segundos mais rápido
que minha meta e caso tivesse dado uma diminuída
em algum ponto da prova, não conseguiria!
Finalmente pude levantar as mãos para cima,
agradecer a Deus, vibrar bastante e depois de
muito treino, um prova bem difícil, quatro
meses com esta frase na cabeça todos os
dias, eu pude dizer: “eu corri a meia maratona
abaixo de 4m/km!”.
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