| Amigos
corredores,
Lendo
a história da Karen, fiquei animado para
contar a minha também. Deve ser uma historia
igual a de muitos corredores, mas talvez por isto
mesmo, estou escrevendo-a,
para que o pessoal se identifique com ela.
Na minha adolescência, e um pouco mais velho
também, sempre pratiquei esportes. Fiz
5 anos de Caratê, treinei natação,
jogava futebol e vôlei. De uma hora para
outra, por motivo de trabalho, me vi impossibilitado
de continuar a praticar esportes. Além
disto, comecei um habito (e vicio) de fumar, embalado
pela propaganda destrutiva de que homem que é
bem sucedido, fuma!!! Ainda bem que hoje não
é mais assim. Ainda bem que meus filhos
são
muito mais conscientes do que nós fomos
no passado. Tenho três e nenhum deles fuma.
Hoje tenho 50 anos, dos quais fumei por mais de
25 anos. Me arrependo disto, mas também
me orgulho, de numa manhã de segunda feira
jogar meu maço de cigarros fora e jurar
que nunca mais fumaria. Já faz quase seis
anos sem por um cigarro na boca, além de
ter pegado uma antipatia pelo fumo. Hoje tenho
dó de quem fuma. Não sou aquele
cara chato, que vive torcendo o nariz para quem
fuma, nem fazendo discurso contra. Mas se tenho
uma oportunidade, se me dão uma abertura,
com certeza tento mostrar o lado ruim do cigarro.
È claro que após para de fumar,
o pique mudou, a disposição aumentou
e comecei a treinar em academia. Mas faltava alguma
coisa, que eu não sabia o que era. Via
os corredores na São Silvestre, que eu
assisto desde criança, ficava admirado
e me perguntava se eu conseguiria correr. Achava
que não.
Trabalho
numa grande empresa, que preza a saúde
dos funcionários. Um dia, o Grêmio
Recreativo tomou a iniciativa de convidar um professor
esportivo, da empresa MPR, para que viesse fazer
uma palestra, uma caminhada e eu mais do que depressa
me inscrevi. Parecia que eu estava adivinhando.
No dia da palestra e caminhada, conheci o cara
que me incentivou e me incentiva até hoje.
O professor DEMA da Marcos Paulo Reis. Durante
a caminhada, encostei perto dele e perguntei se
uma pessoa sedentária, que havia parado
de fumar há 5 anos e com 48 anos de idade
conseguiria praticar corrida de rua. A resposta
dele foi clara. Se você quiser, se você
tiver força de vontade, consegue. Foi o
bastante para eu começar a treinar. E não
foi fácil, não. No começo,
num percurso de 600 m, eu andava duas voltas e
meia e corria a outra meia. Depois passei a andar
duas voltas e correr uma inteira.
E assim, progressivamente, fui correndo cada vez
mais, e hoje as corridas para mim, são
o complemento e o aditivo para uma vida saudável.
Não consigo me ver sem correr em treinos
ou participando de corridas. Meu objetivo nunca
foi vencer uma corrida, mas sim vencer os meus
limites. E isto eu faço todos os dias.
Duas emoções que o esporte me proporcionou.
O primeiro, foi na minha primeira prova oficial.
Estava muito nervoso, foi na Prova de Natal da
Corpore, no Ibirapuera, em 2001. Se não
fosse o DEMA, a quem eu gostaria de prestar uma
homenagem, por que, às vezes as pessoas
nem percebem o quanto são importantes na
nossa vida - e o DEMA é um cara muito importante
na minha -; não teria participado pois
achava que não conseguiria. E olhem que
era uma prova de 6 Km. Pois vocês nem imaginam
a minha alegria, ao cruzar a linha de chegada,
com o coração transbordando e a
nítida impressão de que eu era um
vencedor. È difícil descrever a
emoção do momento. Só mesmo
vivendo-a.
E
a segunda, e mais forte ainda, foi ter participado
o ano passado da 78a. Corrida de São Silvestre,
num percurso que eu só conhecia pela televisão.
Foi um sonho realizado. Foi a coroação
de um árduo trabalho.
A largada, o percurso, que não é
nada fácil, e chegada, que é a coisa
mais maravilhosa do mundo, somente participando
para saber. Na chegada, abracei e fui abraçado
por atletas que até então eu não
conhecia, mas que sabia tinham o mesmo objetivo.
E foi muita, mas muita emoção, as
pernas pareciam flutuar e eu nem sentia o cansaço
da prova. A multidão te incentivando, faz
da prova da São Silvestre um evento único
no mundo. Foi sensacional e, é claro, mais
uma vitória para mim.
Por
isto, para encerrar este depoimento, quero deixar
registrado o seguinte. Não importa a idade,
não importa a classe social, não
importa a cor ou a religião. Neste dias
de violência eu quero a PAZ. Por isto, incentivo
e convido a todos para que participem de corridas
de rua, podem começar devagar como eu comecei,
mas comecem. Mexam-se, agitem-se, participem.
Tracem metas, vençam desafios e ocupem-se
no esporte, que com certeza a PAZ virá.
Parabéns,
CORPORE. Continuem assim, com as melhores e mais
organizadas provas de corridas de rua de São
Paulo. Vocês são um exemplo de organização
e incentivo ao esporte. Parabéns corredores
de todo o Brasil. Parabéns DEMA, você
é 10. Continuem incentivando o esporte.
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