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Minha história- Álvaro Cavalcante

27/06/2008, por Corpore
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Exclusivo para Associados Corpore

Álvaro Cavalcante


13 de abril de 2008: data da Meia Maratona Corpore Açúcar União da Cidade de São Paulo. Fui a trabalho neste período e com dois meses de antecedência fiz minha inscrição da prova. Dois dias antes, tomei umas cervejas com minha irmã no Guarujá, e não conseguia desprender a concentração da prova, tanto é que no dia seguinte, sábado, corri levemente 10km para perder o álcool ingerido e soltar as pernas que estavam “nervosas”.

4h50: toca o alarme do celular. Fazia algum tempo que não sentia este tipo de nervosismo. Cuidadosamente, preparei minha roupa de competição, ingeri pão, suco de laranja e uma maçã e as 05h10 sai rumo à USP, em São Paulo, para me juntar a mais doze mil apaixonados. A manhã era fria e os primeiros raios de luz abriam caminho entre os bosques da Cidade Universitária (local da maior parte da corrida). Parei o carro a 1,5km de distância do início da prova, e milhares de pessoas já estavam fazendo o mesmo. Em poucos segundos já havia conquistado uns amigos, desejando boa sorte, falando da corrida, cumprimentando-se, trocando olhares amistosos, dando sinal positivo com a cabeça, enfim, todos com o objetivo único de participar de umas das maiores provas do Brasil.

Para quem é esportista e particularmente corredor, não interessa a vitória ou derrota, que posição vai ou não chegar, se o terreno é plano ou se tem subida, se vai fazer calor ou frio, mas o simples e maravilhoso fato de simplesmente correr.

Momentos inquietos passaram também em minha mente: não treinei na última semana, estou com uma grave tendinite na perna direita, não fiz dieta nos últimos 10 dias, estou fazendo um treinamento específico para provas mais longas, estava adoentado com febre, dor de garganta e corpo dolorido, mas eu tinha ido para simplesmente correr, razão maravilhosa que mais me motivava naquele instante.

Lembrei da minha namorada Gisele, que acha meio maluco esse meu desejo de correr sem fim e dos meus amigos Ricardo e André que me incentivam a cada prova e treino, da minha mãe falando que era perigoso correr doente, do meu pai dizendo que era melhor ficar em casa dormindo, dos meus companheiros de trabalho que ficam fazendo brincadeiras, dizendo que chegar em último já é muito, ao invés de falarem menos e cuidar mais da saúde, enfim, dessa mistura de sentimentos, preocupações e desafios que me impulsionavam cada vez mais para correr.

7h20: o frio é quebrado por um DJ que coloca músicas espetaculares em alto som, pessoas dançando ao ritmo delas, todos deixam de ser corredores para viraram dançarinos, um balé agitado em meio aquela quase tensão pré-corrida. TUM. Soa o estampido da saída e todos iniciam sua marcha, a busca dos 21km mais alguns metros.

Os quenianos e profissionais do nosso país numa arrancada espetacular, nós amadores de ponta num ritmo forte buscando cada um seu objetivo pessoal. No percurso me deparei com muita água, pessoas aplaudindo e gritando seu nome (porque no número de peito o nome de cada um aparecia junto à camisa), e o mais incrível dentro dos túneis DJ com músicas contagiantes e jogos de luz, abrilhantavam e incentivando todos participantes, e nesta hora, confesso, lágrimas caíram. Grupos de músicos peruanos, pagode, abrilhantavam por completo aquela festa.

Todos os quilômetros marcados e condizendo com a marcação do meu GPS credibilizavam ainda mais aquele show. Fiscais em todo percurso, espaço totalmente delimitado aos corredores, etc. Com 15 km senti um desconforto abdominal que carreguei até o fim da prova me retardando um pouco nos quilômetros 20 e 21, mas que em nada irradiasse minha felicidade. Ao terminar e quase passar mal pelas condições de febre até então displicentemente ignoradas, fui amparado por médico e assistentes que perceberam meu desconforto, mas logo sorri e disse que estava tudo sobre controle, que era somente emoção.

Ganhamos camisetas lindas, medalha excepcional, frutas, água, Gatorade, sanduíche e a certeza de que não foi só apenas uma corrida, mas um dia de sonho realizado, um dia de amor que é para ser compartilhado para aqueles que amam o que faz, sendo no seu trabalho, na sua vida pessoal, para toda vida.

Álvaro de Menezes Cavalcante
Tempo na Meia Maratona: 1h 42’ 15s
Longe do objetivo final, pois ele ainda não foi definido por mim, mas acima de qualquer ser humano normal que tente ousar correr essa distância e estar pronto no outro dia para repetir a dose se for preciso.

Seja apaixonado por aquilo que você faz e seja vencedor na vida.

Abraços a todos
Bons treinos. 

Álvaro Cavalcante 

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