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Fernando Castelo Branco
Maratona do Sol da Meia-Noite
A
cidade de TROMSØ (pronuncia-se Trumsa!), no extremo
norte da Noruega, é também conhecida como a
Capital do Ártico. Localizada a quase 70 graus de latitude
e distante, aproximadamente, 2000 km do Pólo Norte,
é sede de uma grande universidade (Universitetet i
Tromso), o que aumenta a concentração da população
jovem.
Talvez
por essa razão é que a vida noturna, durante
o verão, seja tão intensa. Desproporcionalmente
agitada para uma pequena cidade de 60 mil habitantes.
Os atrativos daquele vilarejo não param por aí.
Os fenômenos naturais são, sem dúvida,
motivos mais do que suficientes para entreter seus visitantes.
Durante o inverno, graças à inclinação
do globo terrestre, o sol permanece abaixo da linha do horizonte
por 51 dias, gerando a noite polar e a aurora boreal: luzes
coloridas produzidas pelos ventos solares (daí o nome,
originário do deus grego do vento norte: Bóreas).
No fim da primavera e parte do verão o efeito é
inverso. Entre os dias 21 de maio e 21 de julho, o sol brilha
ininterruptamente. Durante dois meses seguidos, o sol simplesmente
não se põe no horizonte!
Graças
a essas curiosidades naturais, foram criadas a Polar Night
Halfmarathon (no inverno – 05.01.08) e a Midnight Sun
Marathon (no verão). Sem dúvida, para o aficionado
por corridas, boas desculpas para locomover-se até
a calota polar do nosso planeta.
Nesta última edição da Midnight Sun Marathon,
celebrada no dia 16/06/07, estivemos representando o Esporte
Clube Pinheiros, sob a orientação técnica
da competentíssima Eliana Reinert: Fernando Castelo
Branco (maratona), Arthur Guerra e Fernando Leme (meia-maratona).
A “maratona” começa com a viagem: São
Paulo – Paris (ou qualquer outra capital européia)
e conexão para Oslo (capital da Noruega) seguido de
vôo para Tromso. Ou seja, aproximadamente 20 horas até
o destino final!
Detalhe (só agora engraçado): Nós três,
vindo de diferentes cidades da Europa, tivemos as malas extraviadas
nas conexões. Portanto, vale a dica de sempre levar
consigo, como bagagem de mão, pelo menos, o tênis
da corrida.
Apesar
da sensação meio provinciana, distinta das maratonas
celebradas nas grandes metrópoles, a organização
da prova é, literalmente, de primeiro mundo (trata-se
de prova oficial do calendário da AIMS – Associação
Internacional de Maratonas e Corridas de Rua – garantindo
a perfeita aferição dos percursos, adequada
hidratação etc.).
Aproximadamente
1500 corredores inscritos, de 38 diferentes países,
para correr a maratona (Discover Petroleum Marathon), meia-maratona
(Toro Halvmaraton), 10 k, 4,2 k, e corrida infantil. Todos,
adultos e crianças, com um único objetivo: correr,
na passagem da meia-noite, em plena luz do dia !
Fernando
Castelo Branco (Maratona), Arthur Guerra e Fernando Leme
(Meia- Maratona)
A
largada da maratona ocorre às 20:30 horas, precedida
pela corrida infantil de 200 e 400 metros, portanto, após
o “jantar”, que deve ser criteriosamente planejado.
O percurso é praticamente todo plano, sinuoso, com
pequenos aclives e declives, ladeado pelo mar e por montanhas
cobertas de gelo: cenário perfeito para quebrar a monotonia
e surpreender pela beleza natural.
Logo após a largada, no centro da cidade, os maratonistas
cruzam a ponte de aproximadamente 1 k, que liga a parte insular
da cidade, à parte continental. Na sua parte central
está o ponto mais alto da prova: 44 metros acima do
nível do mar.
No continente, após cruzar a ponte, está localizada
a “Catedral do Ártico”, principal igreja
de Tromso, com arquitetura arrojada, insinuando a sobreposição
de enormes placas de gelo triangulares, apontadas para o céu.
No km 10,5 o percurso retorna à ponte, pelo mesmo caminho.
Após cruzá-la pela segunda vez os maratonistas
estão de volta à ilha passando pela região
central da cidade, aproximadamente no km 21.
Depois
de passar pelo centro, o percurso, na parte insular, é
feito por uma estrada asfaltada, ao lado de ciclovia, que
nos leva até o aeroporto da cidade.
Esta segunda metade da maratona ganha novo ânimo com
a largada, às 22:30 horas, da meia-maratona (partindo
do mesmo ponto em que se iniciou a maratona).
A quase totalidade do percurso remete a uma paisagem rural,
seguindo por uma espécie de ciclovia asfaltada, com
algumas cachoeiras formadas pelo degelo das montanhas.
Casas
de madeira surgem de tempos em tempos e seus habitantes, do
lado de fora, não se cansam de incentivar os corredores:
empunhando o jornal local, com a lista completa dos atletas
inscritos, divertem-se identificando cada maratonista, pelo
número, nome e país de origem.
Êia Fernando! Êia Arthur! Êia Brasil! Gritos
acompanhados de palmas, chocalhos e apitos que, mesmo fora
de ritmo, eram profundamente estimulantes e hospitaleiros.
Outra
curiosidade é a marcação decrescente
dos quilômetros. Corre-se de olho na distância
faltante e não na já percorrida.
Faltou,
apenas, o sol da meia-noite. O tempo estava, principalmente
na segunda parte da prova, nublado, chuvoso e frio. A temperatura
oscilava na casa dos 6ºC mas, por conta da umidade e
principalmente do vento vindo do mar, a sensação
era próxima de 0º C. Por essa razão, corremos
de calça, luva etc.
Ou seja, um dia típico do verão norueguês!!
Não há chip para controle de tempo e, sinceramente,
não faz falta alguma!
Ao contrário do que acontece nas outras maratonas pelo
mundo, esta é uma prova única e incomparável!
Deseja-se, a cada passo, que dure o máximo possível!
• Fernando Castelo Branco, Advogado, Professor da Faculdade
de Direito da PUC/SP
• Arthur Guerra de Andrade, Médico, Professor
das Faculdades de Medicina da USP e do ABC.
• Fernando Leme, Engenheiro Eletrônico, Consultor
de Empresas.
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