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Corredores Urbanos - Janeiro 2010


Nessa matéria publicada na Revista Época, a repórter Ana Paula Alfano fala sobre os riscos de correr na rua e dá dicas de locais de treinamento.

Corredores urbanos

Paulistanos driblam a vida sedentária da metrópole treinando em parques e avenidas. Mas tome alguns cuidados antes de meter o pé na rua

Por: Ana Paula Alfano

Até dois anos atrás, a gerente aduaneira Raquel Papp, 36 anos, não tinha energia para quase nada: perdia o fôlego ao subir alguns lances de escada e estava 25 quilos acima de seu peso atual. Decidida a mudar, começou a caminhar. A atividade logo virou corrida e, este ano, Raquel completou sua primeira meia-maratona, um percurso de 21 quilômetros. "Acordo às 5h50 três vezes por semana para treinar no Ibirapuera", diz. Raquel passou a fazer parte de um grupo cada vez maior, o dos paulistanos que correm. Os números impressionam: há dez anos, a Corpore, associação de corredores em São Paulo, tinha 16 mil associados. Hoje são quase 258 mil. Em 2009, foram realizadas mais de cem provas de rua oficiais na cidade, com cerca de 1500 quilômetros percorridos no total. Em uma delas, a Samsung São Paulo Classic, realizada à beira do Parque Ibirapuera no dia 23 de novembro, eram 12 mil corredores inscritos.

E onde todo esse exército pratica o esporte? Segundo a Associação de Treinadores de Corrida de Rua de São Paulo, que hoje tem cerca de 214 profissionais cadastrados, a Cidade Universitária é o local de maior concentração de corredores na capital. "Há 120 assessorias esportivas no campus da USP aos sábados", dia Nelson Evêncio, presidente da ATC. "Já durante a semana, o parque mais frequentado é o Ibirapuera, com 80 treinadores e suas equipes". Além desses, vários pequenos parques da cidade viram pistas para os atletas urbanos.

Muita gente, porém, corre em ruas e avenidas, como a Sumaré e a Braz Leme. Os especialistas, em geral torcem o nariz para essas opções. Para eles, os parques são os mais indicados para treinos. "O cenário é mais agradável, menos estressante. Neles não há sinais vermelhos de trânsito que obriguem o corredor a interromper a corrida", diz Cláudio Castilho, coordenador de atletismo do Clube Pinheiros. O treinador lembra que variar o terreno também ajuda na performance. Portanto, é bom escolher uma pista que alterne terra e esfalto, plano e subida. "Pisos muito duros aumentam o impacto sobre a articulação. O cimento e o concreto das calçadas são ruins. A terra e até mesmo o asfalto são mais maleáveis e mais indicados.". No Parque Villa-Lobos, por exemplo, alguns preferem correr na ciclovia, que é asfaltada, a usar a pista para atletismo, pavimentada com concreto duro.

Muitos corredores preferem mesmo treinar na rua, sobretudo pela praticidade de ter uma pista na porta de casa. Nesse caso, existem alguns cuidados extras. "Fuja dos horários de picos do trânsito, quando o ar fica mais poluído, e fique sempre atento à segurança", alerta Nelson Evêncio, presidente da ATC. "Para diminuir os riscos de atropelamento, corra no sentido contrário ao fluxo dos carros. Evite ruas muito escuras, para não ser assaltado ou simplesmente não torcer o pé. E use sempre algum tipo de identificação.". Segundo Evêncio, grandes avenidas não são lugares muito indicados para treinos, mas ruim mesmo é não correr. "Se alguém acha mais fácil ficar por perto de casa que ir a um parque, é melhor isso que continuar sedentário."

CORRA ALI PERTINHO > Centro: Parque da Aclimação - R. Muniz de Souza, 1119, Aclimação, das 6h às 20h. > Zona Leste: Parque do Carmo - Av. Afonso de Sampaio e Sousa, 951, Itaquera, das 5h30 às 18h > Parque Ecológico do Tietê - Rod. Ayrton Senna, km 17, Cangaíba, das 8h às 17h > Zona Norte: Parque Anhanguera - Av. Fortunata Tadiello Natucci, 1000, Perus, das 6h às 18h > Zona Oeste: Parque Villa-Lobos - Av. Prof. Fonseca Rodrigues 1655, Alto de Pinheiros, das 7h às 18h > Parque do Povo - Av. Henrique Chamma, s/n, Itaim Bibi, das 7h às 22h > Cidade Universitária - Av. Alvarenga, esq. com Av. Afrânio Peixoto, Butantã, das 5h30 às 20h > Zona Sul: Parque Ibirapuera - Av. Pedro Álvares Cabral, s/n, Vila Mariana, das 5h às 0h > Parque Burle Marx - R. Dona Helena Pereira de Moraes, 200, Morumbi, das 7h às 19h.

METAS AJUDAM NA EVOLUÇÃO DO TREINO

Após três meses, um caminhante pode correr até 5 quilômetros em 30 minutos.

Correr é bom, mas é fundamental respeitar seu próprio ritmo e não sair correndo direto. "O corpo precisa de um tempo para se acostumar ao estímulo da corrida", diz Mario Sergio Andrade Silva, diretor técnico da assessoria Run & Fun e autor do recém lançado Corra - Guia Completo de corrida, treino e qualidade de vida (171 págs., Editora Academia). "O corredor acha que, como tem fôlego, pode forçar mais e mais. Aumentam aí as chances de lesão muscular. Tem de ser um passo de cada vez".

Você se cansa até subindo uma escada? Comece caminhando ou andando rapidamente. Não estabeleça metas inatingíveis para não desmotivar.

Trace seus objetivos. Se começar andando, treine para conseguir correr cinco minutos. Já corre cinco? Mire nos dez e aumente aos poucos.

Com treinador e uma planilha personalizada, após três meses um caminhante pode correr cerca de 5Km em 30 minutos, crê Silva. "Mas isso é muito individual."

 

 



 
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