Siga a Corpore
A Corpore LinksContato
 

Minha História - Nelson Evêncio

25/7/2003, por Flávia de Almeida Prado

Voltar para Menu das Histórias de Corredor
*Texto de no máximo 4 mil caracteres [ou duas (02) páginas]
**máximo cinco (05) Imagens em JPEG - resolução 150 DPIS
OS TEXTOS SERÃO REVISADOS E EDITADOS SEGUNDO CRITÉRIOS DE REDAÇÃO CORPORE.ORG.BR
Exclusivo para Associados Corpore

Nelson Evêncio - Corredor Associado Corpore em Minha História

Meia maratona: venci o desafio!

Ano passado, treinei muito pra correr a meia maratona do Rio de Janeiro. Fiz um projeto especial para atingir o ápice de minha forma física no período. Utilizei toda a minha experiência de técnico e muito mais de 100 provas completadas, mas perdi para o calor: tive uma hipoglicemia (falta de açúcar no sangue), fui obrigado abandonar a prova e ser socorrido faltando somente 97 metros. Corri um risco para quebrar meu recorde. Se tivesse corrido mais fraco, provavelmente não teria acontecido nada disso, mas enfim, aconteceu.

Após o ocorrido, fiz um eletrocardiograma e um teste de esteira no CEMAFE (laboratório de fisiologia) onde obtive um resultado muito bom, comprovando que não era nenhum tipo de problema de saúde e nem falta de treino. Depois fiz algumas provas curtas muito boas, sem nenhum medo, mas neste período acabei tendo alguns problemas pessoais que me levaram ao estresse físico e mental bem no finalzinho do ano. Não conseguia mais correr com vontade e nem trabalhar como antes. Era hora de tirar umas férias urgentes, pois por algum período andei abatido, e minha tão forte motivação estava meio abalada.

Passei duas semanas descansando, pensando na vida e refazendo os planos na bela cidade de Santos. Retornei para São Paulo, consultei uma médica que corre, Dra. Paula Gama, fiz um check-up no laboratório de uma aluna minha - Lid Laboratório -; e após os resultados, finalmente, voltei a treinar.

Havia estabelecido como meta do ano correr os 10km abaixo de 38 minutos e o grande desafio de correr a meia maratona abaixo de quatro minutos por quilômetro, muito mais forte que o tempo que pretendia fazer na meia do Rio. Comecei a treinar com a maior vontade do mundo, fazer musculação e trabalhar como uma máquina.

Com apenas um mês de treino, fui para a minha primeira prova do ano, os 10km da Lua em Campinas onde, após correr com muita vontade e motivação, cruzei a linha de chegada abaixo de 38 minutos (37m55s) alcançando um objetivo que era para o final do ano. Estabeleci meu recorde pessoal e, de quebra, obtive o índice para largar na Elite B da meia maratona. Deus havia renovado minhas forças!

Sabia que precisaria treinar muito, mas a vantagem é que tudo dependeria somente de mim, pois, como técnico, eu mesmo faria meu treino e treinaria sem depender de nada neste mundo, só pedia a Deus todos os dias que me desse saúde e disposição e confesso que nunca tive tanta em toda a minha vida, pois treinar voltou a ser um enorme prazer e saía para correr com chuva, com sol, com frio ou calor, na maior alegria!

Fazia os treinos mais longos aos sábados e domingos à tarde, quando muitos se divertiam. Nestes momentos, repensava minha vida toda, minhas estratégias e meus grandes projetos. Corria, corria e sempre imaginava aquele relógio de chegada marcando o tempo que pretendia!

Comecei a acordar às 4:30 da manhã uma vez por semana para treinar, pois além de tudo, tinha que conciliar o treino com o trabalho. Dormia o mais cedo possível e quando dava, mais uma hora após o almoço. Cuidava da alimentação, da saúde e do corpo como se fosse um atleta profissional. Muitas vezes treinava forte, sentia muitas dores e vontade de parar, mas quando terminava o treino, sentava no chão e começava a rir sozinho, me sentindo forte como o Super Homem e dizia para mim mesmo: eu vou correr a meia maratona abaixo de quatro minutos por quilômetro!

Fiz uma prova de 12km correndo junto com a 1ª colocada (Maria de Fátima da equipe Run Fun), por quase todo o percurso e depois, corri a Volta a Ilha em Floripa.

Finalmente, após quatro meses de muito treino, chegou o grande dia. A Meia Maratona da Corpore largava às 7h da manhã com 20ºC, ao contrário da Meia Maratona do Rio que larga à 9:30h com mais de 30ºC!

Um problema pouco antes da largada tirou-me totalmente do sério. Não tive tempo de concentrar-me e aquecer direito, algo que considero importantíssimo antes de uma grande prova. Saí meio forte e achando que o resultado estaria comprometido, mas quem me conhece bem é testemunha que não costumo desistir de nada neste mundo, sou persistente ao extremo e não gosto de desperdiçar uma oportunidade por nada.

Seguia alguns grupos que corriam no ritmo que eu queria e quando o ritmo caia, eu os ultrapassava e procurava outro grupo. Sofria para manter aquele ritmo, mas não diminuía, pois sabia que seria fatal e que aquela era a oportunidade de minha vida.

Quando faltavam somente 6097metros, sabia que, se conseguisse correr mantendo o ritmo, chegaria a minha tão esperada meta.

No quilômetro 16 comecei a sentir o ritmo forte e o cansaço veio pesado. Por dois quilômetros corri bem acima do previsto e começou a bater o desespero. Naquele momento comecei a lembrar os motivos que me levaram a correr aquela prova, aqueles treinos onde queria parar, mas não parava, sentia dores, mas continuava, achava que não terminaria, mas terminava. É lógico que não colocaria minha saúde em risco, pois não sou nenhum atleta profissional, mas havia chegado o momento da superação, de trocar o prazer pela dor, e, do milagre do treino bem feito e da força interior falar mais alto!

Completei o 19º km e só faltavam mais dois. O tempo estava no limite. As pernas pesavam e já não conseguia pensar mais em nada, somente em chegar. Com o maior esforço do mundo fiz o 20º km em 3m59s. Fui para o último muito cansado.

A vontade de diminuir o ritmo era muito grande, mas sabia que ali não poderia, pois chegaria alguns segundos acima da meta estabelecida, jogaria todo o projeto fora e com certeza ficaria vários e vários dias sem dormir de tanta raiva!

Faltando apenas uns 600 metros, um amigo avisou-me que havia uma subida e não acreditei: queria matar quem tinha inventando aquele percurso! Passei em frente onde estava a torcida, fui aplaudido e gritei: vou chegar abaixo de 4m/km! Subi a ladeira como nunca, mas ainda havia mais um pouco pela frente. Dei um sprint, mas ainda assim não vi a faixa de chegada. Sabia que tinha que chegar abaixo de 1h24m23, mas não tinha nenhuma certeza se conseguiria. Com muito esforço, queimando minhas últimas reservas finalmente vi a faixa e cruzei a linha de chegada . O relógio marcava 1h24m21s e eu não acreditava, pois havia corrido somente dois segundos mais rápido que minha meta e caso tivesse dado uma diminuída em algum ponto da prova, não conseguiria!

Finalmente pude levantar as mãos para cima, agradecer a Deus, vibrar bastante e depois de muito treino, um prova bem difícil, quatro meses com esta frase na cabeça todos os dias, eu pude dizer: “eu corri a meia maratona abaixo de 4m/km!”.

Contato


Associado Corpore: Gostou da história que acabou de ler? Pois então colabore com esta coluna. Divida suas histórias com outros corredores. Para isso, nos envie seu texto* e imagens** para [email protected] e aguarde a publicação aqui no site! Participe





 
Últimas notícias
Análise genética potencializa resultados de dietas e ati ...
Livro do Murakami
Treinamento Mental
Certificado AIMS Meia Maratona
Pesquisa dor nos ombros
Sedentarismo no Brasil
Global Running Day
Meia Maratona 2018
Centro Histórico 2018
Calendario de Eventos AIMS
Calendário AIMS
 
Por: Flávia de Almeida Prado

2002-2019 Corpore. Todos os direitos reservados. Política de privacidade
Orgulhosamente desenvolvido pela FTECH