Siga a Corpore
A Corpore LinksContato
 

Corridas crescem e atingem publicações não especializadas

30/09/2004, por Marcel Trinta

Constantemente em nosso site temos chamado a atenção dos visitantes para o crescimento e procura cada vez maior pela pratica das corridas de rua.

Para quem acompanha o dia-a-dia e os números dos eventos e participantes esse crescimento é muito claro. Nossas publicações, sejam através de gráficos ou dados estatísticos consistentes, têm como objetivo alinhar as pessoas e chamar a atenção das empresas para esse mercado em expansão.

Prova disso são outras publicações (não especializadas) que estão cada vez mais dando espaço e falando desse “fenômeno”.

Recentemente, a Revista da Folha, do dia 19/09, dedicou um espaço bastante generoso ao mundo das corridas. Foram vários depoimentos e entre eles encontramos o diretor de Comunicação Alfredo Donadio, além dos dados sempre precisos de Edgard dos Santos, nosso secretário geral.

Confira agora a matéria publicada na edição 638 da revista.

Papa-léguas
[por Estanislau de Freitas]

 
A apresentadora Sabrina Parlatore, 29, há três anos viciada em corrida

Virou mania: neste ano, São Paulo já realizou mais corridas do que na soma dos três anos anteriores e o número só cresce

Diz o clichê que São Paulo gosta de correria -e parece que é pura verdade. Nos nove meses deste ano, a FPA (Federação Paulista de Atletismo) já atuou em mais corridas no Estado de São Paulo do que nos três anos anteriores somados. Foram 80 eventos contra 11 em 2001, 17 em 2002 e 34 em 2003.

A explosão, iniciada lentamente nos anos 90, é confirmada por organizadores de corridas, treinadores, federação de atletismo, gente ligada ao marketing esportivo, médicos e corredores.

Não é só o número de eventos que cresce, mas o de corredores. A corrida do Centro Histórico de São Paulo reuniu 700 participantes na primeira edição em 1996, e chegou aos 6.500 neste ano. A Corpore, uma ONG que organiza treinos e corridas, tinha em 1992, cerca de 200 cadastrados e hoje registra 75 mil corredores de ruas e parques.

Obviamente, a atividade virou também um grande negócio. Só em inscrições, segundo a FPA, esse mercado vai movimentar R$ 7 milhões neste ano no Estado. Dados da Corpore apontam que cada evento dá trabalho a aproximadamente mil pessoas, entre socorristas, médicos, bloqueios, pessoal da medição, inscrições, organização, arbitragem, montagem de kits, placas, palcos, grades e barracas.

Fora o pessoal de marketing e comunicação das empresas patrocinadoras, o de apoio das empresas participantes e os empregos indiretos, explica Alfredo Donadio, 53, diretor de comunicação da Corpore, corredor há mais de 20 anos, com pelo menos 20 maratonas no currículo.

O investimento dos grandes fabricantes de material esportivo e o aumento dos personal trainners, um fenômeno dos anos 90, também puseram os sedentários para correr. "A nova mentalidade desses profissionais, de que correr não é só chegar nos primeiros lugares, mas superar suas próprias marcas, ajudou muito. Academias montaram grupos, empresas, condomínios", afirma Donadio.

Há dois anos foi criada a ATC (Associação dos Treinadores de Corrida de São Paulo), com 85 professores de educação física associados e registrados no Conselho Regional de Educação Física.

"É uma prática barata e acessível, um meio de melhorar a qualidade de vida e ainda facilita a sociabilidade", comenta o presidente da ATC, Cláudio Roberto de Castilho, 35, também um corredor, que há duas semanas disputou a meia maratona de Buenos Aires. "E você não muda só a forma física. Mudam o comportamento, a cabeça, o estilo de vida, os objetivos, os amigos", afirma Donadio.

Corrida corporativa Além do incentivo pessoal, a prática de correr também tem ajudado na melhoria do ambiente de trabalho. Tanto que a Corpore criou até um ranking corporativo para suas corridas. Funcionários das empresas literalmente vestem a camisa e seus desempenhos somam pontos no ranking corporativo, do qual participam BankBoston, Bovespa, Itaú, Laboratórios Fleury, Pão de Açúcar, entre outras.

"O funcionário ganha auto-estima, valorização e estímulo. Há mais integração dentro da empresa, mais produtividade e queda nas faltas", diz Eliane Abreu, 41, analista da gerência de Recursos Humanos da Empresa Municipal de Urbanização, que tem 20 "atletas" no ranking.

Como qualquer atividade que incentiva o convívio, nos treinos, nas corridas e no encontro diário nos parques acontecem também amizades, paqueras, paixões e até casamentos, como o do treinador da Competition Ricardo Yamaoka, 41, com a empresária Mônica Yamaoka, 41.

"Entrei na academia odiando tudo. Queria ir embora dali na mesma hora", revela Mônica. "O primeiro ano foi um inferno. Pagava a mensalidade de teimosa, mais faltava do que ia", conta. "Mas tomei certa disciplina no segundo ano e me fez bem. Sentia falta quando não ia."

Quando começou a correr, Mônica foi treinar com Ricardo. "Fomos ficando amigos, nos apaixonamos", conta o marido. Casados há dois anos, eles conseguem juntar as agendas de corrida na calçada central da avenida Sumaré, às quintas, e nas ruas da USP, aos sábados.

Quem também vive de agenda lotada, mas se confessa uma viciada nos exercícios é a apresentadora e modelo Sabrina Parlatore, 29. "Eu tinha uma faringite crônica que nunca mais voltou desde que passei a me exercitar com regularidade. Corro há três anos e sempre me preocupei em fazer direito o exercício, morro de medo de problemas de joelho ou coluna no futuro. É quase uma obsessão."

Com certeza, Sabrina não supera Lau Yuen Tang. Aos 81 anos, ele corre 10 km todos os dias. Bicampeão da São Silvestre 2002/2003, Tang disputa na categoria 70-79 anos, porque para a idade dele nem existe mais faixa. O chinês naturalizado corre diariamente no Ibirapuera.

O hábito já dura 41 anos. Lau ainda faz musculação no Laboratório de Estudos do Movimento do Hospital das Clínicas. "Para ter joelho forte quando ficar velho", brinca o chinês, que não tem doença cardiorrespiratória, músculo-esquelética ou endócrina e apresenta níveis normais de insulina, glicose, colesterol e pressão arterial. "Não me lembro da última vez que fiquei doente."

Devagar com o andor Que a prática de correr beneficia todo o organismo (veja quadro na pág. 21), é inegável, mas, antes de virar um Papa-léguas, é preciso tomar alguns cuidados. "Todo mundo fala, mas não é demais repetir: nunca comece sem orientação e sem avaliação de um médico", alerta Paulo Roberto Santos Silva, 39, fisiologista do exercício no Laboratório de Estudos do Movimento do Hospital das Clínicas.

Em 1984, o corredor norte-americano James Fixx morreu de ataque cardíaco aos 52 anos, enquanto corria numa estrada. Fixx ajudou a disseminar a prática de correr nos anos 70 e escreveu um dos maiores best-sellers de não-ficção de todos os tempos: "O Guia Completo de Corrida", lançado em 1977.

Cerca de um ano antes de sua morte, em Dallas, durante uma visita à Clínica Cooper -do professor Kenneth Cooper, que ainda está vivo e em atividade e cujo sobrenome virou sinônimo de corrida-, Fixx se recusou a fazer um teste de esforço, apesar dos níveis elevados de colesterol. A autópsia revelou entupimento nas três principais artérias coronárias.

A princípio, com acompanhamento, qualquer pessoa pode correr, mesmo quem tem coração transplantado ou pontes de safena. Mas Silva, do HC, faz uma ressalva para quem sofre de doença de Chagas. "Não é aconselhável porque a doença provoca arritmias sérias do coração."

O treinador Yamaoka lembra que também os obesos não devem começar a malhação pela corrida. "É um peso excessivo sobretudo para os joelhos. O obeso deve fazer exercício orientado, mas seria melhor começar com baixo impacto, uma hidroginástica por exemplo", explica.

Durante o treino ou a corrida competitiva, qual o sinal amarelo que alerta que o corredor deve parar? "A dor e a ofegância", concordam Yamaoka e Silva. "Nenhum exercício deve doer. Se dói, a pessoa está fazendo errado ou o corpo fatigou, portanto é bom não exagerar", diz Silva. "Muitos dizem: 'dói o joelho ou as costas, mas só um pouquinho'. E continuam. Você vai sentir os efeitos desse 'pouquinho' anos mais tarde", afirma Yamaoka.

A ofegância ocorre pelo aumento de uma substância que deveria ser metabolizada nos músculos durante a respiração, o lactato, mas como o corredor está chegando a seu limite aeróbico, passa a acumular lactato e tenta então respirar mais e mais pela boca para aumentar a quantidade de oxigênio. O jeito é parar.

"Não parar imediatamente, de modo abrupto. Ir reduzindo o ritmo até caminhar e parar", explica o fisiologista. Aos poucos os níveis voltam ao normal.

Para saber o limiar aeróbico, é necessário fazer um exame ergoespirométrico, aquele da corrida na esteira com máscara de respiração. As academias fazem e os planos de saúde cobrem. Mas uma consulta a um clínico geral ou a um cardiologista, mesmo na rede pública, já é um bom começo. Também é recomendável um eletrocardiograma.

Outro alerta importante dos profissionais é não correr de barriga vazia. Faça um lanche leve, com suco, fatia de pão e queijo e fruta ou iogurte antes de correr. E água. Muita água. É necessário tomar dois copos antes e depois e, coisa que os iniciantes talvez não saibam, se hidratar também durante o treino. No máximo de meia em meia hora. "É bom beber antes de sentir sede", aconselha Yamaoka.

Para quem corre nas ruas, os principais alertas são usar roupas brilhantes, claras e reflexivas e manter a atenção com olhos e ouvidos; apesar de tentador, não usar fones. Em seu boletim interno, a FPA ainda alerta: nunca corra em Atenas.

fonte: Revista da Folha



 
Últimas notícias
Maratona de Nagoya
Centro Histórico 2019
Meia Maratona 2019
Análise genética potencializa resultados de dietas e ati ...
Livro do Murakami
Treinamento Mental
Certificado AIMS Meia Maratona
Pesquisa dor nos ombros
Sedentarismo no Brasil
Global Running Day
Meia Maratona 2018
 
Por: Marcel Trinta

2002-2023 Corpore. Todos os direitos reservados. Política de privacidade
Orgulhosamente desenvolvido pela FTECH