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Minha História - Alessandro Forel M. Ferreira

17/03/2006, por Corpore
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Exclusivo para Associados Corpore

Alessandro Forel M. Ferreira

Essa história começa no início de 2005. Pesava 108 Kg, me alimentava extremamente mal, não fazia nenhum exercício físico e tomava medicamento para a pressão desde 2001. Estava me sentindo velho, sem ânimo e sem perspectiva de melhoria em relação à minha saúde.

Em 24 de março de 2005, quando fiz 30 anos, resolvi dar um basta nesta situação. Conversei com minha esposa, fui na endocrinologista e em uma clínica especializada em emagrecimento e, com muito sacrifício - devido a horários rígidos para alimentar-me, comida regrada e balanceada e 40 minutos de caminhada todos os dias - Perdi 25Kg em menos de 3 meses, e sem passar fome!!!

Apesar dos inconvenientes, como perder todas as minhas roupas (vestia calça tamanho 50 e passei a vestir 42!) e ter que ouvir diversas pessoas perguntando se eu estava doente, fiquei extremamente feliz por ter voltado ao peso que tinha há 15 anos. Só que fiquei com uma aparência esquelética, visto que emagreci sem ganho muscular.

Eis que em meados de junho, conversando com meu amigo Flavio Yamakawa, ele me sugeriu começar a correr. Falei que não achava legal, porque não via a menor graça em "ficar correndo por aí". Preferia pedalar em um parque, fazer natação, essas coisas.
Ele me sugeriu conversar com o Leonardo Duarte, outro amigo comum, o qual iria correr sua 1ª corrida no final de semana seguinte e que deixasse ele me dizer o que achou. Na segunda-feira seguinte o Léo veio mostrando a medalha e a camiseta e falando que tinha sido ótimo. Fiquei curioso, e como não tinha começado a treinar nada, resolvi encarar.

Entrei na academia, comecei a fazer musculação e a correr na esteira. Foi um desastre!!! Apesar do meu período preliminar de caminhadas diárias, corri por 1 minuto e já estava "lambendo o chão". Fui persistente e em menos de uma semana já conseguia correr "fantásticos" 3 minutos!!!!!!!!!!

Mesmo com esse resultado "insatisfatório" (que aos poucos fui sabendo que era perfeitamente normal) resolvi arrumar uma encrenca de verdade: me inscrevi nos 6,2K de SBC em 07/08. Como sabia que fisicamente não estava lá essas coisas, tornou-se meu objetivo maior conseguir terminar a prova, pelo menos sem ser socorrido pelo carro do resgate.

Foram quase 30 dias de treinos diários (os quais ao final do período já conseguia correr 20min na esteira!), continuei me alimentando com cautela e lendo e conversando com pessoas para saber tudo o que podia sobre corridas e condicionamento físico.

Eis que chega o grande dia! O sol ameno de inverno e aquela agitação típica dos dias de corrida. Até então tudo era novidade! Minha esposa foi com minha sogra e meus dois filhos para ajudar a motivar-me. Aliás, o apoio da minha família foi fundamental para eu ter conseguido.

Mas foi difícil e, hoje, vejo que fiz várias coisas erradas, como por exemplo, saí num ritmo puxado (o que me fez cansar antes do 4º Km) e me hidratei de maneira errada. Tanto que acabei caminhando em alguns trechos. Mas finalmente cheguei!! Passei quase que o dia todo com a medalha no bolso e a camiseta da corrida. Foi um momento especial.

Por ironia do destino, no dia seguinte da corrida fui surpreendido com a notícia de que seria desligado da empresa que trabalhava. Inicialmente fiquei meio atordoado, mas pus na cabeça que eu era um vencedor e que iria superar essa situação nos mesmos 30 dias em que superei o desafio da corrida.

E assim aconteceu! Continuei treinando, participei da corrida de Duque de Caxias (minha 1ª prova de 10K) e, mesmo caminhando alguns trechos também, cheguei e continuei me sentindo um vencedor. Não tenho dúvida de que essa atitude positiva refletiu em outros pontos da minha vida me ajudou a encontrar recolocação em 30 dias exatos, como havia planejado!

Iniciando na empresa nova, logo nas primeiras semanas conheci pessoas que também corriam. E nessa fase acabei por ganhar uma grande amiga, a Maíra Marques, que além de me dar várias dicas de melhoria de performance e de bem estar na corrida, me acompanhou (e acompanha!) em treinos semanais no Ibirapuera e em todas as corridas que viriam.

A partir daí, participei também da prova dos 10K da Nike (a primeira que fiz 100% do percurso correndo) e Samsung Classic (a qual também consegui correr todo o percurso e ainda melhorei meu tempo em 3 minutos!). Nesta hora ví que poderia encarar a São Silvestre....

Na minha concepção inicial, imaginei que só conseguiria correr provas de mais de 10K no meio de 2006, porém, depois de todos esses resultados, eu me sentia capaz de encarar uma prova maior. Dito e feito! Por incentivo da Maíra me inscrevi na São Silvestre e na Gonzaguinha, ambas de 15K. Fiquei cabreiro, mas no final tudo deu certo!

Durante todo o mês de dezembro treinei um pouco mais de musculação para fortalecer o joelho, aumentei a carga de treino de pista de 2 para 3 vezes por semana, pelo menos, e fui regulando a alimentação.

Terminei a Gozaguinha super bem, apesar de um pouco de dor no joelho, mas não desisti nem por um minuto, e ainda "dei um gás" no último KM.

Eis que chega 31/12/2005. É o grande dia. Uma multidão de pessoas com faixas e cartazes se aglomeravam em frente a largada. Olhando o frequencímetro, eu estava com 160 bpm PARADO (!!!), certamente devido a emoção de estar ali. A largada é marcada por uma alegria indescritível e a corrida, enfim, começa.

Foram longos 15Km. A prova em si não era fácil. Pensei em desistir diversas vezes, mas não queria me deixar derrotar sem ao menos tentar. Procurei me poupar ao máximo para a subida da Brigadeiro, mas descobri que ela não era a parte mais difícil: o clima quente, as subidas do Elevado Costa e Silva, da Av. Rudge e do Largo de São Francisco e o grande espaçamento entre os pontos de hidratação foram bem piores! Na Brigadeiro já havia o clima de "estou chegando" e pareceu bem mais fácil do que imaginei.

Ao ver a plaquinha de "14KM" fiquei empolgado e até arrisquei uma acelerada, passando pelo Viaduto do Bexiga rapidamente. Eis que vem o momento de maior emoção: a virada da Brigadeiro com a Paulista! Faltam poucos metros e eu acelero mais e cruzo a chegada fazendo um "aviãozinho" com os braços abertos e posteriormente aplaudindo. Meu tempo não foi lá essas coisas, mas minha satisfação era imensa!

Depois de tudo isso, terminei o ano de 2005 com a certeza de que todos podemos nos sentir vencedores. Basta reconhecer o que temos de melhor, saber nossos limites e respeitar nosso corpo. Que venha 2006, 2007, 2008... e todas as corridas, pois em cada uma delas eu me sentirei um vencedor.


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