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Minha História - Andréa Sarubbi

26/09/2007, por Corpore
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Exclusivo para Associados Corpore

Andréa Sarubbi

Os passos de uma conquista

Na virada do ano o compromisso de realizar uma maratona. Só não pensei que seriam apenas dois meses e meio de treino intenso. Duas semanas perdidas, às vésperas da prova, com uma gripe, uma forte gripe.

Enfim chegou o dia da viagem. Embarcamos para Santiago (Chile). Um mix de sentimentos ocupava meus pensamentos. Pensei: “Não estou preparada...”. Hoje sei o quanto não estava.

Na véspera da prova muita expectativa, concentração, pensamentos soltos, anseios, temores e quietude. É... quietude!

Enfim dia 1º de abril chegou.

O dia amanheceu frio, em torno de 14° e nublado. Acordei o corpo mal dormido pela ansiedade com um banho, enquanto a água acariciava meu rosto, senti medo, medo de acovardar; balancei a cabeça e livrei-me dos pensamentos inadequados para o momento. Preparei-me para o feito: bermuda, camiseta com a bandeira do Brasil (valeu Regina! Muito me ajudou), proteção para os pés (obrigada meu amor!), vaselina, frio na barriga, jujuba, frio na barriga, malto em pó, mais frio na barriga ainda...

Chegando ao Parque Araucano pude vislumbrar uma multidão de corredores e espectadores agitados, sorridentes, nervosos, ansiosos, todos com as mesmas sensações minhas. Porém, para mim e alguns outros, era a primeira vez! E neste instante, a quietude alcançou-me profundamente, envolveu-me como numa bolha e os sons simplesmente cessaram, os movimentos abrandaram e eu pude sentir frio... o frio da contagem regressiva...9,8,7,6,5,4,3,2,1.... Largamos! Meus olhos observavam tudo a minha volta, meus ouvidos ouviam a distância: “Braaasssiiilllll....”. Era eu! Era a nossa camiseta, Regina! É muito interessante esta sensação, é energética.

Muitos corredores passavam por nós e berravam “BRASIL!”. Eles me estimulavam.
De repente surge uma brasileira de São Paulo, corremos juntos uns 5km, mas ela era da meia maratona, nos afastamos. A cada 5km tínhamos água, porém, o clima não fazia sentir sede, mas Dr. Mizu orientava para que me hidratasse. Tivemos uns 9km de descida e tudo que desce tem que subir, então, subimos, subimos, mal percebia... fomos juntos até o 21,5 km... em 2hs03min incríveis!! Estava bem até que no 25km percebi que estava cansada; no 28km senti que estava BEM cansada e aí comecei a me incomodar com tudo; boné, óculos, tênis, relógio, pé, joelho. A máquina dando sinais de pane, mas me imaginava cruzando a linha de chegada, orgulhosa de ter ido em frente, então continuava, mas meus pensamentos mandavam que eu caminhasse. Como é difícil tomar a decisão, continuava. Decidi começar a caminhar no 30km, após beber água comecei a caminhar. Devia aparentar cansaço, pois as pessoas passavam por mim e diziam: “- Vamos lá Brasil! Força!”

No 32km um policial parou de moto e perguntou se queria carona. Pode?! Disse a ele que iria continuar e ele respondeu que eu era uma mulher de coragem. Incrível como este comentário impulsionou-me a continuar, então as dores começaram e eu queria muito continuar, não tinha escolha. Corria... Caminhava... Mas, não tinha pensamento de cruzar a linha de chegada que me animassem; uma briga entre meu corpo e minha mente e então continuava caminhando. Pensava: “Não tenho escolha, parar nem pensar!”. No 35km resolvi tomar um analgésico e um BCAA, mais uma jujuba, para tirar o gosto ruim da boca. No 37km percebi que faltavam 5. SÓ 5km!

Por volta do 38km, ouvi gritarem “Vai BRASIL!”. Era um casal que havia terminado a maratona, percebi quando vi a pulseira preta no pulso deles. Acenei e com um pouco mais de energia senti minhas passadas recomeçarem, um pouco a frente o mesmo casal passa por mim e oferece água e banana, acho que eles perceberam que eu estava no meu último “gás”, agradeci e continuei. As dores tinham sumido, bebi água e descartei a banana, não conseguia pensar em comer, só queria correr e terminar logo com aquilo. Mais 2km a frente, novamente, o casal aguardava para dar seu último grito de força! “Aí BRASIL!!!”, agradeci a força com o gesto das mãos unidas. A união dos corredores, a força que impulsiona e energiza... cruzei por um corredor e o puxei... SÓ faltam 1,5km!
Ele ficou e eu continuei. O povo começou a aplaudir, o peito enche de emoção, as lágrimas dão sinal, você controla tudo, pois não pode perder o foco, tem medo de pisar torto, errar, calma! Calma e garra, sorriso e lágrima. Falta 1km... corro de cabeça baixa, o ombro pesa. Faltam 200 metros escuto: “É DO BRASIL!!!!”. Minhas lágrimas e meu sorriso querem explodir, levanto a cabeça. “É O Nº 52...” Sorrio... “É ANDRÉA SARUBBI!”. Vejo o Mizu aproximar, aceno, ouço de novo: “BRASIL!!!!”. Abro os braços, cruzo a linha de chegada, numa explosão de mim, beijo o chão e grito: “Eu consegui!!!!”

Se fisicamente não estava tão bem preparada minha vontade determinou que sim.


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