|
Hoje
aos quarenta anos estou com meu corpinho bem distribuído
entre 1,72m de altura e 72 quilos.
Mas
nem sempre foi assim, e para vocês entenderem
voltarei no tempo. Tentarei ser mais rápido
do que fui na última 10K Nike, onde completei
os 10 km em 54 minutos.
Aos
10 anos era um garoto raquítico, franzino.
Então, minha mãe teve a idéia
de comprar um fortificante. Dai pra frente comecei
a engordar.
Convivia
bem com meus quilos a mais, estudava, via televisão
e pronto. Educação física?
Detestava, só ia às aulas por obrigação.
Quando tinha alguma partida de futebol, basquete
ou qualquer outra, somente era escolhido para
ficar no gol, e olha lá... Aos 18 anos
fiz alistamento, e participei do Tiro de Guerra
de minha cidade. Meu apelido, ora bolas, era Sargento
Tainha! Aquele gordinho das historias em quadrinhos.
Namorei.
O amor é cego e encontrei minha cara metade:
tivemos dois filhos, emprego, estudos, vida sedentária
e alimentação errada, muita gordura,
refrigerante, cerveja, churrasco, etc...
Aos
30 anos, comecei a refletir sobre a minha vida,
tinha minha casa, meu carro, meu emprego, minha
bela família, mas também minha vida
sedentária. Foi também aos 30 que
resolvi como queria estar vivendo aos quarenta,
pois se a vida começa aos quarenta, não
seria eu que iría provar o contrário,
mas sim provar que a teoria está correta.
Então
comprei minha bicicleta, sem marchas, pois não
estava tão convicto assim. Alguns meses
depois, a vendi, porém não desisti
do meu ideal de começar a vida pra valer.
Comecei a caminhar, sem pressa, sem preocupação.
Ao caminhar refletia sobre a vida, pensava em
coisas boas e ruins, mais coisas boas do que ruins,
e assim foram se solidificando meus ideais e desejos
de qualidade de vida.
Minha
esposa caminhava comigo. Com isso, encontramos
uma boa forma de nos manter como um casal em sintonia
perfeita de relacionamento. Fazíamos planos
juntos, discutíamos sobre a educação
de nossos filhos, nossos planos para o futuro
enfim, discutíamos nossa relação
Opa,
chegando aos 40 anos! Lá estava eu com
1,72m altura, 86kg. Estes 86kg me preocupavam,
pois, colesterol, triglicerides, ácido
úrico, etc, não deixariam eu viver
bem aos 40. Foi ai que consultei um médico
endócrino, que puxou minhas orelhas e fez-me
ver a realidade. Segui suas recomendações
e não é que começou a dar
certo!?
Depois
de três meses de treinamento já estava
com 5kg a menos e, com uma "melância"
a menos na barriga, já caminhava com mais
desenvoltura, decidi então a correr. Sim
comecei a dar uns piques no parque que freqüento
em minha cidade.
No
principio andava uma volta, corria outra e aos
poucos fui tomando gosto pela corrida. Ao correr
observa as outras pessoas caminhando, e me sentia
o máxim! “Olhem estou correndo, estou
suando, estou me sentindo muito bem, cada vez
melhor”.
Não
continha a emoção desta minha desenvoltura.
Queria contar a todos. Sentia nos olhos das pessoas
a curiosidade sobre como eu havia emagrecido tanto,
como eu estava bem com as minhas novas roupas,
menos estressado, aparência mais jovem,
enfim, estava começando realmente a minha
vida aos quarenta.
Em
agosto último, fui convidado por um amigo
para participar de uma corrida de rua que seria
realizada em setembro. No principio hesitei, mas
topei. No dia marcado estava lá trajado
a caráter, com o chip no tênis e
ansioso para começar logo aquela prova.
Estava calor, tinha uma subida íngreme,
mas estava contente, até arrepiado de tanta
emoção. Até lágrimas
se formaram nos meus olhos. Só entende
quem participa de um evento como este.
Em
outubro participei da corrida 10K Nike da Corpore.
Me sentindo um veterano, fui dormir cedo na véspera,
me hidratei corretamente, acordei no dia com um
astral elevado, e fui para o evento. Gente bonita,
alegre, saudável, todos com ideais semelhantes,
vivendo com qualidade de vida e sabendo como aproveitar
a vida.
Ao
dar início à corrida, a sensação
foi a mesma da corrida anterior. Muita emoção,
pele arrepiada, uma retrospectiva de como tem
sido minha vida, e a certeza de que aquele cara
sedentário, não mais existe. E nem
voltará a existir, pois mais do que condicionamento
físico, estou condicionado mentalmente
a ter uma vida saudável, com qualidade,
sem preocupação com resultados de
exames médicos, preocupando-se somente
com a cor da camiseta e o tênis que irei
usar, e também com um item muito importante:
um leque de amizades cada vez mais sadias e com
pensamentos em sintonia com os meus.
E
já estou me preparando para o São
Paulo Classic, portanto, até lá!
|