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Repórter Corredor - Respostas de Vanderlei Cordeiro de Lima

01/06/2009, por Corpore

Chegou a hora de conferir a entrevista que você ajudou a fazer com um dos maiores ícones do atletismo brasileiro, que junto ao seu técnico Ricardo D'Angelo foi extremamente solicito ao participar dessa ação.

A participação foi muito grande e por isso tivemos que selecionar algumas perguntas.

Confira agora as respostas de Vanderlei Cordeiro de Lima. Em breve traremos outro personagem para que você seja o nosso Repórter Corredor.

Olá Vanderlei! Primeiro, sou sua fã, rs. Adorei o livro sobre sua vida. Agora, a pergunta:
Nós amadores, ao correr uma maratona, sabemos o quanto é difícil e sofrida. Aí fico pensando como seria para um atleta de ponta. O que seria esse sofrer, ou seja, qual a pior parte para você. O cansaço, as dores musculares..etc..
Obrigada
Abraço

Rita de Cássia Gebara Miranda
Sumaré-SP

Correr uma maratona é difícil para qualquer atleta, seja ele profissional ou não. No caso dos profissionais, a carga de treinos é muito puxada e geralmente envolve, entre outras coisas, uma temporada em altitude. Isso significa estar 100% do tempo focado no treinamento, nas atividades de fisioterapia e distante da família e amigos. Sem dúvida isso é complicado. Durante a prova, a concentração é tão grande que fica difícil prestar atenção em outra coisa a não o nosso objetivo. É claro que sentimos dor e cansaço, mas isso normalmente acontece depois que cruzamos a linha de chegada. O mais difícil é passar pelo treinamento da maratona.

Vanderlei, essa sua passagem para a "aposentadoria" como foi? Gostaria que comentasse sobre o seu Projeto Social e sobre como é ser ídolo, mesmo teoricamente não estando na ativa.
Luciana Pereira de Lima
Taboão da Serra-SP

Sem dúvida nenhuma essa foi uma decisão difícil e amadurecida entre o Ricardo (meu treinador), meus patrocinadores e eu. Levamos em consideração o atual momento da minha carreira e a minha contribuição pro atletismo brasileiro. Fora das competições oficiais, tenho mais tempo para cuidar de outros projetos, incluindo o Instituto Vanderlei Cordeiro de Lima, que tem sede em Campinas (SP). Essa é a realização de um antigo sonho meu: oferecer condições de acesso à educação e cultura para jovens de baixa renda. Além de selecionar talentos, o IVCL tem como missão contribuir para a ampla formação de crianças utilizando o esporte como meio para crescimento e desenvolvimento individual e coletivo. A ORCAMPI, escola de atletismo do IVCL, já conseguiu a aprovação pela Lei de Incentivo ao Esporte, do ME. Estamos em fase de captação de recursos, buscando parceiros para aprimorar o projeto que atualmente atende 150 crianças carentes da Região Metropolitana de Campinas.

Vanderlei, é de muito orgulho para todos nós poder dizer: sou Brasileiro que nem o Vanderlei Cordeiro de Lima. Você vai continuar dando sua contribuição para o Atletismo Brasileiro?
Josivaldo Jeronimo dos Santos
São Paulo-SP

O atletismo foi a única oportunidade que tive na vida. Soube aproveitá-la muito bem e espero contribuir com outros jovens para que eles também tenham uma chance na vida. Acho que essa é a maior contribuição que posso dar.

Caro Vanderlei:
Entre nós corredores é notório que a maratona é uma prova de maior técnica e resistência que a “explosão” das provas mais curtas. No início, participava das provas curtas, mas acabou se especializando em maratonas. Pergunto:  sentiu com o tempo que o seu condicionamento para provas mais longas aumentou ou foi mera opção em virtude dos resultados?
Marcilio Pinto Lopes
São Paulo-SP

Já disputei provas em pista como parte da minha formação como atleta, que foi baseada em princípios pedagógicos aplicados em modelos de formação de atleta em países desenvolvidos. Com isso, pude adquirir background suficiente para me tornar um atleta com uma carreira sólida e bem construída. A escolha pelas maratonas aconteceu de forma natural, levando em consideração meu desempenho em treinos de resistência.

O que você sentiu quando aquele manifestante maluco quase tirou você da maratona em Atenas? O que deu forças para continuar naquela prova e terminar no 3º lugar?
Michel Bernardo Fernandes da Silva
São Caetano do Sul-SP

Para mim a Olimpíada de Atenas não ficou marcada pelo episódio e sim pela conquista da medalha, que era meu sonho. Batalhei muito para chegar lá, treinei muito para estar preparado e nada iria me impedir de terminar a prova. Fico feliz de ter atingido meu objetivo.

Sem nenhuma dúvida, um fato muito marcante em sua carreira foi a prova da maratona em Atenas. Qual foi a segunda prova marcante em sua vida? Um abraço com admiração
Denise Aparecida Zaninelli
São Paulo-SP

Me considero um atleta de sorte, tive momentos inesquecíveis ao longo da minha carreira. Acho que a São Silvestre de 2008 foi uma prova especial, pelas circunstâncias.

Como você vê a Corrida de Rua no Brasil com relação os outros países que conhece?
Orisvaldo Ramal dos Santos
São Paulo-SP

Acredito que está crescendo, mas ainda precisa de políticas públicas sólidas, de incentivo. Atualmente o esporte brasileiro vive de projetos privados. Melhorou, mas pode melhorar muito mais. Sob o ponto de vista de esporte de massa, o exercício da corrida assumiu um papel importante na sociedade atual contra o sedentarismo. Por outro lado, o grande número de provas realizadas no Brasil hoje dificultam o crescimento técnico dos atletas profissionais, tornando um pouco mais distante a conquista de títulos importantes como o que consegui em Atenas e nos Jogos Panamericanos.

Sou seu fã de carteirinha sempre que vou terminar uma prova eu tento te imitar fazendo o aviãozinho, que achei muito emocionante quando você fez nas olimpíadas, gostaria de saber se isso te incomoda, de ver as pessoas te imitando" será que eu posso continuar a fazer o aviãozinho nas minhas corridas?
Ricardo Henrique de Oliveira
Mogi das Cruzes-SP

Claro que pode! Isso não me incomoda, aliás, muito pelo contrário. Me sinto muito honrado.

Primeiramente quero dizer que é uma honra poder participar de um canal de comunicação com o meu maior ídolo dentro do cenário esportivo brasileiro. Gostaria de saber do Vanderlei se ele enxerga esse aumento considerável na divulgação do atletismo (mesmo que de forma amadora) como uma oportunidade de atletas de ponta conseguirem novos patrocínios e chegarem com maiores possibilidades em grandes competições, ou é apenas uma maneira das empresas envolvidas com o esporte arrecadarem mais dinheiro e deixarem que os atletas de ponta continuem sem apoio financeiro?
Thiago Oliveira Nascimento
Embu-SP

Acho que o atletismo está em evidência por conta dos resultados que nossos atletas estão conseguindo. Mas volto a dizer, muita coisa ainda pode ser melhorada. Se fizermos isso, os resultados serão ainda melhores.

Vanderlei, você vai continuar participando das corridas de 10-15-21 km junto com o povão, os amadores?
Antonio Ponzilaqua
São Paulo-SP

A minha vida é o esporte, não me vejo fazendo outra coisa. Pretendo continuar correndo por muito tempo, junto com os atletas amadores.

Vanderlei, o que você acha que deve ser feito para os atletas que vivem da corrida possam ser mais reconhecidos e poderem viver do "trabalho" da corrida? Porque a corrida de rua, e o atletismo em geral não aparece na televisão? Nós nem sabemos na mídia de provas e meetings? O que fazer?
Laudo Bonifácio Junior
São Paulo-SP

Para que isso aconteça é preciso que apareçam mais patrocinadores para abrigar esses atletas. Temos muitos corredores talentosos, mas que precisam correr todo final de semana para viver e assim não conseguem boas performances. Sobre a mídia, o atletismo brasileiro possui seu espaço dentro dela. Não é e nunca vai ser importante como o futebol, mas costuma aparecer tanto quanto o vôlei, basquete, e outros.

Vanderlei,qual foi a pior maratona de sua vida?
Giuliano Bordin Trindade
São Paulo-SP

Acho que tive uma trajetória brilhante sob todos aspectos: esportivo, moral, ético, financeiro. Me sinto um atleta realizado e não existe a pior maratona para mim. Todas foram importantes e me ensinaram alguma coisa.

O Vanderlei realmente é considerado tanto pelos profissionais do atletismo quanto pelos corredores amadores um símbolo de perseverança, força de vontade, otimismo e simpatia, ficando conhecido mundialmente e graças a Deus premiado com honras como merece. Gostaria que ele passasse uma mensagem aos atletas amadores como nós, para incentivá-los a continuar correndo e trazendo mais adeptos a este esporte que já cresceu muito, e tornou-se muito importante, haja vista a mobilização de grandes cidades e da estrutura montada para atender a cada evento. Abraços ao Vanderlei e continue divulgando o seu trabalho, principalmente agora como orientador e treinador.
Mirian Rodrigues dos Santos
São Paulo-SP

O esporte é incrível, capaz de transformar a vida das pessoas. Acho muito legal ver as pessoas correndo pelas ruas, isso proporciona qualidade de vida, prazer, satisfação. Espero que essas pessoas continuem correndo, que tenham sonhos e que consigam alcançá-los. Cruzar a linha de chegada de uma corrida é algo muito emocionante.

Atualmente, quem você considera o melhor corredor brasileiro?
Luiz Nogueira Durães Junior
Itupeva-SP

Marílson Gomes dos Santos, por conta dos ótimos resultados que ele vem conquistando.

Durante sua mudança de atleta amador para profissional, como foram alteradas sua alimentação, quantidade de treinos, etc.? Foram mudanças grandes?

Apenas reduzi minha carga de treinamento, tanto nos quilômetros por semana como nas intensidades das corridas, então não houve muita mudança. Lembro que sempre disse que vou continuar correndo pois é a coisa que mais gosto de fazer. Na alimentação, mantenho minha dieta normal, afinal de contas, ainda gasto muita energia diariamente.

Você saberia dizer se o Brasil está entre as 10 maiores potências em corridas de longa distância? Entre as 20, talvez?
Marcelo Luiz Nogueira Durães Junior
Itupeva-SP

Acho que o Brasil está entre as 20 quando se considera Europa, África e Ásia.

Comecei a correr agora. Quais as dicas para o início? Tanto físico como mental.
Abedjan Ferreira
São Paulo-SP

Obrigado pela sua mensagem de apoio. Para você começar a correr bem, deve procurar um professor ou treinador que possa te ajudar. O que posso te dizer é para nunca desistir do que quer ou sonha, sempre acredite que pode conseguir.

Vanderlei,
Quais são as suas características pessoais mais importantes que você acha que o levaram ao sucesso no atletismo?  Você considera que já tenha nascido com essas características, ou as desenvolveu com o passar do tempo?
Marcelo Claro
São Paulo-SP

Minha dedicação, disciplina e respeito. Acho que soube aproveitar as oportunidades que tive na vida e meu sucesso é conseqüência de muito esforço.

Vanderlei, quando, como e por quem você foi descoberto para o mundo das corridas?
Jose Maria dos Santos
São Paulo-SP

Meu primeiro contato com o atletismo foi na escola, em Tapira (PR), onde minha família trabalhava como bóia-fria. Fui inscrito pela escola em uma prova de rua na região e com o resultado percebi minha aptidão para o atletismo. Meu professor de educação física foi o primeiro a me incentivar nas corridas de longa distância. Já o Asdrúbal foi meu primeiro treinador de alto nível. O Ricardo me ensinou muito e foi o responsável por organizar a carreira dentro e fora da pista.
Quais são os seus projetos para o futuro após a aposentadoria, isto é se um corredor realmente se aposenta?
Flavio de França Leite
São Paulo-SP

Meus objetivos sempre serão de trabalhar para o bem do esporte. Vou tentar, independente do ambiente, contribuir de maneira positiva para fazer do esporte uma oportunidade para aqueles que sonham e desejam se tornar cidadãos saudáveis e felizes. A minha rotina não mudou, continuo treinando porque meu corpo sente necessidade do exercício. Durante os finais de semana eu aproveito para pescar.



 
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