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Repórter Corredor - Veja as respostas de Clodoaldo Silva

02/03/2010, por Marcel Trinta

Confira a entrevista que a comunidade de corredores nos ajudou a fazer com esse grande atleta.

Gostaria de saber qual o incentivo do Governo Federal, se existe alguma ajuda de custo para nós atletas com necessidades especiais. Se sim qual é o caminho das pedras?
Henrique Mendes Pereira
Mogi das Cruzes-SP

Olá Henrique!
A Lei Agnelo/Piva foi lei sancionada pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso , em 16 de julho de 2001, estabelece que 2% da arrecadação bruta de todas as loterias federais do país
sejam repassados ao Comitê Olímpico Brasileiro e ao Comitê Paraolímpico Brasileiro. Do total de recursos repassados, 85% são destinados ao COB e 15%, ao CPB.

A Bolsa Atleta foi criada com o objetivo de garantir uma manutenção pessoal mínima aos atletas de alto rendimento, que não possuem patrocínio, buscando dar condições para que se dediquem ao treinamento esportivo e participação em competições visando o desenvolvimento pleno de sua carreira esportiva.

Foram criados quatro níveis:

Estudantil: R$ 300,00
Nacional:  R$ 750,00
Internacional: R$ 1,500,00
Paraolímpica R$ 2,500,00

Essas duas leis beneficiam  o esporte paraolímpico.:

Clodoaldo bom dia. Qual a sensação de subir no pódio pela 1ª vez com uma medalha de ouro no peito e ouvir o Hino Nacional Brasileiro?
Ricardo Henrique de Oliveira
São Paulo - SP

São três emoções distintas:

1ª emoção: Todos os atletas no bloco, esperando o apito de partida do árbitro: É dada a largada e o que escuto é o barulho das minhas braçadas e dos meus adversários. Final de prova: Olho para o placar e vejo meu nome em primeiro lugar. 

2ª emoção:  Estou no lugar mais alto do pódio, esperando alguém vir me premiar. É colocada a medalha de ouro em meu peito.

3ª emoção: Hino Nacional Brasileiro. Hora do arrepio, hora da adrenalina abaixar e para pensar o que está acontecendo. Vejo pessoas que não são do meu país em silêncio, respeitando o hino nacional. Penso na minha família e nas dificuldades que enfrentei para chegar no lugar mais alto do pódio. As lagrimas são inevitáveis.  Essa é a maior emoção!

O que eu poderia perguntar para uma pessoa tão maravilhosa?
Vamos lá: Clodoaldo, você pode me mandar a receita de tanta vitória? Além da sua dedicação, amor ao esporte, o que tem a dizer para as pessoas sobre superação? beijos e boa sorte.
Eliana Maria da Silva Oliveira
São Paulo-SP

O que falar de uma fã tão maravilhosa?
Durante o período que eu fiquei fora das competições (depois de Pequim e todo o ano de 2009) para me recuperar de uma lesão que me incomoda até hoje, confesso que tinha momentos que pensei em pendurar a minha sunga. Semanalmente, recebi dezenas e dezenas de mensagens de atletas e vários fãs de todo o país me dando forcas para eu continuar. Hoje, voltei a treinar firme e forte, tentando recuperar o tempo perdido e pensando exclusivamente, em 2012, nas paraolimpíadas de Londres.

Vou te passar a receita e o segredo para tantas vitorias. Mas, como eu falei: É segredo...

Segunda, Quarta e Sexta:
De 13h30m as 15h30m: piscina
Das 16 horas as 17: Academia
Das 18 horas as 21: Novamente piscina

Terças e Quintas:
O treino é de 13h30 as 21horas. A única coisa que muda, é que a academia é substituída para FLEXIBILIDADE, das 16 as 17

Sábado (Melhor dia)
Treinozinho de 3 horas

Domingo: Descanso que ninguém é de ferro.

Não tem sensação melhor que superar os próprios limites. O mais bacana é que todos, independente de ser deficiente ou não podem fazer isso. O seu adversário não é o seu inimigo, ele é apenas a pessoa que vai te motivar para que possa melhorar sua marca pessoal. Isso vale para o mundo esportivo e para o corporativo.

Caro CLODOALDO, gostaria de saber, desde o princípio de sua decisão de entrar para o esporte até o dia de hoje, qual a maior dificuldade já enfrentada?
Mauricio Werner Nerlich
São Paulo-SP

Não passei por uma única dificuldade. Posso elencar quatro?

Falta de condições da minha família: Muitas vezes chegava ao treino sem comer nada. Sabemos que não é recomendável realizar qualquer atividade física sem se alimentar.

Acessibilidade e a falta de sensibilidade das pessoas que não tem deficiência: Eu tinha que pegar dois ônibus (que não eram adaptados)para chegar ao treino e ainda tinha que dividir a rua com os carros: As calçadas estavam cheios de carros estacionados.

O melhor projeto, é aquele que só você acredita: Apesar deu receber apoio da minha família, não recebia apoio de quem mais eu achava que iria me apoiar, que eram amigos de piscina. Muitos (não todos) falavam que nunca daria certo na natação, que era melhor ir para outra modalidade. AINDA BEM QUE NÃO OS ESCUTEI.

Patrocínio:  Engraçado, os mesmo empresários que um dia me negaram um patrocínio, hoje, batem na minha porta para me patrocinarem.

Clodoaldo, em alguma competição que você participou, por acaso já deu vontade de desistir?
Jorge Cerqueira Souza Filho
Rio de Janeiro -RJ

Paraolimpíadas de Pequim. Tenho certeza que todos acompanharam a grande polêmica que aconteceu comigo na cidade chinesa.  Pois bem, o regulamento do Comitê Paraolímpico Internacional (IPC), fala que um atleta que passa por três avaliações funcionais internacionais, será um atleta PERMANENTE em sua categoria. Eu passei por uma avaliação no Brasil e quatro avaliações internacionais. Todas deram categoria 4.  O IPC passou por cima das suas próprias regras e fui obrigado a me submeter a mais uma avaliação.

Sabedor das regras e chateado em ver os meus direitos desrespeitados pensei e até falei que não participaria. Fui convencido pelos meus companheiros de seleção a voltar atrás da minha decisão e acabei disputando a paraolimpíada de Pequim.

Para entender a classificação na natação paraolímpica:

O atleta é submetido à equipe de classificação, que fará testes de força muscular, mobilidade nas articulações e testes motores (realizados dentro da água). Vale a regra de que quanto maior a deficiência, menor o número da classe. As classes sempre começam com a letra S (swimming) e o atleta pode ter classificações diferentes para o nado peito (SB) e o medley (SM).

S1 a S10 / SB1 a SB9 / SM1 a SM10 – nadadores com limitações físicas.
S11, SB11, SM11 S12, SB12, SM12 S13, SB13, SM13 – nadadores com deficiência visual ou cegueira total (a classificação neste caso é a mesma do judô e futebol de cinco).
S14, SB14, SM14 – nadadores com deficiência intelectual.

Sabemos que no Brasil o esporte paraolímpico não é tratado como deveria ser, diria até que é maltratado. Como e onde você encontrou forças no início de sua carreira para vencer esse preconceito e a falta de apoio? E como você vê o esporte paraolímpico hoje?
Aldo Campos Kozlowsky
Rio de Janeiro-RJ

Infelizmente, essa dificuldade não é só privilégio do esporte paraolímpico. O esporte amador também vive essa dura realidade.  Claro que a nossa dificuldade é maior porque temos “limites físicos” que nos impossibilitam de fazer coisas que pessoas “normais” fazem com mais facilidade.

Ajuda do Governo Federal para o esporte paraolímpico está tendo. O que está faltando agora é que o empresariado brasileiro descubra que o esporte paraolímpico é um produto e esse produto tem que ser mais explorado.

Talvez eles nem saibam, mas depois da minha família e amigos, as pessoas que me davam mais força, eram as pessoas que encontrava no ônibus e sempre me passavam uma palavra de motivação e forca.  E muitas vezes, estava cansado, com sono e isso me dava um gás e uma motivação a mais para eu treinar muito bem naquele dia.

Clodoaldo Silva Tudo Bem? Admiro muito a sua garra e concentração, sei que não é fácil. Mas no inicio de sua carreira as coisas foram fáceis como parecem agora?
Os 1ºs técnicos confiaram em você? Pode falar sobre isso?
Abraços do seu fã Generoso
Generoso Antonio Ferrero Soares
Guarujá-SP
 
Venho de uma família muito pobre e humilde. Meu pai nos abandonou quando eu tinha dois anos de idade. Alem de mim, tinha mais um irmão e três irmãs. Todos muito pequenos. A minha mãe foi a imagem feminina e masculina que tínhamos e conseguiu cria todos os filhos. Se eu tenho um ídolo no esporte que é o Ayrton Senna, eu tenho um ídolo na vida que é Dona Maria das Neves . Ela conseguiu criar os cinco filhos sem a ajuda de uma figura masculina.

Como eu não tinha recurso e nem uma família que pudesse me ajudar financeiramente no meu inicio, tive que rezar muito e pedir a Deus que podesse me ajudar para eu conseguir os meus objetivos.

Além da ajuda de Deus, tive a ajuda de duas pessoas maravilhosas que foram os meus primeiros técnicos: Zeca e Rodrigo Villar (Pai e filho, respectivamente).

Graças a eles sou o atleta reconhecido nacional e internacionalmente.

Atualmente, treino com o Carlos Paixão (Natal) e Cristiano Cerqueira (Niterói).

Assisti quando você mudou de categoria, não o vi mais em competições. Onde está competindo?
Eliede Santana Macêdo
Açu-RN

Estou competindo pelo Clube da Andef (Associação Niteroiense das pessoas com deficiência) Os meus treinos são realizados na cidade de Niterói e Natal.

O ano passado fiquei fora das competições, em virtude de uma lesão nas costas, mas já retornei aos treinos e o meu foco principal será Londres 2012.

Clodoaldo,você já sofreu com preconceito em algum treino com pessoas sem deficiência?
Parabéns pelo sucesso!!
FORÇA.
Antonio Marcelo Riquetto
São Paulo-SP

Desde que comecei a nadar, sempre dividi a piscina com pessoas com e sem deficiência..
Tanto em Natal, quanto em Niterói, nado com atletas que são integrantes da equipe convencional do clube.

Eles não escondem a emoção e o respeito de nadar comigo. 

A única coisa que não estou gostando muito é que em sua maioria são adolescentes e eu já estou ficando velho. Então é tio pra lá, tio pra cá.

Oi Clodoaldo, gostaria de saber o que você faz para enfrentar e seguir em frente naqueles dias que não quer saber de treino, está cansado, desanimado ou com alguma dor?
Muito obrigada
Helena Trindade Albuquerque
São Paulo-SP
Posso parecer sado-masoquista, mas no dia que eu sair do treino sem dor e nem cansado, vou me sentir frustrado. Vou achar que aquele dia não foi produtivo.  Eu só acredito que o treinamento está e vai dar resultado se sair da piscina com dores e cansado.

Quando comecei a nada, coloquei um pensamento em minha cabeça: O atleta de alto rendimento vai viver com dor e cansaço. Nunca perdi um treino por causa desses motivos

Nos momentos que me sinto mais desanimado são os momentos que mais quero nadar. Quando estou na piscina, me acalmo e sempre encontro soluções para os meus problemas. Sem falar que é um ótimo lugar para fugir dos problemas. Afinal, celular não entra na água e se alguém te chamar, enquanto estiver nadando, você pode fazer que não vê.

Olá Clodoaldo, sou sua fã. Gostaria de saber quem ou o que teve papel importante na sua decisão de se tornar um atleta?
Analuci da Silva
São Paulo-SP

Primeiro do que tudo a minha família. Aprendi com a minha mãe a nunca desistir dos meus sonhos. Na minha infância, muitas vezes chegava em casa irritado porque os meus amiguinhos não queriam que eu fizesse parte do time de futebol. A minha mãe perguntava o que estava acontecendo, eu falava e ela me dizia o seguinte “Meu filho, se você quer fazer algo, não desista porque alguém falou o contrário. Pelo menos tente”.

Clodoaldo parabéns pelas conquistas. Você nos enche de orgulho.
Gostaria de saber se o esporte paraolímpico recebe mais ou menos apoio que o olímpico.
Jose Maria dos Santos
São Paulo-SP

As mesmas leis federais (AGNELO/PIVA  e BOLSA ATLETA) que beneficiam o olímpico, são os mesmos que o paraolímpico. 

A grande diferença são as empresas privadas: Elas patrocinam mais os atletas olímpicos do que os paraolímpicos.

 

Não tenho perguntas, sou tua fã
Parabéns pela tua escolha e dedicação
Você é um exemplo de vida para mim....
Wanise Nunes Russo
São Paulo-SP

Não quero perguntar e sim PARABENIZA-LO !!!

Vai fundo e continue nos inspirando.
Abraços
Fernando Duó Jorge
Ribeirão Preto-SP

 

São pessoas assim que me incentivam a continuar esta caminhada tão árdua, que é ser atleta de alto rendimento em nosso país. São 12 anos de dedicação total e abdicação de tudo e de todos. Nestes 12 anos, acompanhei a evolução do esporte paraolímpico no Brasil. Nunca, eu iria imaginar que a sociedade brasileira pudesse admirar e ter um ídolo com deficiência.

Me deixa muito orgulhoso, o fato de ter começado a nadar, apenas como fisioterapia e ter me tornado um atleta vencedor e receber o carinho de todos vocês.

Vocês são a razão maior da minha volta para as piscinas.
O meu muito obrigado!



 
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