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Correndo por prazer - 27/11/09

Matéria publicada no Guia da Semana fala sobre o perfil dos corredores e o potencial de crescimento do setor no país.

Correndo por prazer

Endorfina e viagens pelo Brasil e exterior movem a paixão pela corrida

Bruno César Dias

O Guia da Semana adverte: Correr causa dependência de endorfina e de experiências, sejam afetivas, sociais e psicológicas. Para repetir e aumentar as doses, os praticantes pegam a estrada e aproveitam para conhecer novos lugares, provando que é possível aliar saúde e cultura.

É só dar uma volta pelo bairro para ver gente correndo em praças, ruas, parques e avenidas. Um levantamento da Corpore (Corredores Paulistas Reunidos), maior associação da América Latina, mostra o salto do número de adeptos das corridas de rua. Em 1997, foram 9.430 inscritos nos eventos da entidade. Já em 2005, mais de 103 mil - sem contar os outros tantos que seguem as provas por conta própria.

São vários os motivos que levam as pessoas a pegar gosto pela prática: da preocupação com o corpo ao interesse em reforçar vínculos profissionais. Depois das primeiras conquistas, passam a treinar para aperfeiçoar as marcas e competir o próximo circuito.

No pé, um bom tênis e a estrada

É o caso de Ana Carolina Martins, carioca de 28 anos e urbanista. Convidada por um casal de amigas para participar de uma prova de rua promovida por uma marca de tênis, ela resolveu encarar. "Saí morta da primeira corrida, de apenas 5 km, mas adorei". Daí não parou mais. "Com os treinos, você vê como o corpo se recupera rápido e passa a querer mais", comenta Ana, que pratica quatro vezes por semana, correndo de 30 a 40 km. "A Lagoa Rodrigo de Freitas já ficou pequena para mim", ri a atleta amadora.

Essa primeira prova foi em março deste ano. Cinco meses depois, em agosto, pegou o carro e passeou pelo litoral com um grupo de amigos até chegar a Vitória, no Espírito Santo. O motivo: correr as 10 milhas de uma prova patrocinada por uma marca de chocolates. "Foram três dias ótimos. Fui às praias do litoral sul do estado, conheci Vitória e almocei em bons restaurantes". Em setembro, encarou os 21 Km da meia maratona do Rio. A prova juntou mais de 17 mil corredores. "A questão estética do corpo fica para trás depois que se descobre como correr faz bem, dá prazer e é gratificante". Ano que vem, Ana pretende estar na meia maratona de Buenos Aires.

Lado a lado com o Mickey


Para largar o sedentarismo e reforçar os laços com os colegas de trabalho, Edson Alves dos Santos, paulistano de 38 anos e analista de informação, resolveu entrar para o grupo de corrida do Grupo Pão de Açúcar, no qual trabalha na área de automação comercial, em 1999. Passados dez anos, já é um veterano amador e participou quatro vezes da São Silvestre.

Uma das experiências mais marcantes da vida de atleta de Edson foi participar da festiva e já tradicional meia maratona da Disney em 2003. O percurso começa no Epcot Center, vai até o Magic Kingdom e retorna ao ponto inicial. "Fomos em um grupo de 50 corredores e ficamos quatro dias em Orlando. Cansados de tanto fast food, encontramos no último dia um restaurante brasileiro. Foi minha primeira viagem internacional".

O vício da endorfina contaminou toda a família de Edson. Hoje, sua esposa o acompanha nas provas. A próxima será a Volta da Pampulha, em Belo Horizonte, no dia 04 de dezembro. O filho de 10 anos vai pelo mesmo caminho. "Ele vê os pais correndo e pede para participar".

Circuito Top


A prática que envolve adultos e crianças tem até nome oficial. Chama-se pedestrianismo e foi batizada pela Federação Internacional das Associações de Atletismo (IAAF). As corridas de pedestrianismo englobam toda a prova disputada em circuitos de rua, avenidas e estradas com distâncias oficiais variando entre cinco e 100 quilômetros (Km).

"A minha primeira prova foi em 2002. Fiz 6 quilomêtros suados e achei que nunca mais ia correr". Hoje, Martha dos Santos Pereira, paulistana de 46 anos, vai a pelo menos oito competições oficiais por ano. A última foi na segunda semana de outubro, em Pomerode, Santa Catarina. No início, a empresária corria para entrar em forma e comer sem culpa. "Me considero uma viciada, pois correr é muito bom e o principal prêmio é cruzar a chegada e ter o prazer de participar da prova para depois comer bem".

Ela alia o trabalho no ramo de turismo com o gosto pela corrida. "Procuro cidades menores e circuitos menos badalados, como o de Boston, onde estive em maio do ano passado. Fiz a prova em seis horas, pois fui parando e tirando fotos. É a melhor forma de ser conhecer uma cidade", confirma. Outros circuitos internacionais percorridos por Martha foram os de Paris, Lisboa e Egito.

Porém, a prova mais divertida foi a Midnight Run, em Nova Iorque. A competição acontece todo o ano na noite do Réveillon dentro do Central Park. "Participei na virada de 2004 para 2005. É um grande evento, com shows e apresentações. Muitos corredores vão fantasiados e os postos de hidratação servem água e champanhe. No final, todo mundo dançou ao som de uma banda de axé, acompanhado de chocolate quente e conhaque para suportar o frio de rachar", diverte-se Martha com a lembrança.

Mas nem se precisa ir tão longe para comer bem antes e depois das corridas. Quando participa da meia maratona do Rio, Martha vai ao Celeiro e ao Quadrucci nos dias antes da prova e comemora a conquista no rodízio de frutos do mar da Marius. Já Rafael Pereira Rego, estudante universitário carioca de 19 anos esteve em São Paulo para correr a São Silvestre no ano passado. Aproveitou a estada para jantar no Fasano, na Praça São Lourenço e revisitar o Masp. "Correr é estar em trânsito e conhecer lugares, sempre em busca de algo mais".


Curiosidades

No passado: Estima-se que nossos ancestrais percorriam em torno de 20 a 40 km por dia para caçar, pescar e colher frutos e raízes. Hoje, as atividades rotineiras urbanas fazem com que caminhemos somente 2 km por dia.
  
Surgimento: As corridas de rua surgiram e se popularizaram na Inglaterra no século XVIII. A maratona, prova mais tradicional dos circuitos de rua, é realizada desde a primeira Olimpíada, na Grécia, em 1898.

O cooper: Por volta de 1970, o médico norte-americano Kenneth Cooper criou o "teste de Cooper", mostrando os benefícios da prática da corrida. Daí a popularização do termo cooper  para designar corridas leves entre nós, brasileiros. Em inglês, a palavra é jogging.

Para todos: Na mesma década de 70, foi permitida a participação popular nas provas de rua junto com os corredores de elite, porém com largadas separadas para os respectivos pelotões
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