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David Cytrynowicz recebe Título de Cidadão Paulistano

19/09/2007, por Marcel Trinta

17 de setembro de 2007, David Cytrynowicz, Presidente da Corpore, teve uma noite notadamente importante. Recebeu o Título de Cidadão Paulistano na presença de familiares, amigos e autoridades em virtude de uma vida dedicada ao estudo, ao trabalho e ao esporte.

A Sessão Solene de entrega do Título de Cidadão Paulistano aconteceu no Palácio Anchieta, no Plenário 1º de Maio e começou às 19h30 quando o Vereador Aurélio Miguel, responsável pela iniciativa da entrega do título, iniciou a sessão que teve a mesa composta por Éder Jofre, General de Divisão João Carlos Vilela Morgero (Comandante da Segunda Divisão de Exército), representando o Comandante Militar do Sudeste, General de Exército Antônio Gabriel Esper, Amadeu Armentano (Presidente do Conselho Deliberativo da Corpore), Octávio Aronis (Vice-Presidente da Corpore) e o Professor Carlos Gomes Ventura.

Após a execução do Hino Nacional, Amadeu Armentano, amigo de longa data de David, foi o primeiro a discursar fazendo a saudação ao agraciado, discorrendo sobre o surgimento da cidade de São Paulo e enaltecendo as obras e serviços prestados diariamente por David com “naturalidade, naturalmente”, como dito em seu discurso. “O que se fez foi colocar a público aquilo que nós já conhecemos há mais de 15 anos. Não é um título de cidadania dado por necessidade política ou por acordo, ou por qualquer outra coisa, foi por mérito, mérito mesmo. O David vale quanto pesa, nós já estamos juntos há quase 20 anos, estamos cumprindo mais uma encarnação juntos e esperamos terminá-la da mesma forma como começamos: juntos”, afirmou Amadeu.

Na seqüência, Aurélio Miguel tomou a palavra e mostrou aos presentes um pouco do vasto currículo de David, indicando obras do mais novo Cidadão Paulistano na administração, na psicoterapia e nos esportes, entregando então o merecido Título.

Emocionado, David fez um discurso agradecendo seus pais e contando um pouco mais da sua história, trazendo para os presentes fatos que poucos imaginavam na vida do agraciado. Nascido na Alemanha e vindo para São Paulo aos 6 anos de idade, David disse que por muito tempo se sentiu em uma condição de “apátrida”, como seu pai também se sentia. “Talvez, para muitos de vocês, seja difícil entender a profunda importância que ser ‘Cidadão Paulistano’ tem para mim. Eu nasci em um campo de refugiados, mas não me sentia um refugiado. Há poucos anos, vendo um documentário, descobri que a sigla usada nos campos de refugiados, como o que eu nasci, era D.P.Camp – Displaced Persons Camp (Campo de pessoas fora do lugar). E isto esclareceu perfeitamente o meu sentimento, pois, ser refugiado é ter horizonte da volta ao lugar de origem. Eu não era refugiado, não me sentia refugiado, não tinha lugar de origem para voltar. Me sentia “displaced”, isto é, aquele que não tem lugar, que está fora do lugar, desalojado.
Por aí, talvez, fica mais clara a importância que é, para mim, receber o reconhecimento de um lugar como sendo o lugar que me é concedido em nome de minha trajetória. Ser ‘Cidadão Paulistano’ me dá o orgulho de expressar minha cidadania de homem do mundo a partir do lugar onde cresci, me casei, nasceram os meus filhos e a minha neta e onde, hoje, nasci eu”, disse David em seu discurso.


Walter Feldman, Secretário Municipal de Esportes, Lazer e Recreação, também esteve presente e tomou a palavra para dar os parabéns não só pelo título que David acabara de receber, mas também pelo belo discurso que fizera.

Com a Sessão encerrada, familiares, amigos e as autoridades presentes puderam cumprimentar o Presidente da Corpore por mais esse título e comemorar com ele esse dia tão importante em sua vida, o “nascimento como cidadão paulistano”, conforme o próprio afirmou. “Para mim hoje é só emoção! Eu me preparei bastante, mas basicamente para poder passar um pouco do que foi minha trajetória, minha formação e do que são meus valores e a identificação desses valores com os de todos aqueles que junto comigo hoje levam a Corpore. Eu tenho certeza que isso não é um trabalho, é uma missão e uma missão que a gente faz com muita satisfação”.

 

Confira abaixo a íntegra dos discursos de David Cytrynowicz, Amadeu Armentano e do Vereador Aurélio Miguel.

 

LEGAR E DEITAR RAÍZES
David Cytrynowicz

Nobre Vereador Aurélio Miguel,
Autoridades presentes,
Sra.s e Sr.s, Minha família.

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer ao vereador Aurélio Miguel pela honra da indicação do meu nome, bem como a toda a sua equipe pelos esforços subseqüentes e que resultaram nesta homenagem que recebo.
É com enorme satisfação e emoção à flor da pele que estou aqui, diante de vocês.

Este é um momento que me obriga a lançar um olhar panorâmico, revendo minha trajetória, tentando compreender a tessitura que aqui me trouxe.
É impossível iniciar esta revisão senão por aqueles que, aqui, sinto agraciados junto comigo, meus pais. Fundamentais em meu percurso, tanto na existência concreta, quanto nos valores que me marcaram desde a minha mais precoce lembrança e que até hoje ainda são inspiração.

Em 23 de julho de 1916, nasceu o meu pai Artur em Lodz, centro industrial da Polônia e 2ª cidade depois de Varsóvia. Em Lodz, vivia uma enorme comunidade judaica e meu pai era o 2º filho de uma família de nove filhos. Ele era o mais velho entre os homens e a sua época de crescimento e formação se encontra entre os poucos anos que separaram as duas grandes guerras do século 20.
De origem pobre e profundamente comprometido com a sobrevivência de toda a família, desde cedo, ele começou a trabalhar com o meu avô Jeremias, no ofício de pedreiro. Mas, de personalidade inquieta e empreendedora e de profunda visão, concluiu o curso técnico de mestre de obras, assumindo, então, a frente dos trabalhos que juntamente com meu avô executava. Ainda muito jovem, já era a referência de trabalho, tomando a frente do cuidado de toda a família, situação que se estendeu até a sua morte em 1983.

Em 10 de março de 1923, nasceu a minha mãe, Maria em Lipovietz, vilarejo perto de Vinitza, onde passou a sua infância, alguns poucos anos após a revolução Bolchevique. Esta cidadezinha situa-se próxima de Kiev, capital da República da Ucrania, que integrava a então União Soviética. A minha mãe era a caçula, depois de três irmãos homens.

Os contrastes entre os lugares de nascimento de meus pais e as suas respectivas personalidades se fundiram e marcaram profundamente a minha própria maneira de ser:
Meu pai - que cresceu numa grande cidade fabril, com todos os contrastes, desigualdades e oportunidades e tendo que lutar pela sobrevivência e provisão da família
E, minha mãe, vivendo numa cidadezinha pequena, no início de grande transformação e fechamento para o mundo externo e, apesar de toda a precariedade do período, tinha como caçula e filha única, regalias e mimos que a transformaram numa mulher afetiva, cuidadosa e extremamente solidária com todos os seus familiares e inúmeros amigos que conquistou ao longo de sua vida. Quando a guerra eclodiu cursava Letras, após ter abandonado o curso de Medicina, no primeiro ano.

Como se conheceram? Como eu entro nesta história?
Em 1938, meu pai se alistou no exército polonês. De constituição franzina, após meses de esforço para engordar e passar nas medidas mínimas de peso, ele foi aceito como recruta. Em 1939, com a invasão da Polônia, em poucos dias o exército polonês foi dizimado e os sobreviventes tinham a opção de ficar na Polônia ocupada pelos nazistas ou irem para a URSS. Meu pai passou toda a guerra na URSS, grande parte na Sibéria, trabalhando em tarefas de infra-estrutura, como construção de ferrovias e outros trabalhos forçados a que eram sujeitos todos os refugiados. Neste tempo, meus pais se conheceram e, ao final da guerra, se casaram e saíram da URSS em busca de um lugar para viver, trabalhar e construir o futuro.
Vão primeiramente para a Polônia, mas, ao se darem conta do controle soviético, seguem a sua busca.
Em seguida, juntamente com outros irmãos, chegam à Alemanha e são alojados em um dos inúmeros campos de refugiados e apátridas que esperavam encaminhamento para algum país que os aceitasse. Havia todo tipo de restrição e cotas dos países para receberem judeus que não mais tendo Pátria, buscavam um lugar que os acolhesse. Esses campos aliados eram supridos, principalmente, pelos americanos.

Em maio de 1947, nasci no Campo de Refugiados de Leipheim, vilarejo de Günzburg, próximo da cidade de Ulm, na Baviera.
Nasci e fui criado ouvindo as histórias da 2ª Guerra, mas, principalmente, ouvindo as histórias dos dramas humanos que implicavam em escolhas de vida ou morte, e ficava fascinado com o faro para a sobrevivência, e o espírito empreendedor e arrojo de meu pai.
Foi na Alemanha que ele conseguiu cidadania, a alemã, para toda a família, e iniciou o negócio têxtil com o qual se envolveu ao vislumbrar oportunidades que o pós-guerra oferecia aos que podiam ver e empreender.
Vivi até quase seis anos em Ulm, de onde, em 1953, emigramos.
Nesta época, sob a liderança de meu pai, a família havia construído uma malharia que empregava 350 funcionários.

Por que sair da Europa, em 1953, se já tinha conseguido cidadania e prosperidade, junto com toda a família?
Com o início da Crise da Coréia, em 1952, meu pai decidiu que não viveria uma outra guerra. Assim, começou uma nova peregrinação em busca do país ideal para viver. Passou, então, meses, entre viagens e pesquisas do país que seria bom para nós, tanto do ponto de vista dos horizontes para os filhos, como do sustento da família.
Queria viver em um país onde não tivesse o temor de sermos chamados para a guerra, ele com 36 anos e eu, no futuro, quando completasse 18 - era como ele me explicava um dos pré-requisitos de sua escolha.
Queria, também, um país em que a nossa origem judaica pudesse ser preservada e legada a futuras gerações, bem como, um país onde as oportunidades de negócio pudessem ser encontradas.

Assim, viajou por vários lugares, entre eles, países da América do Sul, para ele, o lugar mais preservado da ameaça de guerras. Recentemente, ouvi de minha mãe que os familiares brincavam dizendo que era necessário criar um novo globo terrestre para que meu pai encontrasse o país que procurava. Mas, parece que achou quando se decidiu, finalmente, por São Paulo.

Desembarcamos em Santos, em 23 de março de 1953, meus pais, minha irmã menor, Rita, e eu, e fixamos residência na Zona Leste de São Paulo, na Av. Celso Garcia, onde meu pai alugou um galpão para reiniciar os negócios, com máquinas trazidas da Alemanha, enquanto os irmãos lá permaneciam para venderem a fábrica e, depois, se juntarem a nós com as suas famílias. Morávamos num apartamento, em cima do galpão.

Aos 6 anos, falando somente alemão, entrei na escola pública. Lembro das dificuldades iniciais ao buscar pão e leite na padaria, função que a minha mãe me atribuía para que eu ganhasse mais desenvoltura. Nas histórias que, posteriormente, ouvia, minha mãe chorava por me ver tão encolhido por falta de comunicação, uma vez que, na Alemanha, eu me destacava como criança extrovertida.
Rapidamente aprendi o Português, mas por outro lado, perdi o Alemão. Não sendo a língua materna de meus pais, eles falavam entre si o Iídiche, ou o Polonês, quando não queriam que entendêssemos. Com minha mãe, a língua tornou-se o Português. Ela que tinha muita facilidade para as línguas, queria que aprendêssemos o mais rapidamente possível, o Português. Por outro lado, o meu pai falava conosco, o mais das vezes, em Iídiche. Ele se orgulhava que falássemos a “língua dos judeus da Diáspora”, dizendo que, com ela, nos comunicaríamos com os judeus em qualquer país do mundo. Porém, o mais importante era a justificativa que ele dava quando eu, ainda pequeno, mas já dominando o português, pedia que ele falasse a nossa língua, referindo-me ao português. Ele dizia “A minha língua materna é o Iídiche. Quando eu precisar dar bronca em você, automaticamente, vou falar em Iídiche para me expressar melhor. E eu quero que você entenda, perfeitamente, a bronca!”

Falar para ser ouvido, dar bronca para que o outro entenda e não como castigo. Este era meu pai, que dizia: “Aprender sempre, mesmo de uma criança.” Isto ele falava comigo, desde que eu tinha 7 ou 8 anos.
Acho que com ele aprendi, além de Iídiche, o valor do ouvir e respeitar a opinião do outro.

Minha infância e adolescência foram boas e ricas, em muitos sentidos.
Iniciei meus estudos em escola pública. Depois, na escola religiosa Beith Chinuch, cursando, em seguida, ginásio e colegial, no Rio Branco.
Adorava esportes, desde as brincadeiras de rua da infância, bola, taco, bolinha de gude, até a prática de esportes a partir dos 10 anos, quando o clube A Hebraica foi inaugurado. O clube era a minha atividade extra-curricular quase diária.
Seguiu-se o encontro com o Acampamento Nosso Recanto, onde passei inúmeras temporadas de férias, até os 16 anos. Nesta época, o meu envolvimento com os esportes e com o convívio em grupo foi se intensificando.

Apesar de cursar o Científico e com o vestibular apontando para a Engenharia Civil, meus interesses estavam já ligados também à Psicologia, pois participava de grupos de discussão e de palestras de temas psicológicos. Fui introduzido neste mundo por alguém que muito estimo, Casimiro Angielczyk, que foi também meu primeiro instrutor de judô. Assim como eu, Casimiro era alguém muito ligado aos esportes e era, também, vinculado profundamente à busca do entendimento da condição humana.
Quando me vejo hoje, entendo que esta foi minha marca, desde sempre.

Ainda garoto, adorava também ouvir o meu tio Gustavo falar de boxe, tendo sido ele campeão amador deste esporte, na sua cidade Lodz. Por ele fui introduzido a sua prática, estimulado também por histórias de ídolos do passado, pelos pesos-pesados da época, bem como da carreira do nosso maior ídolo Eder Jofre, que acompanhava tanto pelo rádio quanto em gloriosos momentos ao vivo. Gustavo introduziu também o gosto pela sauna, que freqüentava com outros adultos, todos comerciantes do Bom Retiro, no Balneário Tenente Pena. Um garoto convivendo com adultos, em programas de adultos, ouvindo as mais variadas histórias, para mim, era um sonho!

Como vocês podem ver, tive a felicidade de, como criança e adolescente, ser tratado com amor, respeito e consideração, pelas pessoas que eu amava e admirava.
Desde os meus 8 ou 9 anos, meu pai falava comigo como um interlocutor à sua altura. Falava de seus planos de expansão de negócios, dos investimentos e retornos esperados; às vezes, aflito, falava da falta de dinheiro e do subseqüente alívio do crédito concedido para o desconto das duplicatas. Desde cedo, aprendi a identificar os sinais de sua inquieta expectativa com o clima, ansiosamente aguardando o frio que garantiria a venda de malhas. Aprendi os rudimentos de matemática financeira fazendo cálculos de juros e retorno sobre capital, enquanto caminhava e conversava com ele, pelos andares da fábrica da família, ou em passeios de final de semana.
Nesta época, eu estudava e praticava esportes enquanto pensava no futuro.

Foi na escolha de minha profissão que tive, também, grande aprendizado.
Apesar de ter enorme prazer em participar das temporadas no acampamento de férias Nosso Recanto, tanto como acampante e depois, como monitor e assistente, fazer dessa vocação o meu futuro, somente se passava nos meus mais íntimos e não reveláveis desejos.
Portanto, Engenharia Civil era a minha primeira escolha, escolha que era plenamente endossada por meu pai, pedreiro e mestre de obras, em seus primeiros ofícios.
Mas, quando eu lhe disse que queria me encaminhar para Administração de Empresas, ainda que contrariado, ele aceitou e me apoiou. Conclui o curso de Administração, na Fundação Getulio Vargas e, após 2 anos de atividade profissional, não tinha me encontrado na profissão.
Mais uma vez mudei, prestando novo vestibular, agora para Psicologia, curso no qual me formei, vindo a me tornar psicoterapeuta – profissão que até hoje exerço.
Esta 2ª mudança foi mais difícil para meu pai digerir, porém, mesmo assim, até a sua morte, eu tive nele meu fã número Um e incentivador constante.

Além de ouvir de meu pai, fascinado, as histórias de guerra, de sobrevivência, de anti-semitismo de muitos e da solidariedade de outros, com ele conheci o grande mundo.
Dele absorvi a importância dos valores inclusivos e de solidariedade que me norteiam até hoje: como tratar o semelhante, como ajudar quem precisa, como perseverar na busca do sucesso e não permanecer na lamúria dos fracassos.
Dele também aprendi a importância de ter um passaporte e dele herdei o desconforto de uma condição apátrida.
Me foi muito difícil entender como alguém podia ter lar e não ter pátria. De todos nós, minha mãe foi quem me mostrava mais de perto o seu sentimento de pátria, uma vez que ela se sentia assim em relação a URSS.
Meu pai se dizia polonês de nascimento, alemão por naturalização e brasileiro por adoção. Mas sua condição de errante era sempre muito marcante.
Eu, de minha parte, não me sentia alemão, apesar de ter nascido na Alemanha e não era plenamente brasileiro por não ter aqui nascido. Como meu pai, eu me sentia apátrida e cidadão do mundo.
Após a sua morte e, já então, casado e pai dos meus dois filhos, Eduardo e Rafael, tive na minha mulher Bia, companheira e contraponto para meus sonhos e pesadelos.
Nesta época, retomei contato mais ativo com o mundo dos negócios e me dividia entre este e meu trabalho como psicoterapeuta.

Mas a prática de esportes continuava sendo fundamental para mim. Salvo brevíssimos períodos, tenho praticado vários esportes durante a minha vida inteira. A corrida como atividade em si mesma, iniciei em 1988. E, em 1991, encontrei o embrião que veio a se tornar meu trabalho mais amplo com o Esporte, mais especificamente, a CORPORE. Na re-fundação desta entidade, que atualmente presido, e juntamente com amigos e companheiros aqui presentes, reencontrei minha vocação mais antiga que não pôde se fazer ouvir na minha mocidade.
Tenho a felicidade de me encontrar em situação econômica e profissional independente, podendo assim dedicar boa parte de meus esforços ao desenvolvimento da CORPORE, totalmente identificado com a missão que norteia o seu horizonte de atuação: promover saúde, educação e cidadania, através da corrida.

A corrida tem nos últimos anos conhecido um crescimento exponencial. E espero que possamos continuar contribuindo para que esse crescimento seja igualmente exponencial em nossa consciência e cuidado com saúde, educação e cidadania. Tenho clareza que é esse envolvimento e trabalho que me trás aqui, hoje e é através dele que recebo o título de Cidadão Paulistano.

Talvez, para muitos de vocês, seja difícil entender a profunda importância que ser “Cidadão Paulistano” tem para mim.
Eu nasci em um campo de refugiados, mas não me sentia um refugiado.
Há poucos anos, vendo um documentário, descobri que a sigla usada nos campos de refugiados, como o que eu nasci, era D.P.Camp – Displaced Persons Camp (Campo de pessoas fora do lugar). E isto esclareceu perfeitamente o meu sentimento, pois ser refugiado é ter horizonte da volta ao lugar de origem. Eu não era refugiado, não me sentia refugiado, não tinha lugar de origem para voltar. Me sentia “displaced”, isto é, aquele que não tem lugar, que está fora do lugar, desalojado.
Por aí, talvez, fica mais clara a importância que é, para mim, receber o reconhecimento de um lugar como sendo o lugar que me é concedido em nome de minha trajetória. Ser “Cidadão Paulistano” me dá o orgulho de expressar minha cidadania de homem do mundo a partir do lugar onde cresci, me casei, nasceram os meus filhos e a minha neta e onde, hoje, nasci eu.

Por origem e formação me identifico, cada vez mais, sobretudo, com quem busca o entendimento da condição humana, seja ela visível, em qualquer fronteira ou credo.
Num mundo onde os fundamentalismos míopes e excludentes estão em alta, ao contrário, me considero um “fundamentalista” da condição humana com toda a sua amplitude, suas contradições e, inclusive, suas dificuldades de convívio. Considero este o maior desafio: podermos nos aproximar o mais possível dos fundamentos da condição humana para, através da inclusão, mesmo do que parece insuportável, apontarmos para um futuro melhor.

Cumpri parte da minha tarefa. Meus pais já cumpriram plenamente a sua.

Diz um ditado judaico que aqui vou parafrasear, dando-lhe um sentido mais amplo:
“Você terá legado algo aos seus descendentes quando e se você o legar aos seus netos e não aos seus filhos”.
Este ditado nos fala do legar como deitar raízes profundas que somente serão visíveis a partir dos netos.

Quando, hoje, com orgulho olho para os meus filhos Eduardo e Rafael, vejo neles o legado de meu pai.
Espero ter a felicidade que, na minha neta Laura e nos que ainda estão por vir, esta marca seja visível e amplificada.

Muito Obrigado

David Cytrynowicz

 

Nobre Vereador Aurélio Miguel
Autoridades presentes
Senhoras e Senhores
Prezado David


Era dia 29 de agosto de 1553, no alto do Inhapuambuçú, hoje Pátio do Colégio, Padre Manuel da Nóbrega reza a 1ª missa e dá início à obras de construção do Real Colégio de Piratininga, entre o Tamanduateí e o Anhangabaú.

Saul Ben Ilel de Tarshish, Saulo de Tarso, Paulo de Tarso, São Paulo Apóstolo. 25 de janeiro de 1554, dia consagrado a São Paulo é escolhido para a inauguração do Real Colégio de Piratininga. Nascia assim a Vila de São Paulo.

Tempos depois, Padre Manoel da Nóbrega toma ciência de que a Câmara Municipal de Santo André da Borda do Campo passava por enormes dificuldades para sobreviver. Recorre ao Desembargador Men de Sá, então na Bahia, solicitando a ele mudança da municipalidade para a Vila de São Paulo. Obteve a concessão e a 8 de maio de 1560 ocorre a transferência da Câmara Municipal de Santo André da Borda do Campo, para a Vila de São Paulo.

O sertanista João Ramalho, vereador da primeira Câmara Municipal de São Paulo, indaga de Nóbrega quanto aos motivos de tantas cerimônias religiosas, ao que o sacerdote e jurista respondeu: “ a Câmara Municipal de São Paulo estava nascendo nas terras de Santa Cruz, para ser refúgio e fortaleza de Deus”.

Eu tomo a liberdade de dizer, refúgio e fortaleza dos filhos de Deus, que somos nós, os nascidos nesta geografia e os que para cá vieram, como é o nosso caso e de nossos antepassados, caro David.

De tempos em tempos, esta fortaleza, esta mãe de 553 anos, percebe filhos de outras terras, que aqui já realizaram tanto e tão bem, que ela gostaria que também fossem seus.

Desta feita, foi você, David, o destacado, o dileto, o chamado à reverência.

Pelas atitudes de uma existência, traduzidas em obras e trabalho, de curriculum farto e substancioso arrazoaram com brilho o título de Cidadão Paulistano, hoje ofertado, hoje recebido.

Thomas Morus, criou um país imaginário, onde um governo, organizado da melhor maneira, proporciona ótimas condições de vida a um povo equilibrado e feliz. Por extensão significa descrição ou representação de qualquer lugar ou situações ideais em que vigorem normas ou instituições políticas altamente aperfeiçoadas.

Utopia, o nome deste país, Utopia.

Quem de nós não sonhou com ele?

Claro está que o caminho mais curto para este país ou estado de coisas, começa em cada um de nós, em procurarmos criar em nós primeiro e depois à nossa volta, as melhores condições possíveis para nós e para quem nos cerca.

Fácil não é, poucos conseguem, muitos sequer pensam a respeito.

Você, David, exercita isto todo dia, com naturalidade, naturalmente.

Sócrates, cuja filosofia não era uma teoria especulativa, mas a própria vida que ele vivia, tinha como o mais ardente de seus discípulos, Críton.

Quando da condenação de Sócrates à morte, na véspera da sua execução, Críton e outros discípulos, subornaram a guarda para que Sócrates pudesse fugir, no entanto, Sócrates sequer se moveu, o que levou seus discípulos ao desespero.

Então, Sócrates bateu de leve em sua própria cabeça, puxou com os dedos a pele da mão e perguntou a Críton: “Você acredita que Sócrates seja isto, que podem matar-me? Eu sou minha alma, eu sou imortal.”

Nós somos o conjunto de nossas obras, algumas maiores, outras nem tanto, poucas notórias.

A sua, David é notória, sem dúvida eclética e notória.

Aveoé, Avoé, Avé, Ave, Salve.

Salve às vidas de onde você veio
Salve Sra. Maria, Salve Sr. Artur

Salve à vida onde você se estabeleceu.
Salve Sra. Maria Beatriz

Salve às vidas que você legou
Salve Rafael, Salve Eduardo, Salve Kharina, Salve Laura.

Hoje, tenho antes de tudo, o prazer de saudá-lo, como quem vê, assiste, colabora, anda ao lado e corre, aprende, ri e chora, torce e se admira cada vez mais com a simplicidade e eficácia das suas soluções, no trato com as coisas da vida.

O complexo, no seu dia a dia, torna-se simples.

Salve David Cytrynowicz, salve.

Amadeu Armentano

 

David Cytrynowicz

Foi com muita honra que pude indicar e fazer aprovar nesta casa Legislativa o Título de Cidadão Paulistano a David Cytrynowicz.

Nascido na Alemanha, desde os seis anos de idade vive no Brasil e foi aqui que estabeleceu um currículo do mais alto gabarito. Tanto como empresário e executivo junto à indústria nacional, como na condição de profundo conhecedor da psicologia.

Sua ação no mundo empresarial se desenvolveu principalmente na Karibê SA, empresa na qual exerceu a Vice-Presidência. Já no âmbito da psicologia, David Cytrynowicz tem uma atuação ainda mais digna de registro. Seja como idealizador e coordenador do Projeto Alcance - de enorme importância social -, ou como fundador da Associação Brasileira de Daseinsanalyse, entidade da qual se tornou Vice-Presidente posteriormente. Nesse campo, é importante lembrar as contribuições de Cytrynowicz realizadas através de palestras, cursos e várias publicações.

Não bastasse essa rica e consistente contribuição- por si só suficiente para justificar um Título de Cidadão Paulistano- David Cytrynowicz mantém um sólido e profícuo compromisso com o esporte.

Como membro e dirigente da Corpore David Cytrynowicz tem atuado a favor do esporte, particularmente das corridas de rua. É de homens como ele que o esporte nacional precisa para ganhar definitivamente o reconhecimento de sua importância como atividade de inclusão social.

É particularmente feliz a coincidência de que esse título esteja sendo entregue por mim a David Cytrynowicz justamente hoje. Como foi amplamente divulgado, ontem foi encerrado o campeonato mundial de judô, no Rio de Janeiro.

Conquistamos três medalhas de ouro e uma de bronze. É nesse clima de festa que entrego a David Cytrynowicz o Título de Cidadão Paulistano.

Aurélio Miguel




 
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Por: Marcel Trinta

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