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Repórter Corredor - Veja as respostas de Zequinha Barbosa

30/10/2009, por Corpore

Um dos mais conhecidos e vitoriosos atletas da história do atletismo brasileiro também é um homem de ótimo papo e que adora uma conversa. Por isso, essa entrevista com Zequinha Barbosa foi fácil de ser feita.

O número de perguntas foi muito grande e tivemos que selecionar algumas. Segue o resultado final.

Zequinha, em sua opinião o que é mais importante: Performance, Velocidade ou Resistência. Claro que muitos atletas tem as três qualidades, mas muitos ou vão para provas tipo ULTRAMARATONA onde a RESITÊNCIA é mais importante e outros VELOCISTAS utilizam da Performance + Velocidade para correr.
Eduardo Acacio Silva
São Paulo-SP

A performance é a consciência que todos atletas tem de ter em sempre competir bem e dando seu melhor sempre, a fim de melhorar o resultado.

Velocidade e Resistência caminham juntas. Velocidade é nata, ou seja, você nasce com ela. Resistência você constrói ao longo dos anos de trabalho, de uma base bem feita. Todavia, o atleta precisa da velocidade para correr mais, e poupar durante a prova, pra não gastar a sua resistência ou capacidade aeróbia rapidamente. A resistência bem feita ajuda aqueles atletas que são velozes e utilizam, portanto, da velocidade para finalizar bem uma prova.

 

Primeiramente meus parabéns ao grande atleta Zequinha Barbosa. Gostaria de saber qual foi a competição que mais o marcou emocionalmente tanto pela alegria ou pela tristeza ou desapontamento. Muito obrigado
Wagner Maciel
Sorocaba-SP

A competição que mais marcou foi o troféu Brasil de atletismo de 1983. Nessa prova eu fiz a melhor marca do mundo naquele ano e com isso eu ganhei a oportunidade, através de uma bolsa de estudos, de vir para os USA estudar, treinar e competir com os melhores atletas do mundo.

 

Qual a sua impressão ou mesmo opinião, ao tomar conhecimento que Senadores enviam amigos, esposas, filhos, funcionários para o exterior com dinheiro do Senado (dos contribuintes) e todos sabemos que existem atletas em potencial para elite que não seguem carreira porque não conseguem estágios em centro evoluídos no exterior ou até mesmo para participarem em competições no exterior para ganharem experiência e melhorar níveis de competitividade, justamente por falta de patrocinadores, patrocinadores preferem os atletas já feitos, são raros os que investem em atletas em formação.
Abraços

Sergio Jacinto da Silva
São José dos Campos-SP

Essa questão política é delicada. Mas nós brasileiros que somos os maiores culpados por tudo isso. Afinal, somos nós que colocamos eles lá para nos representarem.

Você disse algo importante: “investir na formação de base”.

Por exemplo, caso nós não votássemos nos vereadores sem base, conseqüentemente, eles não fariam carreira, ou seja, não teríamos tantos senadores, deputados, governadores, enfim políticos ruins.  Assim como os atletas, eles também deveriam vir de baixo (base educacional de treinamento), com raras exceções, para chegar ao top.

Portanto, é muito Importante saber votar.

 

Em toda sua carreira você foi um dos atletas que ficou mais tempo Top 10, acho que foram por volta de 10 anos. Isso não é para qualquer um, nós sabemos. Você acha que fez tudo nos treinos que podia, deu seu máximo ou faria diferente hoje podendo olhar para trás? E caso positivo, o que faria diferente?
Mario Mello
São Paulo-SP

Fiz sim tudo que podia e sempre mais um pouco. Fui um atleta que nunca aceitei perder para e por treino, ou seja, executava meus exercícios por mais difíceis que fossem, pois meu trabalho (minha obrigação e determinação) era terminar aquele treinamento.

A única coisa de diferente é que a suplementação, que na minha época não havia com facilidade como hoje, fez com que treinasse a base de arroz com feijão mesmo, tomando apenas vitamina c, complexo vitamínico e procurando me alimentar o melhor possível.

O diferencial, na verdade, encontrava-se em meu nível psicológico de competitividade, que era muito alto e isso falta para os atletas de nível, hoje no Brasil, pois o grau psicológico desses atletas pra competir em alto nível ainda é baixo. Aceitam somente fazerem índice e pronto. Eu fui lá pra fazer História.  

 

Zequinha, parabéns por tudo que fez e faz pelo atletismo. Na sua opinião o que o governo pode fazer para que o Brasil seja um país forte no atletismo? Talento nós temos.
Jose Maria dos Santos
São Paulo-SP

No Brasil tem um algo muito grave que é, em primeiro lugar, as secretarias de Educação, seja de nível municipal, estadual e federal, não ver no esporte a sua essência verdadeira de um grande aliado da criança e da sociedade em sua formação educacional. Afinal, Esporte e Educação caminham juntos, porém, o esporte não está onde a criança está, ou seja, na escola. Por causa disso a educação física nas escolas brasileiras possui um papel muito aquém do que deveria ou mereceria: desprestigiada e sem valor. Como o esporte nas escolas é muito fraco, não conseguimos ter a matéria prima, que são as crianças praticando esporte. Sem matéria prima, portanto, não há produto final.

Quando os secretários de educação deixarem de fazer de suas Secretarias uma moeda de troca ou trampolim político e notarem, terem maior sensibilidade e vontade de fazer e mudar, que o esporte é uma ferramenta fundamental para sociedade brasileira e as crianças do Brasil, aí sim o Brasil vai ser uma potência Olímpica em todos os esportes.

E o nosso resultado aparecerá nas Olimpíadas de 2016, com todo o Brasil lá. Então, vamos dar os nossos primeiros Parabéns por essa grande conquista e as demais, por tudo o que realizarmos em união entre a Educação e o Esporte.

 

Zequinha, primeiramente, quero lhe cumprimentar e agradecer por ter levado a bandeira brasileira ao longo de sua carreira, que acompanhei como fã por longos anos. Minha pergunta é como hoje você encara sua tática na final olímpica dos 800m em Seul. Achei correta a sua tática de puxar o ritmo, de acordo com os adversários com forte tiro final que você tinha que enfrentar. Mas ouvi muitos na época (e até recentemente) criticarem sua tática como irresponsável. O que você acha hoje de críticas como essa?
Marcelo de Oliveira Assunção
Rio de Janeiro-RJ

Respeito à opinião de todos. Todavia eu sempre procurei fazer o melhor. Eu sempre gostei de correr na frente. Foi assim que consegui estar no pódio em quase todas a competições importantes que fiz na minha carreira. Uma questão de gosto. Apenas isso.


Com a sua experiência de tantos anos de pista, por que é tão difícil hoje manter os atletas focados somente para pista já que há muitos atletas do meio fundo migrando para provas de rua?

Robison Alves
Descalvado-SP

Para mim foi tranqüilo porque eu amo atletismo e procurei treinar duro sempre. Os atletas que estão imigrando para as corridas de rua, em sua maioria, não estão tendo chance no meio fundo. Como a corrida de rua hoje, além da remuneração econômica, está mais presente na mídia, pois na minha época não era tão popular, atrai os atletas para essas competições.

 

Zequinha bom dia,
O que vc acha do episódio do doping dos atletas do Brasil que iriam disputar o Mundial em Berlim? Essa é a realidade do esporte de ponta? A necessidade de uma "ajuda"
química?

Marcelo Diniz
São Paulo-SP

Na realidade eu sou 100% contra, porque eu nunca usei de artifícios como esse para me dar bem no esporte. O grande problema é que os atletas brasileiros de hoje, na sua grande maioria, não tem um perfil psicológico ideal para estar no “alto nível” competindo, porque é muito difícil. Os atletas usam desses artifícios, portanto, para tentar suprir as suas fraquezas psicológicas, pois a estabilidade psicológica é muito exigida do atleta de ponta.

 

Com quantos anos começou a correr e o que o estimulou a continuar nessa carreira sendo que no Brasil o incentivo ao esporte não é bom, lembrando que naquela época com certeza o incentivo era pior do que hoje ?
Thiago dos Anjos Lopes
Guarulhos-SP

Eu sempre gostei de esporte, mas eu iniciei sério no atletismo com 17 anos. Na realidade, o que me incentivou a correr foi a pobreza. Eu passei fome na vida. Quando eu vi no esporte a grande oportunidade de ser alguém, fiz da pobreza um instrumento pra vencer na vida. Quando eu morava na cidade de Guarulhos e ia treinar em São Paulo na pista do Ibirapuera eu descia na estação Armênia do metrô que na época era Ponte Pequena,  na volta descia na estação Carandiru e olhava os presos sentando na janela e dizia a mim mesmo que ali nunca estaria. Isso me motivava a treinar mais e mais para conquistar meus ideais.

Por mais difícil que julgamos as coisas em nossa vida, sempre irá haver situações mais difíceis que a nossa.

Para finalizar eu amo atletismo, eu amo treinar e tudo que é feito com amor fica mais fácil para gente superar.

Em qualquer esporte, a quebra de um recorde depende além do treinamento físico do treinamento psicológico. Qual a melhor fórmula para o treinamento psicológico?
Flávio Andrade Moreira
São Paulo-SP

Olha pra ser sincero não sei dizer a melhor forma de treinar o psicológico. Eu posso dar exemplo. Como passei fome eu fiz da pobreza um instrumento psicológico forte para poder vencer na vida. Outro exemplo é o meu movimento, sitado acima, de ver aquela situação no Carandiru e isso tudo me motivava psicologicamente a superar as minhas dificuldades.

Porém, para você se tornar um atleta de sucesso é preciso possuir três grandes características: 1-Humildade, porque a pessoa humilde nunca perde o foco em Deus. 2-Trabalho, porque somente através de muito árduo trabalho que se consegue resultado. Na minha carreira eu fiz um total de 160 mil km. Ou seja dei quatro voltas na Terra na linha do Equador. 3- É fundamental nunca deixar que ninguém ou uma situação adversa possa roubar a sua capacidade mental de pensar.

 

No começo da sua carreirra você recebeu o apoio de quem?
Carlos Magno Gonçalves da Cruz
Niterói-RJ

Eu recebi apoio da minha família, do meu técnico que levou para cidade de Araçatuba, amigos de infância. Quando iniciei no atletismo eu fui porque me deram comida, lugar pra ficar e escola. Não ganhei um tostão. Sabe sucesso e dinheiro só vem a frente de trabalho no dicionário, porque um inicia com a letra S e ou com a letra D. Na vida real tem de trabalhar muito e foi o que sempre fiz muito: trabalhar. O restante foi conseqüência.

O que de mais importante o esporte e a corrida ensinaram para sua vida?
Luciane Crippa
São Paulo-SP

Digo que para chegar à porta do sucesso você precisa de quatro grandes virtudes:

1-     Disciplina

2-     Determinação (o querer muito),

3-     Perseverança (o querer sempre)

4-     Coragem (acreditar naquilo que todos pensam ser impossível).

Todas essas coisas o esporte me ensinou e eu sou muito agradecido, a Deus e a minha Mãe, por tudo que Eles fizeram por mim, e ao esporte por me levar a onde nunca imaginei chegar.



 
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