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Entrevista - Steven Dubner (ADD)

07/04/2008, por Marcel Trinta

Há cerca de 30 anos, Steven Dubner recebeu um pedido que o deixou sem saber o que fazer: um atleta de cadeira de rodas queria participar do time de basquete que ele treinava. Primeiro, Steven ficou confuso, mas após isso percebeu que o esporte é muito importante para os atletas com deficiência e começou a se doar para melhorar os esportes adaptados e fazê-los serem reconhecidos.

Após passar sete anos nos Estados Unidos trabalhando com esportes adaptados, Steven voltou ao Brasil com novas técnicas e diversas inovações. Junto de Eliana Miada fundou a ADD (Associação Desportiva para Deficientes) em 1996 para auxiliar e desenvolver esses atletas.

Hoje, a ADD cresceu muito e será a entidade beneficiada pela IX Meia Maratona Corpore Açúcar União da Cidade de São Paulo. Confira abaixo entrevista que Steven fala sobre os esportes adaptados, as dificuldades dos atletas e os benefícios que a parceria com a Corpore e a Meia Maratona trazem para a entidade.


Você é formado em Educação Física e sempre trabalhou com esportes. Como foi a transição para o trabalho com esportes adaptados?
Era técnico de uma equipe de basquete de atletas sem deficiência e um cadeirante quis jogar e veio falar comigo. Fiquei sem ter o que responder, travei na hora. Adaptamos uma cadeira pra ele poder jogar e assim começou meu trabalho com atletas deficientes.

E foi fácil colocar esses atletas nos esportes?
Na primeira corrida de rua que tentei colocar cadeirantes, não permitiram, acharam perigoso. Era uma coisa que nunca tinha acontecido. Então, deixamos os atletas um quarteirão a frente da largada da prova. Quando foi dada a largada eles também saíram pro percurso. Os fiscais pegaram uns 3 ou 4, mas o resto conseguiu ir. Depois disso começaram a nos autorizar.

Esse “preconceito” diminuiu?
Sim, mas ainda é muito grande e o Brasil ainda está 20 anos atrás de outros países. Temos grandes atletas como o Fernando Aranha (quantas vezes já chegou na frente do Paul Tergat?), o Paulo de Almeida que participa de ultramaratonas, sendo que ele é o único deficiente no mundo que faz isso... E não são conhecidos no Brasil. Em qualquer outro país eles seriam heróis.

Por que você acredita que isso acontece aqui?
O brasileiro trata muito bem as pessoas, é muito caloroso, mas o problema é a falta de informação. Um exemplo é o cego: quando vai atravessar a rua acaba fazendo isso umas 10 vezes porque as pessoas chegam para ajudar, mas nem sabem como, já chegam atravessando e ele vai de um lado pro outro. O correto é perguntar e fazer como o cego pedir. Mas falta a informação de que o correto é isso.

Qual a importância de um esporte para os deficientes?
Um deficiente, logo que sofre o acidente, fica escondido em casa, sem motivação. O esporte é uma ferramenta que mostra pra pessoa que ela é capaz. Se consegue praticar esporte é capaz de fazer muitas outras coisas. Isso faz a pessoa sair de casa, não ficar escondido.

E é aí que a ADD tenta ajudar as pessoas?
Após um acidente, a pessoa perde o chão e uma entidade como a ADD e outras ajudam essas pessoas. Um acidente é 8 ou 80: ou uma família se separa de vez ou se une muito.

Existe um trabalho muito específico com crianças, não é verdade?
Estamos montando uma Escola de Esportes. A criança fica um período de 3 anos praticando todos os esportes e depois desse tempo escolhe qual ela gostou mais, qual quer continuar praticando... Apresentando diversas opções de esportes, a criança pode ver várias opções legais e realmente ficar nos esportes. As chances são maiores. Há alguns anos tínhamos poucos atletas, hoje vemos um crescimento.

A corrida de rua é um esporte importante para essa “socialização”?
A corrida de rua é legal porque ela é divulgada, a pessoa que está em casa pode receber essa informação e começar a praticar o esporte. Além disso, por ser um esporte individual o custo é baixo.

O envolvimento com a Meia Maratona já foi feito em outros anos. Como isso ajuda a ADD?
É uma grande oportunidade de ganharmos dinheiro e investir nesse projeto de trazer as crianças para o atletismo. A cada ano com isso podemos montar um novo time de atletas. Outra coisa importante é a exposição, porque se uma pessoa com deficiência consegue praticar esportes, ela consegue fazer outras coisas bem, trabalhar bem... O esporte mostra a potencialidade de um deficiente. A Corpore está quebrando esse paradigma de que o deficiente é um coitado. Ele não é um coitado ele é um atleta.

Faltam mais ações desse tipo no Brasil?
Não consigo entender como as empresas pagam Imposto de Renda e não pegam esse dinheiro para investir na ADD ou qualquer ONG, porque eles teriam 100% de isenção do IR. Ao invés de dar pro governo, poderiam investir nas nossas crianças. Por lei as empresas com mais de 100 funcionários têm que ter uma cota de deficientes no seu quadro, senão recebem multa, mas não conseguem deficientes qualificados. Por isso, investindo nessas entidades as próprias empresas podem ter funcionários qualificados no futuro.



 
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