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Corpore: 25 anos praticando saúde, educação e cidadania

03/04/2007, por Marcel Trinta

Nesse dia 03 de abril de 2007, a Corpore completa 25 anos de sua fundação. Seria muito difícil contar aqui 25 anos de histórias, corridas, atletas e citar as pessoas que sempre ajudaram e ainda ajudam a entidade.

De qualquer maneira não podíamos deixar essa data passar em branco e nas próximas linhas mostraremos um pouco como a Corpore conseguiu se tornar o que ela é hoje.

A Fundação

Os anos 80 ficaram marcados como o início da popularização das corridas de rua no Brasil. Diversas capitais começaram a organizar corridas que eram disputadas por algumas centenas de pessoas e, ao menos em São Paulo, quando aconteciam eram mal organizadas. Não havia nenhuma preocupação com os princípios básicos. Sem marcação correta da distância anunciada, com o trânsito aberto, sem água e outros itens primordiais, eram assim as corridas “organizadas”.

No regresso a São Paulo, após uma viagem a Nova York onde acompanharam a maratona local, os amigos Flávio Aronis, Fernando Nabuco e Victor Malzoni Junior estavam convictos em criar uma associação que, entre outras coisas, organizasse provas com o mesmo nível da Maratona de Nova York.

“O Fernando sempre foi um grande atleta em diversos esportes e nessa época era apaixonado por corridas; O Vitinho [Victor Malzoni] era um grande corredor, assim como meu irmão Flávio. O tempo foi passando e surgiram outras pessoas que se apaixonaram pela causa, entre eles o Zeca Meirelles, o Vasco [Manuel Arroyo], que tinha uma ligação muito forte com a USP e foi um dos primeiros malucos, desse grupo, que corria 1h30 sem parar”, lembra Octávio Aronis.

Wanderlei de Oliveira também estava junto a esse grupo e lembra como se encontravam: “Percorríamos 10 km quase que diariamente”. Dessa forma e após diversas reuniões entre 1981 e 1982, fundaram em 3 de abril de 1982 a Corpore – Corredores Paulistas Reunidos. Com a entidade fundada, estatuto elaborado, e outras medidas tomadas, no dia 17 de abril a Corpore partiu para trabalhar em dois focos principais:
- organizar provas bem estruturadas na cidade de São Paulo;
- apoiar os atletas de elite, que na época não podiam receber patrocínio de empresas.

A primeira prova organizada pela Corpore foi disputada na Cidade Universitária no dia 15 de maio de 1982, com vitória de Edson Bergara e Eliana Reinert e completada por outros 684 corredores.

O segundo objetivo da Corpore começou a ser atingido quando os diretores conheceram Agberto Guimarães, Joaquim Cruz, Zequinha Barbosa, entre outros e a entidade começou a investir nesses atletas que chegaram a ir treinar no Colorado.

Joaquim Cruz e Alberto Juantorena no Meeting de Zurique em 1984

Esses grandes atletas disputavam provas por todo mundo representando o Brasil e vestindo a camisa da Corpore. Nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984, Joaquim Cruz foi o vencedor dos 800 metros rasos com 1m43seg00 e conquistou a primeira medalha de ouro em pista para o atletismo nacional “A oportunidade de representar um clube brasileiro na Europa na melhor fase da minha carreira esportiva foi o maior apoio que recebi da Corpore”, afirma Joaquim Cruz.

Todos os envolvidos começaram a se empolgar cada vez mais com os trabalhos da entidade e se voltavam para a corrida de rua. Surgiu na época o Circuito Bradesco de Corridas, organizado pela Corpore. A maioria dos eventos acontecia no interior de São Paulo, e isso já ocupava a Corpore com eventos quase durante o ano inteiro.

Com o passar dos anos, as coisas começaram a mudar. Um fator primordial para isso foi a abertura de patrocínio aos atletas de elite, fazendo com que a entidade perdesse um de seus focos. Paralelamente a isso, os diretores começaram a se dispersar.

A entidade deixou de organizar eventos entre 1988 e 1991.

O Recomeço

Assim como na fundação da entidade, a Maratona de Nova York foi o ponto de partida para o recomeço nessa segunda fase. Alguns corredores que treinavam no Parque do Ibirapuera e voltaram da Maratona de Nova York se perguntavam como a cidade de São Paulo não tinha uma prova e nem um clube de corredores como em NY. A idéia de criar um clube foi se solidificando e, no meio disso tudo, Wanderlei de Oliveira, que fazia parte da primeira fase da Corpore citou a existência da entidade e a possibilidade de reativá-la.

A parte legal e fiscal da Corpore estava em perfeita ordem e a entidade voltou a ativa com objetivos diferentes. “O espírito da segunda Corpore era diferente da primeira. O objetivo principal era fazer uma maratona nos moldes de Nova York aqui em São Paulo e dar um tratamento igual para todos os participantes dos eventos, do primeiro ao último atleta”, lembra David.

No início não havia uma sede fixa e as reuniões aconteciam em uma sala no Constâncio Vaz Guimarães, onde os voluntários se disponibilizavam a fazer tudo para realizar uma prova, cada um em uma área, cada um em sua expertise.

As primeiras provas e o surgimento do Circuito

No ano de 92, quando a Corpore retomou suas atividades, já foi realizada uma primeira prova. Ela aconteceu na USP com a distância de 6km e trouxe um fato interessante: não havia camiseta para todos os atletas. “Tínhamos 200 camisetas e pensamos em dar 100 para os corredores e as outras vendermos para fazer nosso primeiro fundo de caixa. Acabamos tendo mais participantes e não pudemos dar camiseta para todos. Essa foi a primeira e única corrida que isso aconteceu. Depois disso, dar medalha e camiseta para todo mundo tornou-se uma diretriz”, lembra David.

Mais duas corridas aconteceram em 1992 e, no ano seguinte, surgiu o primeiro Circuito Corpore, que era disputado no Parque do Ibirapuera com provas de 6km. O percurso era composto de duas voltas no lago. Não existia um isolamento total do percurso e, para a prova acontecer, a entidade contava com o apoio da Guarda Municipal que ia a frente da prova, com a sirene ligada avisando que o pelotão - que não passava de 500 pessoas – estava vindo.

Ao longo de 93 e 94 as provas da Corpore eram exclusivamente no Ibirapuera. Apenas em 1995, no dia 25 de junho, que foi feita a primeira prova da Corpore fora do parque, A 1ª edição da São Paulo Classic, mas mesmo assim a chegada acontecia dentro do parque.

Os novos eventos

O número de solicitações para corridas no Parque começou a crescer e, percebendo que problemas poderiam acontecer e algumas provas deixarem de ser realizadas, a Corpore começou a procurar novas opções. A primeira prova totalmente fora do Parque foi a do Centro Histórico e depois foi a Corrida dos Bombeiros.

Nessa segunda fase da Corpore começou também uma preocupação em trazer eventos infantis. As primeiras corridas infantis começaram no próprio Parque, onde havia baterias com crianças ao final de alguns eventos.

Já na USP, começaram a ocorrer algumas provas com chegada no Velódromo, e lá dentro se fazia as corridas infantis. Na medida que crescia o número de adultos e crianças tornou-se impossível fazer essas provas acopladas e as corridas infantis ficaram algum tempo sem ter edições. “Retomamos a corrida exclusiva para crianças no próprio Velódromo e depois fomos para o Constâncio fazendo essa prova como uma forma de incentivo, de estímulo, não de competição. Queremos que as crianças sejam picadas pelo bichinho da corrida”, afirma David.

Clube de corredores

A identificação entre o corredor e a Corpore sempre foi evidente, mas em 1997, se iniciou uma campanha para ter associados e a entidade tornar-se realmente o representante dessa comunidade que começava a crescer.

Criou-se então uma carteirinha de associado para que os corredores pudessem se sentir parte da Corpore. Essa carterinha, no início, foi entregue para os interessados, que tinham apenas que solicitá-la.

Aos poucos foram sendo criadas ações para os associados, entre elas descontos em estabelecimentos, em inscrições, treinos assistidos, entre outros. Foi em 1998 que surgiu o primeiro Ranking Corpore, exclusivo para sócios.

E foi para os associados que surgiram as provas de aventura. A primeira foi a Ilhabela Corpore Terra & Mar. Dois anos depois foi realizada a primeira edição da Corpore Campos do Jordão – Corrida e Bike na Montanha.

A profissionalização

Depois de 10 anos sendo tocada exclusivamente por voluntários, a Corpore teve de tomar uma decisão: manter a mesma estrutura e os mesmos eventos ou partir para novas experiências e acompanhar o crescimento das corridas. Foi decidido tomar o segundo caminho e, para isso, havia a necessidade de se partir para a profissionalização.

Já com sede na rua Bento de Andrade, 436, o início da profissionalização se deu quando Armando Santos, que já era voluntário Corpore, foi efetivado como diretor executivo da entidade.

Apesar de contar com uma estrutura enxuta, foi montada uma equipe com pessoas qualificadas que, em constante relacionamento com o conselho diretivo, consegue até hoje cuidar do dia-a-dia da entidade.

A partir daí, novos eventos foram sendo incorporados ao calendário Corpore e, para ajudar nessa divulgação, facilitar as inscrições e levar todas as informações necessárias para a comunidade foi desenvolvido o site Corpore, que hoje tem mais de 300.000 visitações por mês.

Aos poucos, a entidade foi crescendo e o movimento das corridas de rua também. A Corpore foi se tornando conhecida por fazer diversos eventos de alta qualidade e se tornou centro de referência.

Recentemente, a Corpore esteve presente no Congresso Mundial da AIMS, realizado em Xiamen, na China, e apresentou a candidatura da cidade de São Paulo para receber a próxima edição do Congresso, vencendo o pleito e conseguindo trazer pela primeira vez esse evento para uma cidade da América Latina. O 17º Congresso Mundial da AIMS acontece em abril de 2009, juntamente com a Meia Maratona Corpore da Cidade de São Paulo.

“Quando olho nossos objetivos vejo que os ultrapassamos muito, não imaginava que poderíamos chegar onde chegamos. O anseio das pessoas pela corrida em si nos ajudou a isso e o respeito aos corredores também”, afirma David.

Objetivos alcançados e ultrapassados, obstáculos superados. Tudo isso que foi contado aqui é uma parte da história da entidade que chega agora aos seus 25 anos de existência. Ainda há muitos anos e quilômetros por vir...

 

Mas o mais importante disso tudo não é comemorar os 25 anos de existência, mas sim agradecer por ter vocês há 25 anos do nosso lado. OBRIGADO aos corredores, caminhantes, apoiadores, patrocinadores, voluntários e a todos aqueles que contribuíram e contribuem na construção dessa história. Parabéns!!



 
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