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Diretores da Corpore se reunem com Secretário Geral da CBAt

17/1/2003, por Flávia de Almeida Prado

 

No dia 23 de Novembro, a Corpore recebeu em sua sede, o Secretário Geral da Confederação Brasileira de Atletismo, Martinho Nobre dos Santos. Nesse encontro, os diretores da Corpore tiveram a oportunidade de discutir os rumos da corrida de rua no Brasil, levantar questões sobre a regulamentação do esporte, além de discutirem medidas de segurança para corredores e público.

Antes do início da reunião, Martinho nos concedeu uma entrevista exclusiva, onde falou bastante sobre o Doping e a importância dos testes de combate a essa prática. Mas para começar a conversa, falamos um pouco sobre a 8º edição 10K Corpore São Paulo Classic, prova que aconteceu no dia seguinte no parque do Ibirapuera.

A grande novidade técnica preparada pela Corpore para este evento foi a realização da largada da Elite A Feminina, dez minutos antes da largada oficial. Esta foi uma idéia do Administrador Regional da América Latina - IAAF/AIMS 'A' Measurer, José Rodolfo Eicheler, pois o que estava acontecendo freqüentemente era que as mulheres largavam junto com os homens, o que contradiz a norma da IAAF. Isto, eles mesmo reconhecem como utopia em provas de massa, mas com o advento da transmissão ao vivo da televisão, alguns corredores médios, interessados em apareceram na TV, mesmo não sendo de Elite, saiam correndo junto com as primeiras mulheres. Isso foi agravado quando empresas de material esportivo, passaram a dar camiseta com suas marcas para esses corredores médios, prometendo R$200 para cada minuto que ele aparecesse na televisão. Com isso, eles acabavam prensando as mulheres, atrapalhando as atletas. E Martinho explica: "Na São Paulo Classic, essa experiência será feita, para que assim, possamos avaliar a possibilidade de fazer isso sempre, corrigindo permanentemente esses problemas, tornando essa organização uma norma da Confederação".
largada da Elite A Feminina na São Paulo Classic 2002 - dez minutos de intervalo entre as largadas garante conforto e segurança para atletas

Outro inconveniente levantado por Martinho, foi a questão do pacing, ou seja, o atleta de Elite masculino marcando o ritmo para a mulher, o que a prejudica bastante. Com esse tipo de largada, este problema também é eliminado. Além de aumentar o conforto, essa organização permite que a mulher controle melhor suas estratégias de corrida e segundo Martinho, as atletas costumam reclamar bastante por que perdem o controle das adversárias, devido a visão prejudicada pelo bloqueio dos homens.

Sobre o Doping, Martinho informou que a Confederação está preparando um manual de bolso para ser entregue aos atletas em diversas provas, para que a desinformação sobre este assunto seja cada vez menor. "Preparamos um material extenso, já disponível no site da confederação, onde esclarecemos inclusive os motivos e situações em que o atleta é escolhido para passar pelo teste antidoping. Será uma ferramenta bastante completa para o atleta garantir sua segurança".

Hoje, os testes antidoping são feitos no Rio de Janeiro, no laboratório da UFRJ, que foi credenciado pelo comitê olímpico internacional. Doping é um assunto muito sério, e um laboratório normal, não detecta todas as substâncias proibidas. Os equipamentos são caríssimos, e, segundo Martinho, foi o governo federal, através do Ministério do Esporte e Turismo, que comprou os últimos equipamentos para isso.

O custo de cada exame é extremamente alto. Para se ter uma idéia, Martinho contou que no Canadá, país para onde a Confederação mandava o material colhido aqui no Brasil, o preço normal de um teste de urina era de U$250. E completa: "Como éramos clientes antigos, nós tínhamos um preço especial de U$170. No Rio, pagamos cerca da metade do preço, R$460. E ainda nos livramos das dificuldades de mandar o material para o exterior. Os kits utilizados para fazer a coleta da urina são da Europa, pois apenas duas marcas podem ser utilizadas para isso. Então, este material nós ainda temos que importar, por U$15 ou U$20".

Martinho explicou que para fazer a coleta da urina do atleta, não é preciso ser médico. A Confederação pode treinar seu pessoal para essa tarefa, entretanto, eles mantêm um médico, o Dr. De Rose, para realizar este trabalho. "Esta escolha foi feita por segurança, pois o atleta pode fazer referências a remédios, substâncias que ele toma, e a pessoa que esta lá deve saber como proceder" explica o Secretário.

Com o aparecimento da substância EPO (Eritropoetina - glicoproteína produzida principalmente nos rins que estimula a produção de glóbulos vermelhos no sangue), o exame de sangue passou a ser necessário. Essa substancia ainda é detectada na urina, entretanto até hoje há apenas três laboratórios no mundo que estão preparados para fazer esse teste, explicou Martinho. A CBAt usa o laboratório de Paris, por ter custo reduzido. E segundo o secretário: "o procedimento é a coleta de sangue do atleta, uma picadinha no dedo é o suficiente. Então, um laboratório clínico analisa se existe a probabilidade de haver EPO no organismo do corredor. Se houver, a urina é mandada para Paris, para ser confirmada ou não a presença da substância. É uma espécie de filtragem que temos que fazer. E para isso, precisamos de um laboratório aberto no dia da prova, mesmo que de domingo".

Os clubes devem ter também controle sobre o tratamento médico que seus atletas recebem, para evitar que ocorra o doping. A Cbat preparou também uma lista de medicamentos que podem ser utilizados sem problemas para os atletas. E no manual que será distribuído para os atletas nas corridas irá conter esta lista.

Hoje as corridas de nível 3, que pretendem ter o nível internacional, devem fazer obrigatoriamente seis exames antidoping, três homens e três mulheres. Martinho completa: "As provas nível 1 são regionais, as nível 2 são nacionais - como a São Paulo Classic - e não obrigamos que se faça o teste, mas está nos nossos planos de 2003 tornar o exame algo obrigatório para todas as provas".


Largada - Meia Maratona Corpore 2002

Para encerrar a entrevista, Martinho revelou que há grande chance de que o Calendário Corpore 2003 abrigue uma prova seletiva, para Mundiais de corridas, assim como aconteceu com a Meia Maratona Corpore de 2002 (que foi a seletiva para o Mundial de Meia Maratona que aconteceu na Bélgica, neste ano). Mas ainda é necessário que os critérios de convocações sejam concluídos.

Estamos aguardando, e torcendo.

Para conhecer a CBAt, ou obter mais informações sobre o Doping - visite o site www.cbat.org.br

Para conhecer a AIMS/IAAF - visite o site www.aims-association.org




 
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