Siga a Corpore
A Corpore LinksContato
 

Minha História- Márcio Moretti

15/10/2007, por Corpore
Voltar para Menu das Histórias de Corredor

OS TEXTOS SERÃO REVISADOS E EDITADOS SEGUNDO CRITÉRIOS DE REDAÇÃO CORPORE.ORG.BR
Exclusivo para Associados Corpore

Márcio Moretti

Estreando na Meia-Maratona do RJ

Minha história começou dia 4 de março de 2007 quando resolvi ceder ao insistente convite de um grande amigo maratonista a conhecer o tal mundo das corridas. Sinceramente, achava uma grande loucura acordar cedo para correr, ainda mais eu, que não trocava uma boa balada por nada no mundo. Apesar de sempre ter praticado esportes, fazia por puro lazer, sem regras ou treinos rigorosos. Nunca passou pela minha cabeça a hipótese de deixar de curtir o final de semana, sair e acordar tarde, para correr. Não entendia como alguém era capaz de gostar de fazer isso e ainda achar divertido.

Sou produtor de TV e sempre amei meu trabalho, mas a rotina das gravações e o dia-a-dia agitado só me davam mais certeza que o final de semana havia sido feito para curtir e descansar. Por vezes, tentei mudar a ótica deste meu amigo Rodrigo, dizendo que ele estava perdendo tempo e grandes festas. Em contrapartida, sempre ouvia a resposta dele com um tom sereno de que um dia eu mudaria meus conceitos e ainda correria com ele.

De tanto ele falar, a curiosidade começou a tomar espaço, até que bateu mais forte e decidi participar da abertura do circuito Corpore de 5km. No entanto, acabei me rendendo a uma baladinha no sábado anterior a corrida, chegando em casa por volta das 2h00. Coloquei o relógio para despertar e fui dormir. Quando o alarme tocou, desacreditei estar levantando tão cedo para fazer algo que por vezes critiquei, mas já havia me comprometido com o meu amigo em ir, então, tomei um café leve e fui para USP.

No caminho, me questionei se valeria à pena perder meu sono, isso sem contar com o mau humor que tomava conta de mim. Mas, tudo se dissipou, quando fui recebido pelo Rodrigo com um sorrido acolhedor e vi aquela agitação das pessoas retirando seus kits, as equipes incentivando os atletas, enfim, é uma energia contagiante, inexplicável.

A corrida foi incrível! Ver todas aquelas pessoas que nunca tinha visto antes gritando, apoiando e aplaudindo me fez sentir único, a sensação é indescritível. A partir daí, descobri que aquela emoção supria qualquer balada e que valeria a pena conhecer mais sobre esse mundo fascinante.  Todas essas descobertas foram apoiadas e comemoradas.

Vieram diversas provas depois desta, cada vez mais treinadas e equipadas com as diversas possibilidades que um corredor em estado de empolgação pode desejar. Tênis apropriado, frequencímetro de presente da namorada e os inseparáveis gels de carboidrato. Até que após seis meses de provas, surgiu possibilidade de correr a Meia Maratona do RJ que aconteceria dia 02 de setembro de 2007.  

Foi um misto de espanto e alegria, já que o circuito da prova é de 21 km e meu limite estava em 12km. Após muita reflexão, decidi acompanhar meu grande amigo e tentar fazer 15km. Mais uma vez o incentivo foi indispensável, pois ficamos hospedados na casa de uns amigos cariocas, que apesar de não serem corredores nos deram toda a assistência e a eles só temos a agradecer.    
 
Apesar de toda a receptividade, a bela paisagem e a emoção algo em mim dizia que essa prova não sairia como planejado, pois, na noite anterior eu senti uma leve dor no tendão do pé direito o que me deixou muito preocupado. Já estava tudo combinado, um colega carioca nos deixaria na praia de São Conrado para a largada, me esperaria no km 3 e me levaria de carro até o km 11º para aguardar meu grande amigo que faria todo o percurso e assim poderíamos completar a prova juntos.

A noite anterior à prova foi de insônia, medo por causa da dor no tendão e do calor que tinha feito durante o dia e que poderia diminuir o desempenho durante a prova. Sem contar, a adrenalina que estava a mil, parecia que não amanheceria nunca, mas enfim, o dia clareou e fomos para a praia de São Conrado. Chegando lá uma grande surpresa, cerca de 15 mil pessoas naquela grande festa do esporte, um dia nublado, característico da cidade da garoa, 19 graus, enfim, mais que perfeito para uma boa prova.

E foi dada a largada, era lindo tudo aquilo, fui curtindo cada passada e quando eu já estava preparado para deixar a prova e ir ao encontro do colega carioca que me levaria ao 11 KM, o coração que já estava a mil começou a dar sinais de que o dia seria totalmente inusitado e marcante, pois ele não estava no local combinado. No meio da prova, liguei para saber o paradeiro dele, que remarcou um novo km, o 11º, devido ao trânsito. E novamente ele não apareceu.

Nessa hora, bateu uma sensação de desespero, pois sabia que com apenas seis meses de corridas curtas de 10km seria difícil conseguir liberar endorfina o suficiente para completar a prova. Foi então que olhei para o lado e vi a serenidade na expressão do Rodrigo. O que foi um incentivo ímpar; de repente fui acometido por uma concentração imensa, que trazia em si uma carga extra de superação.
           
Destacamos um novo plano de corrida aonde faríamos juntos até o km 15, o Rodrigo sairia na frente para manter seu tempo treinado e, ao completar, voltaria pelo sentido contrário para finalizar comigo este possível sonho. E assim, todo o percurso passava de uma forma absurdamente anestesiante pela paisagem, inibindo um cansaço evidente, que era dissipado pelos aplausos de milhares de cariocas pela pista. Até que o ponto da separação chegou, foi um momento difícil, dali em diante me atentei apenas ao asfalto e minha freqüência cardíaca. Abstive-me do tempo e dos marcadores de kilometragem.
           
Contudo, ao entrar na praia do Flamengo, pude ver ao lado contrário os pontas da prova finalizando seus desafios, foi aí que toda a minha concentração e determinação em não me atentar ao tempo foi acionada, pois tive certeza de que ainda faltavam aproximadamente 6km para o fim da prova, nessa hora fui tomado pela angústia. Tentei me acalmar e controlar as dores no joelho direito quando fui dominado por uma crise de choro compulsiva.

Foi então que uma força surreal me fez seguir com um novo objetivo: incentivar os companheiros que iam parando pelo meio fio. Quem via imaginava que eu estava passeando pelos últimos 4km, puxando com uma empolgação absurda os possíveis desistentes e foi aí que eu ganhei uma energia extra. Éramos parceiros, mesmo não nos conhecendo, perseguindo um mesmo ideal: completar aquele sonho.
           
Chegando ao 19 km, comecei a ligar a possibilidade de encontrar meu amigo já voltando para me acompanhar na tão esperada chegada, foi aí que a crise de choro resolveu voltar ainda mais forte. Minutos depois o avistei e esse era a gota que faltava para liberar toda a emoção que eu estava sentindo. Era um entusiasmo mútuo, pois, estávamos juntos na etapa final e prestes a completar a prova e uma meta inesperada para mim.
           
Fortalecido pela presença dele, forcei o passo; controlado por uma freqüência cardíaca ótima, fui incentivado por ele a olhar meu tempo de prova, foi aí que a empolgação chegou ao auge. O frequencímetro marcava 1h 58min e 30s, o grito na garganta se modificou para um sprint, tirando combustível da emoção e do incentivo de quem ficou em São Paulo, como a família, minha grande staff e namorada Andréia e é claro esse amigo e companheiro ligado agora por mais uma história de garra e luta.
           
Enfim, cruzei a linha de chegada em 1h 59 min e 53 seg. e a partir daí entreguei à minha vida a um novo ideal, pois, entendi que vencer 21Km superando toda e qualquer expectativa, diante de milhares de pessoas, em uma cidade simplesmente maravilhosa, era a maior prova de que nenhum obstáculo é instransponível. Hoje me sinto mais forte e confiante e sei que todos nós estamos suscetíveis a imprevistos, mas que transpor os desafios é apenas uma questão de força de vontade e isso comprovei que tenho de sobra.

Associado Corpore: Gostou da história que acabou de ler? Pois então colabore com esta coluna. Divida suas histórias com outros corredores. Para isso, nos envie seu texto* e imagens** para [email protected] e aguarde a publicação aqui no site! Participe!!

 



 
Últimas notícias
Centro Histórico 2019
Meia Maratona 2019
Análise genética potencializa resultados de dietas e ati ...
Livro do Murakami
Treinamento Mental
Certificado AIMS Meia Maratona
Pesquisa dor nos ombros
Sedentarismo no Brasil
Global Running Day
Meia Maratona 2018
Centro Histórico 2018
 
Por: Corpore

2002-2019 Corpore. Todos os direitos reservados. Política de privacidade
Orgulhosamente desenvolvido pela FTECH