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O boom das corridas de rua - 03/08/09

04/08/2009, por Corpore


Matéria publicada no Meio e Mensagem traz dados sobre o mercado da corrida de rua e ações de marketing relacionadas.

O boom das corridas de rua

Número de adeptos não para de crescer, aquecendo o mercado editorial e atraindo novas ações de marketing.

ALINE BELATII KÜLLER

É impossível deixar de notar o fenômeno em que se transformou a chamada corrida de rua: já são mais de 600 provas realizadas em todo o País e 100 mil associados e clubes de corridas, sendo que 37,8% dos praticantes correm três vezes por semana, 33,8% correm há mais de cinco anos e 66% têm entre 30 e 49 anos. Os dados da Federação Paulista de Atletismo (FPA) mostram que, apenas em São Paulo, em 2008, foram 372.352 corredores inscritos em provas.

Com a grande demanda por competições, algumas agências viram uma boa oportunidade de negócios e acabaram se especializando em marketing para esse tipo de evento. Para Ricardo Santos, sócio-diretor da Milk Comunicação Integral, esse crescimento de corridas nem é tão recente. "O boom foi de 2005 e 2006, mas só agora é que a mídia está cobrindo", acredita.

A Milk é um exemplo de agência que migrou para a running em busca de projeção. Segundo Santos, a mudança começou com o projeto de corrida Tylenol AP e o clube de relacionamentos para médicos ortopedistas trazido por seu sócio, Rodrigo Raso, para a empresa. O projeto cresceu e continua até hoje - já são quatro anos de duração.

Na avaliação dele, o tema favorece a realização de negócios, pois é agradável, deixa as pessoas bem-humoras e permite a conquista de clientes maiores. Quando a agência começou nesse ramo, em 2006, tinha apenas um cliente, e hoje sua carteira conta com 14, para os quais realiza 47 provas. Esses números devem dobrar até o fim de 2009.

Outra agência que vem se destacando nesse cenário é a Pepper Comunicação Integrada, do empresário Anuar Tacach, que realiza cerca de 300 corridas anualmente na Grande São Paulo. O próprio Tacach corre há 15 anos e, participando de eventos no exterior, percebeu que o Brasil tinha potencial para promover provas do mesmo porte. Atualmente o esporte representa de 20% a 25% dos negócios da agência. "Não organizo a corrida. Ela é minha, eu vendo as cotas", explica. A empresa toca três grandes projetos: Corporate Run, Kids Run e Fashion Run.

Já a Iguana Sports começou nesse ano em 2006, organizando o Circuito das Estações e realizando quatro corridas por ano. Agora são 50 provas, a grande maioria em percursos de 10 quilômetros. Circuito das Estações, Eco Run, Night Run, Venus, 10 Milhas Mizuno e Maratonas do Pão de Açúcar são alguns dos eventos promovidos pela empresa.

Mas o grande lançamento da Iguana para a temporada é a Corrida SP-RJ, Desafio dos 600K da Nike, na qual é responsável por toda a organização e pela parte técnica. A disputa começa no dia 22 de outubro, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e termina três dias depois, na praia de Ipanema, na capital fluminense.

A Corpore é outro nome forte no mercado, com o diferencial de ser a única empresa sem fins lucrativos. Fundada no início da década de 80, começou nos anos 90 a cuidar da organização de elementos que fossem do interesse dos corredores, bucando novos nichos e trajetos.

ESTÍMULO INTERNO

As agências são unânimes em afirmar que o custo de uma corrida é alto, pois envolve uma grande operação, por isso a necessidade de procurar parceiros. "Nenhuma prova é autossuficiente", enfatiza David Cytrynowicz, diretor-presidente da Corpore.

Outro fator que tem ajudado crescer o mercado é a procura por parte das próprias marcas para patrocinar corridas de ruas, com base em pesquisas que comprovam que funcionários adeptos de atividas físicas diminuem o número de faltas por doenças e trabalham com mais empenho.

A intenção das empresas é associar suas marcas ao conceito de qualidade de vida e interagir com esse público, ou mesmo com os próprios funcionários, pois a corrida também é vista como forma de criar uma ligação entre pessoas e promover novas amizades, sem barreiras de hierarquia e camadas sociais.

Para Ricardo Santos, da Milk, o motivo do investimento das marcas é financeiro. "Melhorando a qualidade de vida dos funcionários a empresa tem benefícios financeiros, passando a economizar com saúde e tendo trabalhadores mais saudáveis, além da exposição da marca", enumera.

Grande parte das empresas envolvidas nas provas é do setor esportivo, como Adidas, Nike, Mizuno e Fila, mas o segmento tem atraído anunciantes de vários setores, como financeiro (Caixa Econônica Federal, BB Seguros), químico (Bayer, Braskem), de cosméticos (Avon), transportes (TAM), eletroeletrônicos (Sony Erickson, Philips), dentre outros.

O crescimento do esporte impulsionou o lançamento de publicações específicas para esse público. A Revista O2 está no mercado desde 2003, quando o esporte ainda não era febre nacional. "Não havia esse boom, mas já previa esse crescimento, pois acompanhava o crescimento acelerado no mercado dos Estados Unidos", conta Eliane Verderio, publisher da O2 e sócia-diretora da Iguana Sports e Esfera BR e Mídia.

Segundo ela, a quantidade de eventos é o principal atrativo para alavancar as vendas. Em 2008, a publicação teve circulação paga mensal de 9 mil exemplares, segundo números do Instituto Verificador de Circulação (IVC). A tiragem declarada é de 20 mil exemplares mensais.

A Editora Abril entrou nesse segmento em novembro de 2008, com o lançamento da Runner's World. Sergio Xavier, diretor de redação, conta que tinha a ideia de lançar uma revista de corrida no Brasil há muito tempo, e com o sucesso da Men's Health (também publicada aqui pela Abril), que vende 120 mil exemplares mensais, o projeto ganhou força. "Ficou a sensação de que havia público para um lançamento específico nesse segmento", explica.

O grupo optou por adaptar uma publicação estrangeira - a Runner's World está presente em 15 países. A escolha se mostrou correta, pois a edição brasileira já é a quarta em venda e tem alcançado resultados superiores ao esperado: a circulação já está na casa dos 50 mil exemplares mensais, segundo o IVC (período de janeiro a maio de 2009).

Xavier ressalta que a Runner's World não é bem uma revista de corrida: "É mais de qualidade de vida, que utiliza a corrida como instrumento, pois ela promove transformações que outros esportes não oferecem. E qualquer pessoa pode correr", acredita. (ABK)

 



 
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