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Vivendo e Aprendendo

03/09/2015, por Darci Garçon

Artigo produzido pelo corredor Darci Garçon, associado da Corpore, sócio do Clube Paineiras do Morumby, elaborado para a Revista do Paineiras.

Vivendo e aprendendo

 

Sou um disciplinado praticante de corrida há 20 anos. Tenho 450 medalhas de participação em corridas, 40 delas trazidas do Exterior. Comecei a correr aos 55 anos, depois de uma avaliação de condicionamento físico, em novembro de 1993, realizada aqui mesmo no Paineiras. Nessa ocasião, fui aconselhado pelo professor Mário Mello a deixar o sedentarismo pois estava com o colesterol alto e pesava 10 quilos a mais do que hoje.

 

Há 15 anos faço musculação no nosso fitness, também disciplinadamente, para fortalecimento dos músculos e dos ossos, para que eles resistam os efeitos da passagem dos anos. Jogo tênis há mais de 30 anos.

 

Apesar de todo esse histórico esportivo, só agora fiz uma descoberta para mim surpreendente, lendo um livro chamado  O gorila invisível*. Com certeza, pelo que vejo no dia a dia,  muitas outras pessoas  também se surpreenderiam com o que os autores desse livro falam a respeito de um dos nossos mais importantes atributos chamado capacidade cognitiva.

 

Pesquisa rápida na internet nos informa que capacidade cognitiva é a forma como o nosso cérebro recebe, aprende, recorda e pensa sobre todas as informações que captamos por meio dos cinco sentidos. É comum, muito comum, que  quando as pessoas  chegam à senioridade, talvez já a partir dos 45 anos de idade,   comecem a ter problemas cognitivos, isto é, começam a ter problemas de atenção, menor rapidez no processamento das idéias e, o mais comum,  embaraços ligados à memória. Por exemplo, esquecer onde colocou os óculos, o relógio, o celular, outros objetos, assuntos, datas,  nomes, tomar remédio  e aí vai...

 

Percebendo esses inconvenientes, as pessoas procuram recursos que as ajudem a  manter ou melhorar a capacidade mental  e o fazem  por meio  de exercícios para o cérebro. E os mais comuns desses exercícios são as palavras cruzadas, o  Sudoko e, nos últimos tempos,  videogames.

 

Aqui, então, começam as novidades. Os autores de  O gorila invisível, apoiados em pesquisas realizadas nos EUA pelo neurocientista Arthur Kramer,  mostram que esse não é o melhor caminho para retardar a demência e manter a mente aguçada, pois o seu impacto sobre a capacidade cognitiva inexiste. Sendo assim, entendo que despender energia com palavras cruzadas e Sudoko passa a ser apenas um entretenimento ou uma forma proveitosa de preencher o tempo ocioso.

 

Por outro lado, daí minha surpresa, as pesquisas mencionadas mostram que os exercícios aeróbicos (caminhar, correr, nadar, pedalar, dançar), quando praticados continuadamente,  são muito melhores porque usam o oxigênio no processo de energização  dos músculos, diminuem o risco de doenças cardiovasculares e melhoram  a expectativa e a qualidade de vida. E mostram, também, que a prática rotineira desses esportes  tem  impacto efetivo sobre  a capacidade cognitiva das pessoas deixando o cérebro mais saudável e rejuvenescido.   A Revista Brasileira de Psiquiatria**, editada em junho de 2009, apresenta resultados de várias pesquisas mostrando que os exercícios aeróbicos fazem  bem até para idosos portadores de Alzheimer.

 

Por sua vez, os exercícios anaeróbicos, como alongamento e musculação,  ainda de acordo com a pesquisa de Kramer, atuam diretamente sobre os músculos e são eficazes para evitar a perda de massa muscular,  mas não contribuem  para evitar o declínio cognitivo.

 

É muito importante  registrar que, segundo essas pesquisas, os exercícios aeróbicos não precisam ser exaustivos nem é necessário ser um triatleta fanático. Basta caminhar pelo menos 3 vezes por semana, apressadamente, durante meia hora, ou mais,  para se obter um cérebro mais saudável e, como complemento,  algum condicionamento físico. Ou seja, basta dar algumas voltinhas  em torno do quarteirão do seu bairro, ou ir lá embaixo, no campo de futebol ou mesmo numa das esteiras da nossa privilegiada academia, com um par de tênis adequado, que  isso proporcionará benefícios à sua saúde física e mental.

 

Como dizem os autores do livro O gorila invisível,  se você dedicar o seu tempo aos quebra cabeças você  melhorará o seu desempenho neles mas eles não o   ajudarão a melhorar  a sua  saúde nem aumentar a longevidade.

 

Finalizando, cabe fazer uma perguntinha chata: diante desse quadro, não seria conveniente deixar a zona de conforto e partir para o "sacrifício"?

 

*O gorila invisível. Crhistopher Chabris e Daniel Simons. Editora Rocco.

** Atividade física sistematizada e desempenho cognitivo em idosos com demência de Alzheimer: uma revisão sistemática. Link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462009000200014&lang=pt

 

 

 



 
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