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Edson
Fernando Mariano
Sempre
fui uma pessoa que gostou de esportes. Praticante de
capoeira e futebol, mantinha-me em movimento satisfatório
que fazia com que meu corpo até os 33 anos ficasse
sempre em forma. Mas aí começaram a aparecer
os problemas. O maior deles, sem dúvida, era
a balança. Tentei de todas as formas manter um
equilíbrio, mas os regimes não adiantavam,
pois passei a sofrer o “efeito sanfona”.
Depois
de uma contusão no joelho tudo ficou mais difícil
e o desânimo foi se estabelecendo. Até
que como golpe final, um câncer se manifestou
no final de 2003 e depois de 2 cirurgias e muita fé,
driblamos a doença mas aí já com
110 quilos, peso este que inviabilizaria qualquer prática
esportiva de impacto, uma vez que meu joelho já
sofria pela contusão.
Na
Páscoa de 2004, resolvi virar o jogo e com o
incentivo de pessoas de muito mais idade que eu (tenho
37 anos), vendo-as correndo em uma prova de rua na minha
cidade, Indaiatuba, resolvi que queria aquilo pra mim.
Comecei
com caminhadas todos os dias, fizesse sol, chuva ou
frio e diminui de forma gradativa a ingestão
de calorias. Resultado: após 2 meses já
havia perdido 8 quilos e sem tomar nenhum tipo de medicamento.
Foi
quando comecei a correr. Parecia que iria morrer pelo
esforço, mas a cada dia que passava conseguia
ir mais longe, até que consegui correr os 7 K
do Parque da cidade. Cheguei a pegar temperaturas de
até 4 graus, que faziam com que até os
mamilos sangrassem pelo atrito da camisa. Foi quando
resolvi que era a hora de botar meu treinamento a prova
e fui para SP participar da Corrida Centro Histórico
Bovespa, minha primeira corrida. Fui sozinho e sozinho
corri.
No
trajeto da prova ia me lembrando da doença, do
peso, da fome que passei para emagrecer, dos dias em
que peguei chuva, frio, que meus mamilos sangravam,
das ironias de pessoas que me desestimulavam e tudo
mais... E continuei.
Ao
chegar próximo ao corredor da linha de chegada,
ouvindo o locutor, as pessoas incentivando e aquela
música “carruagens de fogo” me senti
no túnel do tempo e ao invés de acelerar
para ganhar alguns segundos, reduzi o passo para que
aquele momento se estendesse o máximo possível,
pois a sensação de prazer de ter lutado
contra mim mesmo era de um prazer indescritível,
que com palavras é impossível descrever,
mas as pessoas que tiveram experiências semelhantes
a minha, sabem o que digo.
Passei
a linha bem devagar num choro compulsivo e as lágrimas
desciam de forma a lavar minha alma com a satisfação
do dever cumprido. Ali entendi o que é ser esportista.
Parabéns a mim e obrigado a Deus por ter sido
meu guia e treinador. Guardo minha medalha cm orgulho
e a mostro a todos que aqui aparecem.
Um
abraço a todos e muita fé em Deus e em
si próprio. Nós podemos!!!!!!!!!!!!!!!!
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