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Flávia
A. Prado (Fruca) - corredora associada e ex-jornalista
da Corpore em Minha História
20
de dezembro de 2003. Vesti minha camiseta da Corpore
- modelo infantil – e troquei de posto. Neste
dia eu fui corredora, e não apenas a jornalista
da Corpore.
Devo
confessar que quando contei para alguns diretores da
entidade e colegas de trabalho, muitos desacreditaram
que iria participar da prova de Natal. Riram e quase
começaram uma aposta de que eu terminaria a prova
na barraca médica, sendo cuidada pelo nosso diretor
Milton Mizumoto. Isto tudo porque, vergonhosamente,
ainda não me livrei do vício adolescente
do cigarro. Quem sabe 2004 será meu ano de libertação...
A
notícia, entretanto, não se espalhou muito
e no dia da Corrida Pão de Açúcar
de Natal o número de peito preso em minha camiseta
de criança provocou mais olhares descrentes.
Mas não me deixei abalar, e convenci o Beto –
um dos mais antigos funcionários da Corpore –
a participar comigo.
Eram
apenas 6km, e essa distância eu já havia
percorrido diversas vezes. Sempre pratiquei esportes,
dancei ballet, jazz e sapateado durante anos. Sempre
com acompanhamento da minha querida fisioterapeuta,
que sempre cuidou de mim como uma filha! E foi acreditando
nas minhas pernas que parti para o fundão da
largada. Alongamento e aquecimento feitos, eu e Roberto
conversávamos, esperando o sinal da largada.
Demoramos
para cruzar a largada efetivamente. Quando passamos
senti uma animação diferente, e empolgada,
comecei a trotar ao cruzar rostos conhecidos vendo seus
sorrisos.
Seguimos
em frente, e fomos ultrapassados por muita gente. Me
deu uma certa vergonha até porque sabia que se
tivesse meus pulmões mais levinhos eu poderia
conceder os pedidos do Beto e ir mais rápido.
Ele, que corre freqüentemente no Ibirapuera, ficou
ao meu lado, me dando força.
Mal
tínhamos completado 2km e já pedi para
diminuirmos um pouco o ritmo. A conversa estava boa
e víamos aquela multidão colorida adiante,
contornando as alamedas do parque num zigue-zague incrível.
Eram tantas pessoas, e todas sorrindo. Foi a primeira
vez que vi ao vivo uma corrida sob aquele ângulo.
Isto realmente me fez pensar como é estranho
que ainda existe tanta resistência da grande imprensa
e de algumas grandes empresas em participar, colaborar,
apoiar e divulgar estes tão grandiosos eventos
de corrida.
Água
no terceiro quilometro! Que benção gelada!
A sede era grande apesar do horário da prova
ser mais tranqüilo – 19h – e a chuva
ter dado o ar de sua graça durante aquela tarde,
tornando o clima mais fresco. Continuamos trotando e
caminhando por todo o percurso. Mas o mais importante
era estar fazendo parte da festa, e não o tempo
com que iríamos terminar o trajeto. Quando cruzamos
a marca dos 4km, o Beto lançou a proposta –
correríamos os dois últimos quilômetros
– “Vai Fruca, sem preguiça!”
ele me disse. E lá fomos nós.
Na
parte do percurso que sai do Parque Ibirapuera e passa
pela Av. Pedro Álvares Cabral, começamos
a ouvir uma voz num megafone, tentando animar as poucas
pessoas que ainda corriam. Chegando perto, pudemos ver
que era o Vice Presidente da Corpore – Dr. Octávio
Aronis. Ele, que não sabia que nós estávamos
participando, quase caiu pra trás! “Olha
quem vem lá - é a nossa jornalista acompanhada
do Beto! Não acredito! Ela também corre!”.
Além de rir aos montes, me senti mais animada
para continuar. Pela primeira vez reconheci que essa
história do Dr. Octávio ficar estimulando
os corredores realmente funciona.
Ao
entrar de novo no parque já víamos diversos
corredores indo embora, com suas medalhas e camisetas
em mãos. Mas para nós ainda faltava o
último quilometro. Passamos por diversas equipes
já reunidas após terminarem o percurso
e também pelos Dr. Paulo Barone, Dr. Sérgio
Dias Reis - Medical Bikers, que naquele dia estavam
sem suas bikes, circulando pelo percurso a pé.
Eles também não perderam a chance de manifestar
a surpresa de nos ver ali participando da prova.
Quando
avistei a linha de chegada me senti o máximo!
Dancei, pulei e de mãos dadas com meu amigo Beto
cruzamos o pórtico.
Não
parei de correr. Tive que “sair correndo”
em direção a barraca de apoio, ao lado
do palco, para cobrir a premiação dos
ranqueados de 2003. Sim. Chegamos em cima da hora, 56
minutos após a largada. Sei que este tempo não
e lá de se inspirar muito orgulho, mas me senti
feliz de ter feito parte da festa.
Aquele
foi meu último evento como jornalista da Corpore.
Passo meu posto ao Marcel Trinta, um querido amigo de
faculdade que certamente dará continuidade no
aprimoramento do website, sempre cuidando para que a
informação mais precisa seja passada a
toda a comunidade de corredores. Espero que o bichinho
da corrida também o infecte com o amor pelo esporte,
como fez comigo. E espero que a corrida de rua, a saúde
e a cidadania nunca
deixem de ser o foco daqueles que tem desenvolvido tão
lindo trabalho na Corpore.
Gostaria
de deixar um beijo e obrigado especiais para a Dani,
Fla, Jaque, Beto, Renatinho, Vivian, Jó, Victor,
Armando, Alfredo, Mizu, David, Octavio, Rodolfo, Edgard,
Jorginho, Helinho, Marilucia, Yves, Mario, Arruda e
tantos caras que me ajudaram a crescer muito nos 15
primeiros meses de Corpore de minha vida!
Saudades...
Flavia
A Prado – A Fruca!
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