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Entrevista - José Antônio Martins- presidente da Federação Paulista de Atletismo

22/07/2004, por Marcel Trinta
Mario Rollo e José Antônio

José Antônio Martins Fernandes sempre esteve ligado aos esportes. Já foi jogador profissional de futebol, mas ainda na faculdade resolver mudar para os escritórios e cuidar da parte administrativa. Em uma conversa na sede da Corpore, José Antônio, presidente da Federação Paulista de Atletismo desde 2000, fala sobre corridas, a federação, ajuda ao esporte e um partido político que será formado apenas por esportistas. Leia e saiba mais.

Como foi seu início no atletismo?
Sempre pratiquei esportes. Fui jogador de futebol, já pratiquei basquete, vôlei... Sempre tive contato com gente boa no esporte e na faculdade acabei ficando mais com o pessoal envolvido com o atletismo. Era um grupo forte, com bons atletas e acabei passando para essa área.

 

Quando você resolveu trabalhar com administração esportiva?
Apesar de ter sempre praticado esportes, como profissional sempre fui para o lado administrativo. Tive o lado de atleta, mas larguei e fui para o lado de administrador esportivo mesmo. Fiz pós na própria FIG (Faculdades Integradas de Guarulhos), depois fiz Fefisa e Administração Esportiva na GV. Desde 84, 86 me dedico somente à administração.

Desde quando está na federação?
Comecei na federação em 1990 como vice-presidente. Em 2000, o Sérgio (Luís Coutinho, ex-presidente) saiu, tornei-me presidente e estou completando o 1º ciclo de administração.

Além da federação, você se envolve com outros projetos. Como andam?
Agora montamos um sindicato dos Profissionais de Educação Física e sou presidente. Além disso, estamos organizando o Partido do Esporte. Já entramos em contato com Joaquim Cruz, Robson Caetano. O vice-presidente é o Marcel, ex-jogador de basquete. O Eder Jofre também está com a gente.

Qual a importância da criação desses sindicatos e, principalmente, de um Partido apenas com esportistas?
O esporte é uma coisa que converge. Não tínhamos uma união pra discussão do esporte. Estamos criando esses mecanismos. Agora com o sindicato já reunimos uma parcela. É única forma estrutural de fazer parte da sociedade legal. Com o partido podemos reunir todas federações, sindicatos e assim o esporte terá a sua forma de representação. Hoje tudo é política, daí a importância de um partido. É preciso se organizar. Estamos criando essa forma de representação para negociar, para fazer as coisas e contando com gente que conhece o esporte. A nossa principal filosofia é ter gente que conhece o esporte conosco.

Você acredita que essa representação poderá trazer melhorias com maior rapidez e mais impacto?
Só se pode reivindicar seus direitos desde que tenha um grupo de pessoas, de entidades, que possam reivindicar junto às autoridades. Se você se constituir em uma autoridade então é possível reivindicar em uma autoridade maior. Isso faz parte do processo de legislação. É preciso se organizar para criar condições de que essas reivindicações possam ser feitas.

Qual a primeira reivindicação a ser feita?
Por legislação, federações e clubes não têm como receber nenhum tipo de verba oficial. Existe a Lei Agnelo Piva que pega dinheiro das loterias, passa para o Ministério dos Esportes, que repassa para o COB e este para as Confederações. O dinheiro pára aí e não chega até federações e clubes. Temos que sobreviver de patrocínio, que é muito instável. Estamos lutando e se unindo através dos sindicatos que pegou a problemática dos bingos e a intenção é conseguir que parte do dinheiro dos bingos possa ser repassado para essas agremiações.

Deixando a política um pouco de lado e falando sobre esportes. Como você vê esse crescimento dos praticantes de corridas de rua?
O crescimento envolve uma preocupação com a saúde da população. Hoje as pessoas vão ao mercado procurando alimentos diet, todos procuram um esporte para praticar. Você vai ao médico e ele manda comer menos e se exercitar mais, não é remédio nem nada. Isso motiva a pessoa a se exercitar e ela começa a caminhar perto de casa mesmo e passa a correr. Isso tem crescido principalmente nos últimos 5 anos, principalmente pela maior preocupação e conscientização com a saúde.

Você acredita que esses números ainda vão crescer?
Se comprarmos com outros países, estamos engatinhando. A tendência é crescer. Estamos mapeando todas as provas para poder ter dados mais precisos. Assim poderemos comparar anualmente e ver o crescimento da modalidade. Daqui uns 2, 3 anos teremos esses dados bem precisos e poderemos quantificar esse crescimento com exatidão.

Quantas provas temos hoje em São Paulo?
Temos cerca de 180 provas em todo estado. Dessas, entre 60 e 75 serão oficiais até o próximo ano.

O que uma prova precisa para ser oficial?
Existe um grande rigor para as provas de nível estadual e nacional. Alguns dos pré-requisito são os postos de água, pessoas para auxiliar distribuídas por pontos específicos da prova, fiscalização e arbitragem da federação, chips. Esse ano estamos criando a categoria de provas aspirantes 1, 2 e 3. Nelas faremos uma fiscalização para que elas atinjam o nível das provas oficiais.

Atualmente vemos esse crescimento de interesse em participação nas provas, mas percebemos que eventos que reúnem 10mil participantes ocupam pouco espaço na mídia. Por que isso acontece?
Acho que faltam profissionais que não sejam focados apenas no futebol. Jornalistas internacionais são mais focados e aqui não chegamos nesse estágio, aqui é só futebol. Se um jogador sai de campo com dor de barriga dão um grande enfoque. Corridas grandiosas não têm tanto espaço assim. Isso vem melhorando, mas ainda tem muito que melhorar. Os jornais deveriam divulgar mais, mandar fotógrafos e assim, além do público tradicional, haverá maior compra do jornal pelo público da modalidade.



 
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