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Paulo
de Moraes Junior - corredor associado em Minha História
São
Silvestre 80 anos
Ao
longo de seus 80 anos, a história da mais tradicional
prova pedestre do mundo foi escrita por inúmeros
heróis, nacionais e internacionais. Milhares
de atletas anônimos tornam ainda mais bonita esta
festa. Vindos de diversas regiões do país
e do mundo, cada um tem um motivo ou uma história
para justificar sua presença. Eu sou um deles,
o atleta número 1103, e esta é minha história:
Aconteceu
na chuvosa noite de 31 de dezembro de 1950, na 26ª
edição da Corrida de São Silvestre.
Glaudy era uma jovem de 16 anos, filha de imigrantes
portugueses moradores desde 1926 na Rua Rodolfo Miranda.
Esta humilde família já tinha o hábito
de acompanhar a tradicional corrida todos os finais
de ano, pois esta rua era uma travessa da Avenida Tiradentes
que fazia parte do percurso das antigas edições
desta prova. Glaudy pediu autorização
a sua mãe, Dona Elisa, para assistir a chegada
da prova, que naquele ano seria na Avenida Cásper
Líbero, sede do jornal “A Gazeta Esportiva”.
Ela consentiu desde que um adulto a acompanhasse. Foi
com uma amiga da família. Enquanto isso, um grupo
de rapazes moradores da Rua Urbanao Duarte, Casa Verde,
combinavam de comemorar o Ano Novo assistindo a corrida.
Entre eles estava Paulo de Moraes, de 17 anos, natural
de Ourinhos.
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O
público vibrou com o duelo entre o belga Lucien
Theys e o finlandês Vaino Koskela. Nos últimos
metros, na Avenida Ipiranga, o belga, num sprint espetacular,
ultrapassou o adversário chegando apenas um segundo
a frente do atleta da Finlândia. Também
ali, na Avenida Ipiranga, estava Glaudy, protegida por
seu guarda-chuva. A mesma chuva que molhava o jovem
Paulo, procurando um abrigo para se proteger. Foi então
que avistou a bela moça. Nem se importou mais
com a chuva, mas a usou como pretexto para se aproximar
de Glaudy. Muito tímida, ficou meio sem graça,
sem saber o que conversar com o moço. Marcaram
um encontro para o dia seguinte, na Praça José
Roberto, hoje Praça Armênia. Glaudy tinha
desistido, era muito jovem e achava que o moço
nem iria ao encontro. Mas como era quase na esquina
de sua rua, resolveu passar um pouco antes do horário
marcado, apenas para dar uma volta e decidir se esperava
ou não o rapaz. Paulo também saiu mais
cedo de casa e pegou o bonde que ia da Casa Verde para
o Centro. Viu a moça na Avenida Tiradantes e
saltou do bonde. Não era exatamente nem o horário
nem o local marcado, mas o destino assim quis que se
reencontrassem. Casaram-se em 8 de novembro de 1952.
Para completar a história deste casal paulistano,
a primeira filha Maria Luiza, nasceu em 25 de janeiro
de 1954, quarto centenário da cidade de São
Paulo, quando então Paulo trabalhava como vigia
no parque do Ibirapuera.
Tiveram
quatro filhos e vivem felizes até hoje, na mesma
Rua Rodolfo Miranda. E eu, o terceiro filho do casal,
todos os anos corro a São Silvestre, para homenagear
a minha família.
Nota:
Sou associado 197-6 da Corpore, e posso dizer que graças
a sua excelente organização e dedicação
aos corredores de rua, muitas provas tradicionais seguiram
o seu exemplo e melhoraram o nível dando maior
atenção aos atletas amadores.
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