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Entrevista - Luiz Fernando Bernardi (Find Yourself)

28/10/2004, por Marcel Trinta

É muito comum presenciarmos uma corrida de rua e no pódio encontrarmos atletas com uma camiseta verde que logo percebemos ser da Find Yourself. Para os mais desavisados, essa é uma das mais vitoriosas assessorias esportivas, supervisionada por Luiz Fernando Bernardi, que também é diretor técnico da equipe.

Envolvido com atividades físicas desde a sua infância, Fernando nos conta o começo de sua carreira como treinador de corrida, como são feitos seus treinos e qual o segredo da Find. Confira entrevista completa.

Como foi seu início na vida esportiva?
Desde criança, tive uma educação voltada a prática de atividades físicas. Morava no interior de São Paulo, na cidade de São Carlos, onde na minha infância pratiquei várias modalidades esportivas nas escolinhas do clube que era sócio. Como não era um grande talento em alguma modalidade específica, acabei passando por futebol, basquete, voleibol e natação.
Esse repertório motor me ajudou a ter uma boa noção de treinamento na categoria de menores, onde a variação de gestos motores facilita num aprendizado mais específico anos mais tarde.

Já trabalhou em alguma outra área, além de corridas?
Sempre fui muito dedicado e voltado para aprender aquilo que não sabia. Como estudei na UNICAMP, desde o 1º ano de Faculdade comecei a trabalhar para ajudar minha família nos custos de minha moradia na cidade de Campinas.
Trabalhei com inúmeras coisas, trazendo uma bagagem grande de experiências que me ajudam no mercado profissional. Desde arbitragem de natação, treinamento para crianças na modalidade de voleibol e handebol, estagiário de musculação, avaliação física em academias, recreacionista de hotéis, etc.

Quando tornou-se um técnico de corrida?
Comecei a trabalhar com corrida desde 1994, onde deixei de ser um “ aluno corredor “ para me tornar um estagiário e depois professor. É interessante colocar que minha escola de treinamento se baseia nos ensinamentos de meu antigo professor e atualmente meu parceiro de profissão Marco Antonio de Oliveira - técnico consagrado no Atletismo Nacional. Com ele fui aprendendo a nortear o treinamento com planejamento, psicologia, feedback dos alunos e percebendo que resultados iriam acontecendo dentro de uma conseqüência natural de uma boa organização de treinamentos.
Hoje me vejo como um consultor de treinamento, não somente um técnico, mas uma pessoa que consegue enxergar mais longe um planejamento baseado na fisiologia do exercício, na motivação do aluno e nos objetivos a serem alcançados.

O que o estimulou a se tornar um técnico de corrida?
Sempre gostei de trabalhar com desafios e a convivência com meu antigo técnico e professor Marco Antonio me levou para essa área. Com apenas 24 anos tive a chance de, ao lado dele, trabalhar com atletas de destaque nacional, como por exemplo a campeã da São Silvestre de 1997 Roseli Machado, entre outros inúmeros atletas de ponta, muitos deles que correm até hoje.
Juntamente com esse treinamento de alto nível, tinha em mãos também planejar treinamentos para maratonas de corredores amadores, o que me dava grande prazer em conseguir fazer de uma pessoa que não vivia do esporte, conseguir atingir tal desafio com tranqüilidade e segurança.
Dessa forma a corrida foi entrando em minha vida, foi aumentando meu ciclo de amizades, fui tendo relação com amigos de profissão, fui conhecendo alunos novos que gradativamente iam incorporando a sementinha de trabalho dentro de uma filosofia de respeito ao organismo, superando gradativamente seus limites.

E como surgiu a Find Yourself?
A Find existe desde quando comecei a trabalhar com o Marco Antonio de Oliveira. Nessa época fizemos uma sociedade que durou de 1994 a 1998, tendo uma equipe que se chamava Find Yourself & TrackMarfield.
Em 1998, por rumos profissionais diferentes na fase da vida de cada um, decidimos amigavelmente nos separar e então comecei minha carreira solo como técnico.

Como foi a evolução da Find entre os atletas e obtenção de resultados?
A Find Yourself começou a implantar uma administração que visava atrair mais corredores amadores, no intuito de transmitir o conhecimento do alto rendimento para essa fatia de mercado.
Aumentando gradativamente o número de alunos, em 2000 formei novamente uma sociedade com o professor Alex Bruno que durou até julho desse ano. Decidimos nos separar e a partir de então, voltei a administrar a FIND nos moldes que julgo ser o melhor caminho para unir atletas profissionais e amadores.
Em termos de resultados, nos últimos três anos por também estar envolvido com atletas de alto rendimento, começamos a aparecer mais no cenário das corridas nacionais, marcando nosso nome como uma equipe forte e criteriosa.

Como são organizados os treinos?
Cada atleta da Find tem seu treino totalmente individualizado respeitando seus objetivos, expectativas e necessidades. Usamos os pontos de apoio como encontro de nossos alunos e relacionamento com nossos professores, mas reforçamos que o treinamento para dar certo, precisa respeitar a individualidade de cada organismo.
Trabalhando dessa forma, o começo foi difícil, pois evitávamos de pegar um grupo muito grande que não valorizasse esse tipo de filosofia de trabalho. Aos poucos fomos desenvolvendo em nossos alunos a importância de cada um respeitar sua individualidade e fomos conseguindo atrair um público que valoriza esse critério dentro de uma estrutura de treinamento.

Qual seu público alvo?
São pessoas que pretedem fazer da corrida um hobby sério, com respeito á saúde na conquista de metas. Atraímos um público heterogêneo que valoriza a troca com o professor, a união do grupo, a individualidade de seu treinamento.
Diferente do que a maioria das pessoas pensam por resultados expressivos de nossos atletas de alto rendimento em competições, trabalhamos com pessoas iniciantes, atletas amadores e atletas de elite. É justamente por trabalharmos de forma individualizada que podemos atender os extremos, do iniciante ao atleta competitivo.

A sua equipe sempre consegue colocar atletas no podium, independente da distância percorrida. Qual o segredo disso?
O segredo é você saber escolher a prova certa com a caracterísitica de seu corredor. Antes de cada prova, analiso e estudo muito os possíveis adversários, a estratégia que poderemos usar, o perfil de conduta que teremos que ter para conseguirmos obter êxito nas provas.
Sou fascinado naquilo que faço e por gostar desse clima de competitividade, acabo passando várias informações aos meus atletas que levam isso para dentro da corrida.
Fora isso, meus outros alunos envolvidos dentro do clima dessa competição formam uma grande corrente de torcida e vibração que nos ajuda muito nos momentos de superação.

Esse ano sua equipe venceu a prova de Ilhabela e de Campos. Qual a diferença de uma prova de rua e essas corridas de aventura?
A diferença entre uma prova de rua e de aventura é que essa última você tem que levar várias características intervinientes que podem ajudar ou prejudicar sua performance. O sucesso de qualquer equipe está na união de seus integrantes, no objetivo da equipe e não na vaidade ou objetivo pessoal de cada corredor.
Sabendo valorizar o espírito grupo, estudar o perfil de cada integrante para explorar o melhor potencial dele dentro da característica da prova, ter uma logística adequada, uma opção de estratégias engatilhadas e a equipe técnica juntamente com os staffs unidos dentro do mesmo contexto, faz a diferença para o sucesso.

Além desses aspectos de união, é necessário uma preparação especial com reuniões entre os integrantes, por exemplo?
Esse tipo de prova dá mais trabalho porque começa muito antes, acredito que se inicia no momento da inscrição, só acabando no dia seguinte pós prova. A equipe técnica tem que estar envolvida em todos os aspectos, tais como regulamento, pré prova, reuniões, análises, condutas, comportamento na prova, na premiação, nas entrevistas, etc ...
Tudo tem uma sincronia, e isso bem organizado, gera bons resultados ...
Quanto aos treinos para os atletas, depois que sabemos onde cada um deverá entrar, existem treinos que tentam trazer a especificidade da prova para antecedermos possíveis sensações e correções. Posso citar que os atletas que sobem Castelhanos e Pico de Itapeva se preparavam com bastante antecedência em várias ladeiras de diferentes inclinações para enfrentar o grau de dificuldade desses percursos.

Como você vê o crescimento das corridas de rua no Brasil?
Vejo com bons olhos, pois a corrida desde que bem orientada, somente pode fazer bem ao seu praticante.
Só reforço que devemos sempre respeitar o corredor, tanto as Assessorias que vem crescendo e precisam ter critérios na iniciação desses novos alunos como até as Organizações de prova junto a requisitos mínimos de segurança a pessoa que irá correr uma prova.

Você acredita que ainda estamos em uma crescente e muitas pessoas ainda vão aderir ao esporte?
A corrida está crescendo de forma exponencial, o que precisamos perceber é se o corredor está com adesão acima de 6 meses a 1 ano de prática regular dessa modalidade. Com o aumento do nùmero de corridas, qualquer um se acha capaz de correr, muitas vezes sem uma prévia preparação adequada. É importante massificarmos a corrida, mas fazermos também um papel de conscientização aos corredores para não expô-los em riscos de sua saúde, comprometendo sua adesão ao esporte.
O ideal seria espaços como esse para quem está iniciando no esporte ter acesso a profissionais que já trabalham no meio e que seguem uma metodologia de trabalho.

Quais os cuidados necessários para quem está iniciando no esporte?
Procurar um profissional de Educação Física para ministrar seu treinamento, fazer avaliações médica e física no inicio de sua preparação, ter um bom relacionamento com seu professor para almejar metas razoáveis de se buscar, dar continuidade ao treinamento, explorar aprender experiências com pessoas que já tem uma maior bagagem nesse esporte.

Qual a importância da ATC para os treinadores e para os corredores?
A ATC conseguiu unir nossa classe profissional, trabalha arduamente para o bem de todos os corredores e vem conseguindo representar todos os técnicos frente as principais necessidades das Assessorias Esportivas. A ATC luta por nosso espaço de trabalho, pelo respeito ao corredor, pela qualidade dos profissionais de nossa área, por uma democratização da corrida para todos que se iniciam nessa área.

Como você vê o trabalho da Corpore junto aos treinadores e corredores?
Vejo a CORPORE como um grande referencial de Organização de corrida, beneficiando pessoas que buscam uma corrida séria e organizada, bem como os treinadores que se asseguram de colocar seus alunos numa prova com total segurança e respeito ao corredor. Destaco na CORPORE a preocupação, a seriedade e o pronto atendimento ao corredor. Valorizo os treinos técnicos (espaço para nossa área), o ranking dos associados (motivação para nossos alunos), site interativo (espaço aberto como esse), logística adequada das provas.

Para ter mais informações, acesse o site www.findyourself.com.br



 
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