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A busca pelo índice perfeito ou mais adequado?

30/05/2012, por Dr. Milton Mizumoto

O IMC (Índice de Massa Corpórea) é o mais tradicional e conhecido índice para avaliação da composição corporal de forma rápida e simples, embora sujeita a várias críticas, pois não define precisamente a quantidade de massa gorda (tecido adiposo) e de massa magra (músculos, ossos e vísceras).
 
O novo índice proposto pela médica Dra. Margaret Ashwell, da Universidade Oxford Brookes, parece dar maior importância à medida da cintura dividida pela altura do que o IMC do indivíduo; visto que a Organização Mundial da Saúde e a Federação Internacional de Diabetes também utilizam a medida da cintura abdominal como referência para definir a Síndrome Metabólica (obesidade com alterações metabólicas clínicas e laboratoriais).
 
Atualmente na prática clínica o "padrão ouro" é o DEXA (Dual-Energy X-ray Absortiometry) ou Densitometria de Composição Corporal. A vantagem do DEXA encontra-se no fato de não depender da altura, da cintura ou do peso, pois ele é a média estatística populacional de cada faixa etária, da proporcionalidade entre massa magra e massa gorda.
 
Contudo, há que se tomar certos cuidados na interpretação do DEXA visto ser uma média populacional. Note que os valores obtidos são de pessoas que estão vivas.

Quando observamos o gráfico para as mulheres, notamos que a partir dos 70 anos os valores de referência para normalidade inclinam a curva para baixo, o que não quer dizer que ao envelhecer as mulheres se tornarão mais magras, e sim que as magras é que sobreviveram após os 70 anos.

















Já nos homens, outro fenômeno ocorre. A partir dos 50 anos há uma ligeira queda no gráfico, demonstrando que alguns dos mais gordos faleceram a partir desta idade, sobrando como amostra populacional apenas os mais magros. Aos 85 anos há novamente uma deflexão do gráfico para cima, demonstrando agora, não uma maior quantidade de gordura, mas sim a sarcopenia do idoso com perda de massa muscular, favorecendo a proporcionalidade de gordura em relação a massa magra.


















Os gráficos abaixo correlacionam os valores do DEXA com os valores do IMC e da C/H (cintura / altura) de 342 homens e de 621 mulheres, levantamento de 5 anos em clínica de Nutrologia e Medicina do Esporte.
 Note que quando colocamos os valores do DEXA em ordem crescente como referência, o IMC e a C/H não apresentam uma correlação paralela com o DEXA, tanto para os homens como para as mulheres. Contudo, há uma correlação paralela com o IMC e a C/H.


Homens: note que os valores do DEXA correlacionam-se menos com o IMC e a C/H, contudo o IMC e a C/H mantêm uma correlação de paralelismo. Os valores do DEXA são inferiores ao das mulheres 



Mulheres: note que os valores do DEXA correlacionam-se menos com o IMC e a C/H, contudo nas mulheres o IMC e a C/H mantêm uma menor correlação de paralelismo em relação aos homens.










Como medida de índice populacional, os três índices são satisfatórios. Entretanto, quando queremos avaliar individualmente, o DEXA informa o percentual de gordura de acordo com a faixa etária e também a localização de maior percentual de gordura individual. 








Note que este atleta de Ironman apresenta IMC de 21,3 Kg/m², contudo a densitometria mostra que ele possui apenas 5,6% de gordura, o que dificulta a natação pela pouca flutuabilidade.





































 










Note que esta paciente possui um IMC de 25,9 Kg/m², estando na faixa acima do peso. Entretanto, possui 49,2% de gordura corporal: na região ginóide, 55,3%; e nas pernas, 58,1%. Ou seja, um percentual de gordura maior em relação ao percentual de musculatura (provável sedentarismo).








Portanto, o IMC e a C/H como índice populacional são úteis por sua praticidade. Entretanto, como cada atleta ou paciente deverá ser tratado de forma individualizada, o DEXA reflete melhor a individualidade e a região específica da localização do tecido gorduroso, direcionando melhor o diagnóstico e a conduta médica terapêutica de cada caso.
 
Dr. Milton Mizumoto
Médico do Esporte e Nutrólogo
Diretor Médico da Corpore Brasil
 
 


 
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