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Minha História - Silvia Geruza F. Rodrigues

16/03/2005, por Corpore

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Exclusivo para Associados Corpore

Silvia Geruza F. Rodrigues

Fiz balé clássico quase minha vida inteira, até os 25 anos de idade. Balé clássico requer muita leveza, ritmo, coordenação e expressão corporal, é algo que dá postura e principalmente leveza no caminhar. Casei aos 24 anos e meu marido não quis mais que eu participasse de apresentações, o que fazia todo fim de ano. Acabei me desinteressando pelo balé e entrei na aeróbica, ginástica, hidroginástica, natação, tudo para não parar de exercitar, porém ele sempre gostou de correr e vivia dizendo que queria tanto uma mulher corredora. Isso não me animava, pois achava a corrida algo muito agressivo.

Todos os anos ia torcer por ele na São Silvestre, levar gatorade no meio do caminho e torcer por ele na maratona de Nova Iorque. Até que um desses anos, vi passar por mim o senador Eduardo Suplicy, a quem sempre admirei por suas posturas políticas. Então pensei comigo mesmo: "Se ele está conseguindo, eu um dia conseguirei", e coloquei na minha cabeça que iria correr a São Silvestre do ano seguinte.

Falei isso para meu marido que riu de mim juntamente com alguns de seus amigos de corrida. Esse sorriso zombeteiro foi tudo que precisava para me desafiar. Comecei em Maio a treinar escondido com um amigo meu, no parque Ibirapuera. Comecei correndo 500 metros e andando 500 metros, que dificuldade!

Após uma semana comecei correndo um km e andando um km, e passava assim de semana a semana aumentando minha kilometragem. Lembro que um dia correndo sozinha na pista de cooper de 1.500 mts dentro do Ibirapuera, havia completado meus únicos 3 kms que conseguia naquele tempo, e meu amigo passando entrou na pista e me puxou por mais 1.500 metros, terminara com a lingua de fora os 4.500 mts. Mal pude acreditar.

Comecei então a treinar na pista de fora que somavam 3 kms, e um dia tentei seis kms, outro dia tentei 9kms, até que enfim, um mês antes da S. Silvestre consegui correr 12 kms. Vitória! Contei então para meu marido que iria correr a São Silvestre e que havia treinado escondido dele. Para surpresa dele, dia 31 de Dezembro, lá estava eu com um tênis, shorts, camiseta, pronta para a famosa São Silvestre.

Isso foi em 2002. Corri aquela corrida com um dia muito quente, juntamente com os homens. Ao avistar a Brigadeiro Luis Antonio, já totalmente estafada, deu-me vontade de sentar e chorar. Quanto mais olhava para cima e via as cabecinhas já na Av. Paulista eu pensei: "Vou sentar e chorar." Eu dizia para meu amigo que corria comigo para me dar uma força: "Pode ir Henrique, eu não vou conseguir." Ele falou: "Se você sentar eu lhe puxo nem que seja pelos cabelos. Você está vendo aquela Japonesa ali? Ela começou bem depois de você e está na sua frente." Ele conhecia meu espírito competitivo e sabia bem onde me pegar. Quando pensei naquela mulher que havia (ele havia mentido para mim) começado depois de mim e que passara na minha frente, criei todas as forças interiores e exteriores que me restavam, coloquei motor nos pés, e deixei a japonesa comendo poeira, e muito....

Terminei a prova em 1,48 minutos (uma hora e quarenta e oito minutos). Que vitória.

No janeiro seguinte me inscrevi no grupo de corrida Race, e em Dezembro corri a São Silvestre, dessa vez ajudando uma amiga, em 1h44 min. Fora outras inúmeras corridas durante o ano de 10 kms, 12 kms. Em abril de 2004 corri minha primeira maratona em Paris: 5:13hs. Continuei treinando para a maratona de Nova Iorque. Uma prova muito mais difícil do que a de Paris, com muitas subidas e trechos difíceis: consegui bater meu próprio recorde: 4:48 minutos.

Quando penso em mim mesma esbaforida sem conseguir subir aquela Brigadeiro Luis Antonio, com vontade de sentar e chorar, e agora meu treino normal é de 12 kms quase que diariamente me alegra saber como a disciplina e constância são importantes em nossa vida.

De manequim 42 passei a usar 38. Minhas pernas estão duras, minha barriga completamente desaparecida, sinto-me como uma adolescente todas as vezes que participo das competições, e participo quase de todas da Corpore. Em 2003 me tornei associada da Corpore e curto correr. Traz saúde, eleva sua auto-estima e lhe dá uma sensação de vitória todas as vezes que se cruza uma linha de chegada.

Hoje,com meus 51 anos posso dizer: Sou uma corredora feliz, e a agressividade que a corrida era para mim, por causa da impressão causada pelo balé, hoje desapareceu dando lugar a uma sensação de ser uma vencedora sempre, apesar das colocações.

Obrigada Corpore por existir. Obrigada Henrique pelo incentivo e ajuda. Obrigada Ricardo Arapi, meu treinador, pela paciência comigo.

Um beijo a todos os corredores. Avante, porque o melhor ainda está por vir.

Silvia Geruza F. Rodrigues

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