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Entrevista - Fabiana Murer

03/12/2007, por Marcel Trinta

Medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos, quebra do recorde sul-americano (4,66m), estabelecido em fevereiro no Meeting de Paris, 6ª colocada no Campeonato Mundial, disputado em Osaka, Japão. Esses são apenas alguns dos resultados obtidos no ano de 2007 na vitoriosa carreira de Fabiana Murer, 26 anos.

Nascida em Campinas, começou a praticar o salto com vara aos 16 anos, após desistir da ginástica artística. Logo conseguiu obter ótimos resultados e, através do destaque conseguido em 2007, Fabiana foi indicada para Melhor Atleta do Ano no Prêmio Brasil Olímpico 2007, organizado pelo COB, no qual o vencedor sairá através do voto popular. “Se eu conquistei vocês com meu trabalho e se vocês se emocionaram com meus saltos, votem em mim para melhor atleta de 2007”, disse a atleta. Para votar clique aqui. A votação acontece até o dia 10 de dezembro.

Mesmo não sendo uma corredora, Fabiana tem um grande contato com o movimento das corridas, participando de eventos e, inclusive acompanhando corridas infanto-juvenis organizadas pela Corpore.

Confira abaixo entrevista com a atleta, saiba mais sobre sua carreira e sua relação com as corridas de rua.

Seu primeiro contato com o esporte foi realmente com a ginástica artística?
Sim, quando eu tinha 7 anos minha mãe me levou para fazer ginástica pois algumas amigas da escola faziam.

Como foi a mudança para o salto com vara?
Quando eu estava com 16 anos comecei a pensar em parar a ginástica pois eu cresci demais e sabia que não chegaria a ser uma grande atleta. Mas queria continuar fazendo esporte. Então meu pai viu um anúncio em um jornal em Campinas sobre um teste em uma escolinha de atletismo e sugeriu que eu fosse lá fazer. Fiz o teste que era corrida de 50m, 1000m e salto em distância, e fui super bem. Meu atual técnico, Elson Miranda, era um dos que estavam selecionando os atletas e me perguntou se eu fazia algum outro esporte. Quando ele soube que eu fazia ginástica, já me encaminhou para o salto com vara.

Começando dessa forma no salto com vara você esperava atingir esses resultados que está conseguindo?
O Elson sempre me disse que eu poderia ser uma grande atleta desde o 1º dia que ele me viu, mas nunca imaginei chegar no nível que estou hoje.

Este é o melhor momento da sua carreira?
O ano passado e esse ano foram os melhores anos da minha carreira, mas acredito que ainda tem muitas coisas boas por vir.

E como conseguir essas outras “coisas boas”?
Tenho muitos defeitos para melhorar na minha técnica e tenho a parte física também para crescer.

Esse ano foi importante para você ter um reconhecimento maior do público brasileiro?
Os Jogos Pan-americano foram importantes para isso. Como é uma competição importante e como foi no Brasil, teve uma visibilidade muito grande. As pessoas gostam de esporte e compareceram para assistir os Jogos e assim, passaram a conhecer o salto com vara e também a mim.

O grande público não tem muito conhecimento e não acompanha o salto com vara. Você acha que isso pode mudar?
Eu acho que isso já está mudando, as pessoas já estão começando a saber o que é salto com vara, mas nos próximos anos isso tende a crescer, pois o salto com vara vai estar cada vez mais na mídia por causa dos bons resultados que podem sair tanto no feminino como no masculino.

Você teve um período de treinos com a Yelena Isinbayeva. Quando foi e o que isso ajudou nos seus resultados?
Desde 2001 que faço intercâmbios com o técnico dela, o Vitali Petrovi, que foi técnico também do Sergey Bubka, recordista mundial. Esses intercâmbios foram muito importantes para o crescimento do salto com vara no Brasil. Conheci a Isinbayeva quando ela passou a treinar com o Vitali, em 2006, e nos encontramos em 2 intercâmbios. Foi muito bom ter conhecido e conversado com ela, pois isso me mostrou que eu também sou capaz de saltar. Ela é uma pessoa como eu com inseguranças e medos, mas se você tem um objetivo pode alcançá-lo.

Você esperava essa indicação para Melhor Atleta de 2007 pelo COB, através do Prêmio Brasil Olímpico?
Fiquei surpresa com a indicação, pois com tantas boas atletas que temos no país e ainda com a visibilidade dos Jogos Pan-americanos, tinham muitas atletas que eles poderiam escolher. Mas estou muito contente com a indicação.

O que significa para você essa lembrança?
Essa indicação mostra que estou fazendo um bom trabalho, pois o salto com vara está aparecendo e ficou marcado nas pessoas que fazem essa seleção. Então é um reconhecimento de todo o meu esforço e resultados.

Prêmio Brasil Olímpico

O Prêmio Brasil Olímpico, considerado o Oscar do esporte brasileiro, chega a sua nona edição

A escolha dos melhores atletas de cada uma das 50 modalidades esportivas é feita por um Colégio Eleitoral, composto por personalidades do esporte, dirigentes e jornalistas. Este mesmo júri indica três atletas masculinos e três femininos para concorrer ao prêmio de Melhor Atleta do Ano, cuja escolha é feita pelo voto popular.

Veja mais aqui.

O que isso pode significar para o esporte, já que você é a primeira atleta do salto com vara a ser indicada para atleta do ano?
O salto com vara é uma prova que não tem tradição no Brasil além de ser muito difícil, pois é muito técnica. Anos atrás eu assistia o Prêmio Brasil Olímpico apenas pela televisão sonhando em estar lá e hoje faço parte da festa. Então essa indicação mostra que tudo é possível se você treinar com vontade e com objetivo, que é possível se desenvolver e virar um grande atleta. Espero ser um exemplo de determinação principalmente para os que estão começando e fazer esportes sem tradição.

Nesses últimos anos, você esteve envolvida com as corridas, estando presente em diversos eventos. Como vê a corrida de rua hoje?
A corrida de rua é muito legal pois é um esporte barato e qualquer um pode praticar. Hoje em dia as pessoas estão mais preocupadas com a saúde e a corrida normalmente é a escolhida. Eu vejo as pessoas levantando cedo e indo participar das provas de corrida de rua. Elas vão lá, se esforçam, dão o máximo de si e tentam se superar, melhorar seu tempo. É muito legal ver essa superação e a alegria.

Qual a importância das pessoas praticarem esse esporte?
O esporte é importante para a vida. Você aprende a ter disciplina, objetivos, organização, tudo praticando o esporte. Não importa a idade mas sempre que entramos no esporte a disposição muda e o jeito de ver a vida.

Ele pode ser a “porta de entrada” para outros ramos do atletismo?
Acho que pode. Praticando a corrida você pode criar a curiosidade de aprender outras modalidades de tentar novos desafios. A corrida é base para quase todas as provas do atletismo. No salto com vara por exemplo, tenho uma corrida de aproximação de 32m, lógico que é mais veloz mas se você sabe correr, colocar velocidade fica fácil.

A corrida faz parte do seu dia-a-dia de treinos?
No período não competitivo tem bastante treinos de corrida. Vou confessar que o máximo que já corri na vida foram 40min, que dá mais ou menos 7km.

Você também já acompanhou algumas provas infanto-juvenis nossas. O que acha desses eventos?
Eu adoro esses eventos infanto-juvenis. Algumas crianças têm o espírito competitivo, querem ganhar, ficam olhando para o lado para ver se alguém vai passá-la e outras estão lá apenas para correr, se divertir. Eu tenho que parabenizar esses pais que levam seus filhos para correr, que incentivam, pois para a criança isso é muito importante para que elas gostem desse meio esportivo. Desde pequena eu sempre tive o apoio dos meus pais, eles sempre me acompanhavam e ainda acompanham quando é possível nas competições. E a Corpore também está de parabéns em propiciar eventos tão bonitos e legais tanto para adultos como para as crianças e adolescentes.



 
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