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Diabético que faz ginástica gasta menos

9/4/2012, por Corpore
Diabético que faz ginástica gasta menos com remédios
 
Fonte: Jornal da Tarde, 7 de abril de 2012  
 
MARIANA LENHARO
 
A dona de casa Maria Alice Bolognani Bravo, de 68 anos, só começou a praticar exercícios há seis anos, quando recebeu o diagnóstico de diabete do tipo 2, a mais comum, que afeta 10% do País – mais de 12 milhões de pessoas. Mas os benefícios da ginástica não se restringem à saúde quando esses pacientes abandonam o sedentarismo: o impacto é positivo também no bolso. Diabéticos ativos gastam menos com consultas e remédios, garante um novo estudo científico da Universidade Estadual Paulista (UNESP).
 
A pesquisa, publicada na última edição do periódico científico Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia, indica que o gasto com remédios específicos para diabete do tipo 2 foi 23% superior entre os que não praticavam exercícios na comparação com os pacientes fisicamente ativos. Já o custo com remédios para outras doenças mais do que dobrou entre os sedentários: a diferença foi de 128% em relação ao outro grupo. Além disso, os sedentários gastaram 63% mais em consultas com clínico geral.
 
São considerados ativos adultos que praticam 150 minutos semanais de exercícios, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Para o estudo da UNESP, foram analisados dados de 121 diabéticos do tipo 2 atendidos em duas UBS da cidade de Bauru, no interior. Após responderem questionários sobre o tipo de atividade que desempenhavam em situações de lazer, trabalho e esportes, eles foram classificados em grupos – sedentários, moderadamente ativos e ativos. O custo individual do tratamento da diabete foi calculado pela avaliação dos serviços da unidade usados nos 12 meses anteriores à data da pesquisa. Foram levados em conta os seguintes custos: remédios, exames laboratoriais e número de consultas.
“Essa pesquisa veio em uma boa hora para mostrar que, mesmo que a pessoa já tenha desenvolvido a diabete, ela vai ser beneficiada se assumir uma nova postura em relação aos exercícios”, afirma o médico Balduíno Tschiedel, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Para ele, o exercício é um dos pilares do tratamento da diabete porque, além de retardar a progressão da doença, melhora outros aspectos da saúde, como os níveis de colesterol e triglicérides, a hipertensão e a obesidade.
 
O ideal, segundo o médico Sérgio Atala Dib, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Regional São Paulo, é que se comece a praticar exercícios antes do diagnóstico de diabete. “O exercício e a manutenção do peso dentro da faixa ideal são os únicos mecanismos para prevenir diabete em indivíduos de alto risco, que têm casos da doença na família.”
 
Na diabete do tipo 2, o corpo ainda produz uma quantidade de insulina, mas a célula cria uma resistência a esse hormônio. “O exercício vai diminuir essa resistência, melhorando o processamento da glicose pelo organismo”, explica o educador físico Emerson Bisan, especializado em exercícios para diabéticos e voluntário da Associação de Diabetes Juvenil (ADJ).
 
No caso de Maria Alice, o impacto dos exercícios físicos são sentidos instantaneamente. “Quando vou fazer minha ginástica e faço a medida de glicemia antes e depois, vejo uma diferença de até 100 pontos”, diz a dona de casa. Apesar de ter vivido de maneira sedentária até os 62 anos, ela conta que a prática de exercícios, hoje em dia, não é nenhum sacrifício. “Para mim é muito prazeroso. Faço com vontade, mesmo, porque a gente sente o resultado na hora.”
Maria Alice participa de um programa de exercícios voltado especialmente para idosos e acredita que isso seja um diferencial importante para ter motivação, já que não se submeteria a uma academia convencional. E comemora os resultados. “No próximo retorno ao médico, a quantidade de remédios para o controle da diabete e do colesterol deve mesmo diminuir”, anima-se.
 
  • Foram analisados dados de 121 diabéticos do tipo 2, pacientes de duas UBS da cidade de Bauru
  • Eles foram classificados em sedentários, moderadamente ativos e ativos
  • O custo individual do tratamento da diabete foi calculado segundo os serviços da UBS usados pelos pacientes nos 12 meses anteriores à pesquisa
  • O custo em consultas com clínico entre os sedentários foi 63% superior em relação aos ativos
  • O custo com remédios para tratar diabete, 23% superior
  • O custo com remédios para outras doenças 128% superior.
Eles preferem tomar remédio

Nem sempre é fácil convencer o diabético dos benefícios dos exercícios. “A gente fala em todas as consultas, mas a adesão é pequena. Eles preferem tomar mais medicamentos a fazer exercícios”, conta o medido Sérgio Atala Dib, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Regional São Paulo.

O administrador de empresas aposentado Sérgio Metzger, de 67 anos, costuma levar broncas da família por não aderir a uma atividade física. Um dos diretores da Associação de Diabetes Juvenil (ADJ), ele descobriu ter diabete do tipo 2 há cinco anos. “Para quem é da minha idade, é muito mais difícil. A vida inteira tive um hábito e, de repente, tem de mudar. Com 67 anos, acho meio ridículo entrar em uma academia e fazer exercícios de alto impacto.”

Ele observa que os idosos, geralmente, não gostam de fazer exercícios sozinhos. “O que motivaria era formar um grupo para dançar, o que já é uma atividade física”, diz. Para Metzger, o desafio é descobrir atividades prazerosas para os diabéticos mais velhos.

Analista em tecnologia da informação, Paulo de Tarso Furtado Machado, de 28 anos, encontrou uma solução prática para conciliar a prática de exercícios com um cotidiano atribulado: ele vai e volta todos os dias do trabalho, pedalando. Quando diagnosticado com diabete do tipo 1, aos 16 anos, não fazia nenhum exercício. “Já ouvia dos médicos que a prática de atividade física era importante. Hoje esses benefícios são visíveis.”

Machado conta que, só com atividade física, conseguiu diminuir pela metade a quantidade de insulina usada antes das refeições. “Mas tem de ter regularidade. Não adianta ser atleta de fim de semana”, lembra.


Ver também: Não adianta malhar só no fim de semana


 
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