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Minha história - Flávio Leal

27/10/2009, por Corpore
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OS TEXTOS SERÃO REVISADOS E EDITADOS SEGUNDO CRITÉRIOS DE REDAÇÃO CORPORE.ORG.BR
Exclusivo para Associados Corpore

Flávio Leal

A BELEZA E A LIBERDADE DE AMSTERDAM EM 42K



Comecei a correr em 2006 através do incentivo de um grande amigo e irmão que trabalhava comigo (Rodrigo Araújo) e de lá para cá, já encarei provas nacionais de 5k, 10k, 10 milhas, Meia maratona de SP e do Rio, enfim, foram mais de 30 corridas em que participei com entusiasmo por estar testando os meus próprios limites (hoje até dou risada só em pensar que quando comecei, não conseguia correr nem 2 minutos direto na esteira da academia e já ficava ofegante). Só que agora, eu estava em busca de vôos maiores: A maratona.

Depois de três anos me dedicando às corridas, resolvi que não iria postergar mais a realização da primeira maratona, e defini que 2009 seria o ano decisivo para encarar esse desafio. Tive duas tentativas frustradas na maratona de SP e do RJ, mas perdi o tempo de treinamento e já tinha abandonado o objetivo de correr essa prova, pois o calendário de 2009 no Brasil já tinha passado, mas um dia numa conversa com um amigo (Felipe) sobre as corridas, contei para ele das provas que tinha participado e que estava com um sabor amargo na boca, pois o meu objetivo maior era correr a maratona. Após isso, as esperanças se renovaram mais uma vez quando ele me perguntou: “...mas por que você não faz a maratona fora do país? Ainda dá tempo para se inscrever”. Depois ele continuou “...entre no site da maratona e veja se está a fim de encarar o desafio mesmo...”. Meu coração foi a mil por hora e eu comecei a pensar milhões de coisas: tudo que eu já tinha treinado, os “fracassos” passados em SP e no RJ, se daria tempo de me preparar adequadamente para a corrida, se eu teria disciplina e levaria o treinamento a serio, etc. Fiquei alucinado e senti meu sangue correr pelas veias com toda força. Lá estava eu novamente contaminado pelo vício da corrida e com as esperanças renovadas.


Pensei por uma semana e então veio a decisão, liguei para ele e disse que iria encarar a maratona sim e que retomaria os treinos naquele instante. Pronto, lá estava eu tendo a oportunidade de enfrentar mais um desafio em minha vida: “CORRER A PRIMEIRA MARATONA DA MINHA VIDA, DETALHE, EM AMSTERDAM NA HOLANDA”. Na semana seguinte, estava tão empolgado e ansioso que corri quase todos os dias da semana, rodando 60km e fechando o domingo com a corrida 10 milhas da Mizuno realizada na USP.

A partir daquela data, decidi então que não abandonaria mais as pistas nem se estivesse caindo um temporal e assim o fiz até o final dos preparativos. Foram quase quatro meses de treinos pesados, período esse em que adquiri muita disciplina, força e determinação e isso já me fez sentir um vencedor, pois estava enfrentando os meus próprios medos e limitações.

Já em Amsterdam, fui até o histórico estádio olímpico um dia antes da maratona para retirar o meu kit, e logo que cheguei a frente, por um momento mais do que mágico, me imaginei entrando no estádio correndo para concluir a maratona com a torcida me ovacionando, nesse momento meus olhos se encheram de lágrimas e então eu senti meu coração bater mais forte, depois disso, respirei fundo e fui mais confiante retirar o meu kit.

Domingo, 18 de Outubro, tinha chegado o tão sonhado dia da Maratona, não dormi nada durante a noite de tanta ansiedade. Entrei no estádio e o sonho estava se materializando com aquela multidão nas arquibancadas gritando palavras de incentivo, fazendo festa, logo senti uma emoção diferente que tomou meu corpo inteiro, pois estava eu ali mais próximo da maratona do que eu poderia imaginar. Comecei a chorar de emoção antes mesmo da largada.

Às 10h30 soou o alarme, pronto, a corrida tinha começado naquele instante e lá fui eu em busca do meu maior e mais difícil desafio. Como eu estava no bloco azul, consegui ver a largada da elite, que foi sensacional com o pelotão de elite saindo a toda velocidade, e em poucos segundos, tive uma verdadeira aula de foco e concentração através dos passos dos kenianos, etíopes, entre outros.

Tinha chegado a minha hora, iniciei a prova num ritmo bem tranquilo e mentalizando a estratégia que eu tinha definido para terminar bem a maratona. Minha preocupação maior era me poupar para resistir aos 42km.

No quilômetro 4, entrei no Vondelpark, o mais famoso parque de Amsterdam, um percurso maravilhoso que durou uns 3 quilômetros. Depois, até o quilômetro 10, a paisagem era bem urbana, com uma arquitetura bem peculiar e apaixonante, mas sempre cheio de árvores, parecendo uma cena de cinema, depois disso, entrei no que para mim foi o melhor trecho da corrida, onde fui correndo na beira do rio Amstel com o sol radiante do outro lado, foi sensacional. Fiquei encantado com a paisagem entre fazendas, verdes pastos, moinhos e a corrida passou a se tornar um verdadeiro passeio turístico, pois eu não podia deixar de apreciar tamanha beleza natural.

Fui bem até o quilômetro 28 já em área urbana, pois a partir daí, meu corpo começou a sentir o cansaço, mas eu estava sempre resgatando minha concentração e alinhando corpo e mente para resistir ao esforço. Fechei os 30km antes de 3 horas e comecei a pensar que a corrida só estava começando. Isso renovou minhas forças para seguir em frente. Chegando no quilômetro 37, comecei a entrar em um dos momentos mais difíceis da corrida, pois ainda faltavam 5km para terminar, mas como bom brasileiro, fui guerreiro e não me intimidei, continuei com minhas passadas firmes em busca da conquista de um sonho que estava muito próximo de ser realizado por completo.No quilômetro 38, entrei na reta final do percurso novamente dentro do Vondelpark, e partir daí foi só coração, pois já nem sentia mais minhas pernas. Peguei minhas energias restantes e distribuí mentalmente por todo o corpo, foi incrível minha resistência durante o percurso, me impressionei com o meu despenho e não sabia que eu era capaz de tal proeza. Abri o quilômetro 41 com um sentimento de vitória explodindo em meu coração, afinal, faltavam pouco mais de um quilômetro para o final. A partir daí foi só “festa”, abri o quilômetro final com um sorriso de orelha a orelha, afinal, depois de 42km enfim tinha chegado no estádio olímpico. Eu já estava exausto, porém minha mente e minhas pernas pediam para eu continuar correndo em busca dessa conquista, e assim o fiz até cruzar a linha de chegada com muita alegria e emoção.


Já entrei no estádio chorando e acenando para a torcida que gritava atônita, pois eu estava a menos de 200 metros de completar a tão sonhada maratona. Cruzei a linha de chegada em 4h14min49seg chorando como uma criança, mas um choro de felicidade, de pura emoção, pois a partir daquele momento eu tinha tornado UM VERDADEIRO MARATONISTA.

Estava feliz e um pouco “atordoado”, mas com um sentimento de realização completa. Meu coração bateu forte, mas tão forte que chorando conclui: Terminei os 42Kms porque corri com o coração. Ergui as mãos aos céus e agradeci a Deus por tamanha conquista e também a todos aqueles que me ajudaram e torceram por mim.

Estava eu ali em pleno Estádio Olímpico, feliz por ter terminado e realizado por ter superado o meu maior concorrente: eu mesmo!

Todas as dificuldades que passei se tornaram insignificantes perto da alegria que senti ao completar a prova e gritar: “AGORA SIM, SOU MARATONISTA COM MUITO ORGULHO”.

I AMSTERDAM, I AMARATHONER”

Obrigado a todos e até a próxima maratona!

Flávio Leal, 27 anos, profissional de marketing e agora o MARATONISTA MAIS FELIZ DO MUNDO!

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