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Alessandro
Forel M. Ferreira
Essa
história começa no início de 2005. Pesava
108 Kg, me alimentava extremamente mal, não fazia nenhum
exercício físico e tomava medicamento para a
pressão desde 2001. Estava me sentindo velho, sem ânimo
e sem perspectiva de melhoria em relação à
minha saúde.
Em
24 de março de 2005, quando fiz 30 anos, resolvi dar
um basta nesta situação. Conversei com minha
esposa, fui na endocrinologista e em uma clínica especializada
em emagrecimento e, com muito sacrifício - devido a
horários rígidos para alimentar-me, comida regrada
e balanceada e 40 minutos de caminhada todos os dias - Perdi
25Kg em menos de 3 meses, e sem passar fome!!!
Apesar dos inconvenientes, como perder todas as minhas roupas
(vestia calça tamanho 50 e passei a vestir 42!) e ter
que ouvir diversas pessoas perguntando se eu estava doente,
fiquei extremamente feliz por ter voltado ao peso que tinha
há 15 anos.
Só que fiquei com uma aparência esquelética,
visto que emagreci sem ganho muscular.
Eis
que em meados de junho, conversando com meu amigo Flavio Yamakawa,
ele me sugeriu começar a correr. Falei que não
achava legal, porque não via a menor graça em
"ficar correndo por aí". Preferia pedalar
em um parque, fazer natação, essas coisas.
Ele me sugeriu conversar com o Leonardo Duarte, outro amigo
comum, o qual iria correr sua 1ª corrida no final de
semana seguinte e que deixasse ele me dizer o que achou. Na
segunda-feira seguinte o Léo veio mostrando a medalha
e a camiseta e falando que tinha sido ótimo. Fiquei
curioso, e como não tinha começado a treinar
nada, resolvi encarar.
Entrei na academia, comecei a fazer musculação
e a correr na esteira. Foi um desastre!!! Apesar do meu período
preliminar de caminhadas diárias, corri por 1 minuto
e já estava "lambendo o chão". Fui
persistente e em menos de uma semana já conseguia correr
"fantásticos" 3 minutos!!!!!!!!!!
Mesmo com esse resultado "insatisfatório"
(que aos poucos fui sabendo que era perfeitamente normal)
resolvi arrumar uma encrenca de verdade: me inscrevi nos 6,2K
de SBC em 07/08. Como sabia que fisicamente não estava
lá essas coisas, tornou-se meu objetivo maior conseguir
terminar a prova, pelo menos sem ser socorrido pelo carro
do resgate.
Foram
quase 30 dias de treinos diários (os quais ao final
do período já conseguia correr 20min na esteira!),
continuei me alimentando com cautela e lendo e conversando
com pessoas para saber tudo o que podia sobre corridas e condicionamento
físico.
Eis
que chega o grande dia! O sol ameno de inverno e aquela agitação
típica dos dias de corrida. Até então
tudo era novidade! Minha esposa foi com minha sogra e meus
dois filhos para ajudar a motivar-me. Aliás, o apoio
da minha família foi fundamental para eu ter conseguido.
Mas foi difícil e, hoje, vejo que fiz várias
coisas erradas, como por exemplo, saí num ritmo puxado
(o que me fez cansar antes do 4º Km) e me hidratei de
maneira errada. Tanto que acabei caminhando em alguns trechos.
Mas finalmente cheguei!! Passei quase que o dia todo com a
medalha no bolso e a camiseta da corrida. Foi um momento especial.
Por ironia do destino, no dia seguinte da corrida fui surpreendido
com a notícia de que seria desligado da empresa que
trabalhava. Inicialmente fiquei meio atordoado, mas pus na
cabeça que eu era um vencedor e que iria superar essa
situação nos mesmos 30 dias em que superei o
desafio da corrida.
E
assim aconteceu! Continuei treinando, participei da corrida
de Duque de Caxias (minha 1ª prova de 10K) e, mesmo caminhando
alguns trechos também, cheguei e continuei me sentindo
um vencedor. Não tenho dúvida de que essa atitude
positiva refletiu em outros pontos da minha vida me ajudou
a encontrar recolocação em 30 dias exatos, como
havia planejado!
Iniciando na empresa nova, logo nas primeiras semanas conheci
pessoas que também corriam. E nessa fase acabei por
ganhar uma grande amiga, a Maíra Marques, que além
de me dar várias dicas de melhoria de performance e
de bem estar na corrida, me acompanhou (e acompanha!) em treinos
semanais no Ibirapuera e em todas as corridas que viriam.
A partir daí, participei também da prova dos
10K da Nike (a primeira que fiz 100% do percurso correndo)
e Samsung Classic (a qual também consegui correr todo
o percurso e ainda melhorei meu tempo em 3 minutos!). Nesta
hora ví que poderia encarar a São Silvestre....
Na
minha concepção inicial, imaginei que só
conseguiria correr provas de mais de 10K no meio de 2006,
porém, depois de todos esses resultados, eu me sentia
capaz de encarar uma prova maior. Dito e feito! Por incentivo
da Maíra me inscrevi na São Silvestre e na Gonzaguinha,
ambas de 15K. Fiquei cabreiro, mas no final tudo deu certo!
Durante todo o mês de dezembro treinei um pouco mais
de musculação para fortalecer o joelho, aumentei
a carga de treino de pista de 2 para 3 vezes por semana, pelo
menos, e fui regulando a alimentação.
Terminei a Gozaguinha super bem, apesar de um pouco de dor
no joelho, mas não desisti nem por um minuto, e ainda
"dei um gás" no último KM.
Eis que chega 31/12/2005. É o grande dia. Uma multidão
de pessoas com faixas e cartazes se aglomeravam em frente
a largada. Olhando o frequencímetro, eu estava com
160 bpm PARADO (!!!), certamente devido a emoção
de estar ali. A largada é marcada por uma alegria indescritível
e a corrida, enfim, começa.
Foram longos 15Km. A prova em si não era fácil.
Pensei em desistir diversas vezes, mas não queria me
deixar derrotar sem ao menos tentar. Procurei me poupar ao
máximo para a subida da Brigadeiro, mas descobri que
ela não era a parte mais difícil: o clima quente,
as subidas do Elevado Costa e Silva, da Av. Rudge e do Largo
de São Francisco e o grande espaçamento entre
os pontos de hidratação foram bem piores! Na
Brigadeiro já havia o clima de "estou chegando"
e pareceu bem mais fácil do que imaginei.
Ao
ver a plaquinha de "14KM" fiquei empolgado e até
arrisquei uma acelerada, passando pelo Viaduto do Bexiga rapidamente.
Eis que vem o momento de maior emoção: a virada
da Brigadeiro com a Paulista! Faltam poucos metros e eu acelero
mais e cruzo a chegada fazendo um "aviãozinho"
com os braços abertos e posteriormente aplaudindo.
Meu tempo não foi lá essas coisas, mas minha
satisfação era imensa!
Depois de tudo isso, terminei o ano de 2005 com a certeza
de que todos podemos nos sentir vencedores. Basta reconhecer
o que temos de melhor, saber nossos limites e respeitar nosso
corpo. Que venha 2006, 2007, 2008... e todas as corridas,
pois em cada uma delas eu me sentirei um vencedor.
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