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Regina
Miranda - corredora associada em Minha História
Na
realidade comecei a treinar por influência de
alguns amigos e com a orientação do Profº
Nuno Cobra.
No início eram trotes bem lentos
para não sobrecarregar as articulações...Com
isso aprendi a correr por prazer.
Cheguei
a correr a Meia Maratona do Rio de Janeiro, mas logo
em seguida, engravidei. Confesso que durante a gravidez
apenas diminuí o ritmo. Na última semana
de gestação, estava em casa e tudo já
estava pronto. Estávamos apenas na expectativa
do nascimento da Sofia.
Como
eu tinha muito tempo livre, ligava a esteira em posição
inclinada e caminhava rapidamente por até 02
horas. Emagreci 1,5 kg nesta última semana. O
parto foi normal e exatamente 12 dias após o
parto eu já estava com o meu peso normal.
A
Sofia nasceu grande e gorda, era um bebê aparentemente
saudável... Alguns dias depois, seus olhos e
pele foram ficando amarelados - "icterícia".
Consultamos alguns médicos e todos diziam ser
normal, quando então um deles resolveu investigar
melhor e nos indicou uma especialista em hepatologia
infantil: Dra. Gilda Porta que imediatamente nos deu
o diagnóstico: "Atresia de Vias Biliares".
No caso da Sofia os canais biliares não haviam
se formado e, conseqüentemente, o fígado
não tinha como drenar as toxinas para o intestino.
Marcamos a 1ª cirurgia para a mesma
semana, mas já sabíamos que esta cirurgia
tinha apenas 20% de probabilidade de sucesso. Fizemos
muitas orações, mas infelizmente nós
não estávamos entre os 20% de contemplados...
Teríamos de submetê-la a um "Transplante
de Fígado".
Meu
mundo desabou naquele momento...Eu sequer conhecia um
ser humano que tivesse realizado um transplante...Era
algo tão distante da minha realidade! A Sofia,
então, foi incluída na fila de receptores
de órgãos do Estado de São Paulo,
onde esperaria por um fígado de doador cadáver...
A fila de espera por um fígado
pode demorar cerca de 03 anos. A minha tranqüilidade
era saber que "eu" era uma possível
doadora, pois reunia todas as condições
necessárias.
Com muitas dificuldades e limitações aprendemos
a conviver com este problema e esperar pacientemente
pelo novo órgão... Foram dias muito difíceis...Mas
a atividade física sempre me ajudou a controlar
a ansiedade! Treinava apenas para me distrair...
Manter
um certo ritmo e condicionamento físico sempre
foram prioridades em minha vida...Por conta disso, tenho
o mesmo peso - 61 kg - desde os meus 15 anos.
Certo dia, a Sofia acordou vomitando
sangue...Eu sabia que este dia seria decisivo. Ela foi
devidamente medicada, quando então recebemos
a seguinte orientação: É hora de
realizarmos o transplante... Na semana seguinte realizei
todos os exames e 15 dias depois nos internamos no Hospital
Sírio Libanês, onde eu doaria 1/3 do meu
fígado para a minha filha.
A cirurgia demorou cerca de 12 horas
e tudo correu muito bem! No dia seguinte, a Sofia já
receberia alta da UTI.
Eu fiquei internada apenas 03 dias e
a Sofia uma semana.
No
começo eu andava com dificuldades, pois as dores
abdominais eram intensas e indescritíveis. A
nossa recuperação foi muito rápida
e exatamente 40 dias depois, eu já estava correndo
novamente.
Hoje,
graças a Deus e aos médicos, temos uma
vida normal.
Regina Miranda - 34 anos - mãe da Sofia
3 anos e 6 meses.
Parecer
do médico responsável:
Dr.
Paulo Chapchap é Doutor pela FMUSP (Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo),
cirurgião pediátrico, especialista
em transplante hepático. Atua como chefe
do departamento de Transplante Hepático
do Hospital do Câncer - AC Camargo e do
Hospital Sírio Libanês, é
editor associado da Revista "Liver Transplantation"
Segundo
o Dr. Paulo Chapchap:
Apesar
de tratar-se de uma cirurgia de alta complexidade,
onde parte do fígado da doadora foi retirado,
a recuperação é relativamente
simples. No caso da Regina que já tinha
um histórico de bom condicionamento físico
e boa alimentação, a recuperação
é ainda mais rápida. A alta três
dias depois da cirurgia é um recorde para
este procedimento e, sem dúvida, o estado
de saúde e a reserva orgânica proporcionados
pela atividade esportiva regular contribuíram
para o resultado. O fígado é
um órgão que se regenera facilmente,
possibilitando a ambas - doadora e receptora -
condição de vida normal e aptas
à prática de qualquer modalidade
esportiva.
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