Siga a Corpore
A Corpore LinksContato
 

Entrevista - rabino Adrian Gottfried

03/11/2004, por Marcel Trinta

Nascido na Argentina, mas vivendo no Brasil há 13 anos, o rabino Adrian Gottfried sempre foi esportista, praticando as mais diversas modalidades. Hoje, apesar de praticar tênis e futebol, adotou a corrida como seu esporte principal e conta com a família participando: “Sou casado com Mariana e tenho três meninos: Yair de 13 anos, Eitan de 10 e Ionatan de 5 (os três brasileiros porém torcedores de Boca Juniors). Eles participam regularmente das provas infantis da Corpore e tem o maior orgulho do seu pai corredor. O mais velho é um excelente jogador de futebol e o pequeno após cada prova fala que a medalha é dele”.

E a paixão pelo esporte foi tanta que ele até resolveu, dentro de sua comunidade, criar a Corrida Shalom – a corrida pela Paz – que chega em 2004 a sua 4ª edição, terá parceria com a Corpore e será disputada no dia 5 de dezembro, na USP, com corrida infantil, além de uma corrida de 6K e caminhada de 3K. “A nossa corrida além de ser um hobby compartilhado também se tornou uma necessidade para o orçamento da OAT que permite que mais de 100 deficientes se transformem em aprendizes e possam ter uma inclusão social”, afirma Adrian

Poderemos, a seguir, conferir um pouco mais da história desse rabino que nunca deixou de estar envolvido com o judaísmo e o esporte.

Há apenas 13 anos você veio morar no Brasil. Como foi sua vida na Argentina?
Eu nasci em Buenos Aires e quando criança frequentava o clube a Hebraica de lá. Representava o clube em várias modalidades esportivas entre ela as equipes de futebol de salão e campo, luta livre e até water pólo. Após a adolescência, pelo embalo dos estudos judaicos e gerais e meu trabalho comunitário, parei com a atividade esportiva regular.

Desde cedo você já teve essa predisposição ao esporte, mas e quanto a vida religiosa? Quando você percebeu que se tornaria um rabino?
Aos 15,16 anos tinha bastante certeza que gostaria de fazer e a minha vocação está diretamente vinculada à figura de meu mentor e mestre, o Rabino Marshall Meyer. Ele me mostrou que era possível, como em suas próprias palavras, ‘ter uma mão na Bíblia e outra no jornal do dia’ e, através de seu carisma, eu escolhi estudar para rabino porque como sou um apaixonado pelo judaísmo queria um trabalho que poderia conciliar meus afazeres com a tradição espiritual judaica e assim poder ter os feriados judaicos para comemorar em família, como via na casa do meu rabino e diferentemente de meu pai, que era farmacêutico e tinha que dar plantão obrigatório em diferentes festas hebraicas.

Como é o processo para se tornar um rabino?
Primeiro tem que estudar numa faculdade e fazer pos-graduação e depois entrar na escola rabinica que dura de cinco a seis anos, sendo que no último os estudos são feitos em Israel, seja para conhecer a cultura de lá, seja pela especialização.

Agora que você já é um rabino, como é seu dia-a-dia?
Na verdade, a rotina de um rabino é que não tenho rotina. Uma parte do trabalho é acompanhar as famílias da minha comunidade em momentos de alegria como casamentos, nascimentos e bar e bat mitzva e também apoiar e ajudar nos momentos dolorosos quando a doença aparece e consolar nos momentos de luto. Liderar os serviços religiosos diários, semanais e dos feriados judaicos também fazem parte das minhas preocupações, além de ministrar aulas, já que a essência de ser rabino é ser um mestre que oferece oportunidades de estudo para todas as faixas etárias.

Como começou seu interesse pela corrida?
No final de 2000 estava muito gordinho e comecei a treinar no Parque do Ibirapuera após desistir de jogar tênis porque não conseguia conciliar meu trabalho com jogos nem aula. No início, corria sozinho, dependia só de mim e gostava da energia que recebia.

E quando resolveu deixar de correr sozinho para participar de provas?
Um amigo me levou para participar de uma prova da Corpore em fevereiro de 2000, 6K em no Ibirapuera e para mim foi muito especial porque quando recebi a medalha, me senti como se estivesse em Sydney (naquele ano a sede das olimpíadas) e daí para frente comecei a correr provas de 8, 10, 12k até que em outubro de 2000 me incorporei a MPR e corri esse mesmo ano a minha primeira São Silvestre.
Daí para frente, fiz meia maratona e minha primeira Maratona seria em Nova York, porém pelo atentado decidi correr a Maratona de Florianópolis em 2001, depois corri em 2002 Porto Alegre e Chicago, em 2003 Nova York e em 2004 estou treinando para Curitiba

Quanto você treina semanalmente?
De 3 a 4 vezes por semana sendo que meu treino longo é de sexta-feira porque no sábado estou na sinagoga

Como você concilia todos os seus afazeres com a corrida?
Na verdade, como a corrida pode acontecer em qualquer momento do dia, ela é parte dos malabarismos para conciliar as diferentes responsabilidades

O que o motiva a correr?
No começo, a motivação era para perder alguns quilos, mas depois se tornou um saudável vício. É um dos momentos mais importantes para mim e nesse ponto coincido com o meu treinador Marcos Paulo Reis que me fala que a Maratona é um assunto mais espiritual que físico, corre-se com o coração não com as pernas. Para mim, a corrida é um exercício altamente espiritual e um dos motivos mais fortes está numa frase que recebi após completar a minha primeira Maratona que explica que ‘o milagre não é conseguir terminar a prova, o verdadeiro milagre é ter a coragem para começar...’

Você tem idéia de quantas provas já correu?
Vou para a 5 Maratona, 15 meias e muitíssimas provas curtas

Qual a prova marcou sua memória, a mais especial?
A minha primeira Maratona em Floripa, quando vi meus filhos e a minha mulher foi um momento especial.

Já conseguiu "converter" alguém para a corrida?
Eu tenho inúmeros exemplos desde pessoas de minha comunidade que começaram a treinar para participar melhor de nossa Corrida Shalom, a corrida pela paz, e acabaram se tornando maratonistas, até aqueles que ao ver o rabino correr, decidiram começar a frequentar minha sinagoga porque gostaram que o líder espiritual desse o exemplo. Na nossa prova nós distribuímos uma reza em hebraico que, na tradição Judaica, podemos rezar antes de uma grande prova, como uma Maratona. O texto fala 'Baruch atah Adonai Eloheinu melech haolam hanoten laiaef coach', que significa 'Bendito sejas Tu, Eterno nosso Deus, Rei do Universo, que dás vigor ao cansado'. Várias vezes no parque Ibirapuera fui parado por muitos corredores que me falaram que ao encontrar o “muro” a benção judaica os ajudou a superar o obstáculo.

A corrida Shalom tem como uma das finalidades angariar fundos para a OAT. Quais outros projetos sociais vocês têm em andamento?
O rabino hoje tem que se preocupar com angariar recursos para os trabalhos filantrópicos de nossa comunidade, já que que só funcionam através de donativos. Além da OAT ainda temos na oportunidade de vagas no mundo do trabalho nossa audioteca, que ajuda a deficiente visuais, e com nosso grupo de healing, que busca promover o Healing pessoal e comunitário, contribuindo para a reconexão da pessoa com seus recursos espirituais visitando a doentes, enlutados ou pessoas que necessitem de apoio entre outros.

Tem algum conselho para quem está começando no esporte?
Tem que começar devagar, um passo de cada vez.



 
Últimas notícias
Maratona de Nagoya
Centro Histórico 2019
Meia Maratona 2019
Análise genética potencializa resultados de dietas e ati ...
Livro do Murakami
Treinamento Mental
Certificado AIMS Meia Maratona
Pesquisa dor nos ombros
Sedentarismo no Brasil
Global Running Day
Meia Maratona 2018
 
Por: Marcel Trinta

2002-2023 Corpore. Todos os direitos reservados. Política de privacidade
Orgulhosamente desenvolvido pela FTECH