A maioria das mulheres no País começou a correr regularmente há dois anos. Esta é uma das conclusões da pesquisa realizada com 7.731 corredores amadores, 20% deles do sexo feminino. O ortopedista Rogério Teixeira, do Núcleo de Estudos em Esporte e Ortopedia (NEO), que coordenou o estudo, destaca que outro dado interessante é que as mulheres fazem seus treinos supervisionadas. “Já os homens pegam os tênis e saem correndo sem se preocupar em procurar um treinador”, conta.
“A corrida é ainda uma prática recente para as mulheres, o que talvez justifique a maior preocupação com a orientação de um profissional”, explica Teixeira, que é o presidente do Comitê de Traumatologia Desportiva da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.
No quesito resistência, as mulheres empatam com os homens: 33% delas correm até 25 km por semana; e 30% deles a mesma distância. Apenas 5 % das corredoras e 9% dos corredores têm um índice de 75 km por semana. E fazem 50 km por semana, 25% das moças e 33% dos moços.
Outro empate foi no número de lesões: 50% do time feminino já teve alguma lesão em decorrência da corrida, que o fez procurar um médico; e 54% do time masculino. “São lesões por sobrecarga, nas mulheres na maioria dos casos é fratura por estresse, principalmente no quadril (14% delas apresentaram tendinite no quadril)”, conta Teixeira, que já esperava este resultado. “As mulheres, dependendo da idade, apresentam problemas hormonais e há mais casos de osteoporose também.”
A pesquisa foi debatida na semana passada no Projeto Saúde no Esporte, no Ibirapuera. “A orientação é o segredo para evitar lesões. Corredores amadores precisam buscar supervisão adequada para a prática do esporte”, afirma o ortopedista.
Em parceria com o Ministério dos Esportes e com o patrocínio da Janssen-Cialag, criaram uma cartilha para corredores. “Distribuímos no domingo no Parque do Ibirapuera.” Foram distribuídas 10 mil exemplares. “Esgotou.” O projeto inclui também testes da pisada, palestras e cursos.
Para o estudo, corredores de oito Estados responderam ao questionário, via e-mail, do mailing da Corpore, entidade de corrida sem fins lucrativos, no final do ano passado.