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Minha História - Fernando Castelo Branco

05/09/2007, por Corpore
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OS TEXTOS SERÃO REVISADOS E EDITADOS SEGUNDO CRITÉRIOS DE REDAÇÃO CORPORE.ORG.BR
Exclusivo para Associados Corpore

Fernando Castelo Branco

Maratona do Sol da Meia-Noite

A cidade de TROMSØ (pronuncia-se Trumsa!), no extremo norte da Noruega, é também conhecida como a Capital do Ártico. Localizada a quase 70 graus de latitude e distante, aproximadamente, 2000 km do Pólo Norte, é sede de uma grande universidade (Universitetet i Tromso), o que aumenta a concentração da população jovem.

Talvez por essa razão é que a vida noturna, durante o verão, seja tão intensa. Desproporcionalmente agitada para uma pequena cidade de 60 mil habitantes.

Os atrativos daquele vilarejo não param por aí. Os fenômenos naturais são, sem dúvida, motivos mais do que suficientes para entreter seus visitantes.

Durante o inverno, graças à inclinação do globo terrestre, o sol permanece abaixo da linha do horizonte por 51 dias, gerando a noite polar e a aurora boreal: luzes coloridas produzidas pelos ventos solares (daí o nome, originário do deus grego do vento norte: Bóreas).

No fim da primavera e parte do verão o efeito é inverso. Entre os dias 21 de maio e 21 de julho, o sol brilha ininterruptamente. Durante dois meses seguidos, o sol simplesmente não se põe no horizonte!

Graças a essas curiosidades naturais, foram criadas a Polar Night Halfmarathon (no inverno – 05.01.08) e a Midnight Sun Marathon (no verão). Sem dúvida, para o aficionado por corridas, boas desculpas para locomover-se até a calota polar do nosso planeta.

Nesta última edição da Midnight Sun Marathon, celebrada no dia 16/06/07, estivemos representando o Esporte Clube Pinheiros, sob a orientação técnica da competentíssima Eliana Reinert: Fernando Castelo Branco (maratona), Arthur Guerra e Fernando Leme (meia-maratona).

A “maratona” começa com a viagem: São Paulo – Paris (ou qualquer outra capital européia) e conexão para Oslo (capital da Noruega) seguido de vôo para Tromso. Ou seja, aproximadamente 20 horas até o destino final!

Detalhe (só agora engraçado): Nós três, vindo de diferentes cidades da Europa, tivemos as malas extraviadas nas conexões. Portanto, vale a dica de sempre levar consigo, como bagagem de mão, pelo menos, o tênis da corrida.

Apesar da sensação meio provinciana, distinta das maratonas celebradas nas grandes metrópoles, a organização da prova é, literalmente, de primeiro mundo (trata-se de prova oficial do calendário da AIMS – Associação Internacional de Maratonas e Corridas de Rua – garantindo a perfeita aferição dos percursos, adequada hidratação etc.).

Aproximadamente 1500 corredores inscritos, de 38 diferentes países, para correr a maratona (Discover Petroleum Marathon), meia-maratona (Toro Halvmaraton), 10 k, 4,2 k, e corrida infantil. Todos, adultos e crianças, com um único objetivo: correr, na passagem da meia-noite, em plena luz do dia !

Fernando Castelo Branco (Maratona), Arthur Guerra e Fernando Leme (Meia- Maratona)

A largada da maratona ocorre às 20:30 horas, precedida pela corrida infantil de 200 e 400 metros, portanto, após o “jantar”, que deve ser criteriosamente planejado.

O percurso é praticamente todo plano, sinuoso, com pequenos aclives e declives, ladeado pelo mar e por montanhas cobertas de gelo: cenário perfeito para quebrar a monotonia e surpreender pela beleza natural.

Logo após a largada, no centro da cidade, os maratonistas cruzam a ponte de aproximadamente 1 k, que liga a parte insular da cidade, à parte continental. Na sua parte central está o ponto mais alto da prova: 44 metros acima do nível do mar.

No continente, após cruzar a ponte, está localizada a “Catedral do Ártico”, principal igreja de Tromso, com arquitetura arrojada, insinuando a sobreposição de enormes placas de gelo triangulares, apontadas para o céu.

No km 10,5 o percurso retorna à ponte, pelo mesmo caminho. Após cruzá-la pela segunda vez os maratonistas estão de volta à ilha passando pela região central da cidade, aproximadamente no km 21.

Depois de passar pelo centro, o percurso, na parte insular, é feito por uma estrada asfaltada, ao lado de ciclovia, que nos leva até o aeroporto da cidade.

Esta segunda metade da maratona ganha novo ânimo com a largada, às 22:30 horas, da meia-maratona (partindo do mesmo ponto em que se iniciou a maratona).

A quase totalidade do percurso remete a uma paisagem rural, seguindo por uma espécie de ciclovia asfaltada, com algumas cachoeiras formadas pelo degelo das montanhas.

Casas de madeira surgem de tempos em tempos e seus habitantes, do lado de fora, não se cansam de incentivar os corredores: empunhando o jornal local, com a lista completa dos atletas inscritos, divertem-se identificando cada maratonista, pelo número, nome e país de origem.

Êia Fernando! Êia Arthur! Êia Brasil! Gritos acompanhados de palmas, chocalhos e apitos que, mesmo fora de ritmo, eram profundamente estimulantes e hospitaleiros.

Outra curiosidade é a marcação decrescente dos quilômetros. Corre-se de olho na distância faltante e não na já percorrida.

Faltou, apenas, o sol da meia-noite. O tempo estava, principalmente na segunda parte da prova, nublado, chuvoso e frio. A temperatura oscilava na casa dos 6ºC mas, por conta da umidade e principalmente do vento vindo do mar, a sensação era próxima de 0º C. Por essa razão, corremos de calça, luva etc.

Ou seja, um dia típico do verão norueguês!!

Não há chip para controle de tempo e, sinceramente, não faz falta alguma!
Ao contrário do que acontece nas outras maratonas pelo mundo, esta é uma prova única e incomparável! Deseja-se, a cada passo, que dure o máximo possível!

• Fernando Castelo Branco, Advogado, Professor da Faculdade de Direito da PUC/SP
• Arthur Guerra de Andrade, Médico, Professor das Faculdades de Medicina da USP e do ABC.
• Fernando Leme, Engenheiro Eletrônico, Consultor de Empresas.

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