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Especial - Encharcados de endofirnas - 24/10/2010

Matéria originalmente publicada pelo Correio Popular.

Especial - Encharcados de endofirnas

Corrida | Energia, motivação, superação. Palavras assim, sempre positivas e esfuziantes, estão associadas à atividade física que virou mania no Brasil nos últimos anos

Time em franco crescimento

O economista Roberto Brandão, de 51 anos, é adepto fervoroso da corrida. Ele corre há 10 anos e estendeu o entusiasmo a outras áreas para dar uma guinada na vida. “Sempre fiz esportes: natação, futebol de salão e futebol de campo. Hoje prefiro correr. E vivendo nesse meio de corridas e esportes, resolvi em 2008 fazer um MBA em Promoção de Saúde e Qualidade de Vida. Concluir o curso me motivou a fazer uma graduação em educação física, pois tenho a intenção de realizar um projeto visando proporcionar melhores condições de vida para pessoas portadoras de doenças crônicas”, relata.

A publicitária Juliana Simões, de 28 anos, é outra a apostar no método. Sua motivação inicial foi estética, mas atualmente nem o tempo escasso de quem trabalha em outra cidade a demove de correr. “Até o ano passado eu corria na Lagoa do Taquaral, mas agora, como chego tarde, pratico na esteira da academia, pelo menos três vezes por semana. No sábado ou domingo, corro no Parque”, conta.

Brandão e Juliana fazem parte de um time em franco crescimento. Segundo levantamento realizado pela Ong Corpore, o maior clube de corredores da América Latina, em parceria com a Fundação Instituto de Administração (FIA) da Universidade de São Paulo (USP), quatro milhões de pessoas praticam corrida regularmente no Brasil – há seis anos, eram dois milhões.

Motivos para isso não faltam, indicam os iniciados. “Mesmo que você comece muito cansado, dá uma satisfação enorme. Melhora o pique, a disposição. Sem falar que é desafiador querer melhorar o tempo e aumentar o percurso”, diz Juliana.

“Corro pelo prazer de correr e por sentir que eu estou fazendo algo de bom para o meu corpo e para minha saúde. Penso muito na qualidade de vida. No geral, quem corre habitualmente tem esse pensamento. Procura se preservar e evita fazer extravagâncias, tem um ritmo de vida mais balanceado, tanto na alimentação quanto na atividade física”, indica o economista.

Ambos participantes de provas, Juliana e Brandão exaltam a adrenalina de competir, mesmo que a meta não seja ostentar uma medalha no peito. “Quando você chega para as provas e vê toda aquela energia que o pessoal passa, não há como não se sentir motivado. Costumo correr pelo menos uma prova de 10 quilômetros por mês, aqui ou em outras cidades entre São Paulo e Rio de Janeiro. Toda prova terminada me passa uma sensação de dever cumprido”, diz ele.

Perfil qualificado

A pesquisa da Corpore e da FIA/USP revelou ainda que os praticantes de corrida brasileiros têm perfil bastante qualificado. Conforme os resultados, 75% dos corredores têm nível superior e 25% deles ganham entre R$ 8 mil e R$ 20 mil por mês. Com isso, gira a roda da economia em torno do esporte: 33% dos homens pesquisados afirmaram ter comprado um tênis de corrida nos últimos três meses e 18% das mulheres contaram ter adquirido no mesmo período peças de roupa para correr. Segundo a Corpore, uma corrida de rua movimenta entre R$ 1,5 milhão e R$ 6 milhões, dependendo da quantidade de atletas vindos de outros Estados. Dos recursos arrecadados com a prova, 40% permanecem na cidade-sede do evento, na forma de despesas com turismo, hospedagem e lazer.

Tem que usar o tênis certo

Além do bem-estar angariado com a endorfina e todas aquelas substâncias maravilhosas que, acompanhando as pernas, ficam mais aceleradas ao circular pelo cérebro, a prática regular de corrida agrega um pacote de benefícios consideráveis. Como exercício aeróbico, leva ao condicionamento cardiorespiratório, sendo aliada eficaz na perda de peso e redução do percentual de gordura corporal.

Prevenção e mesmo combate (dependendo da intensidade) ao colesterol, diabetes e pressão alta são apenas algumas outras qualidades, citadas pelo doutor em fisiopatologia pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o professor de educação física Rafael Borges.

Mas calma antes de amarrar os tênis, pois é preciso uma boa preparação e muito método, para evitar que todo o esforço se transforme em prejuízo. Borges recomenda que o processo comece por uma consulta ao médico.

“É importante descartar possíveis doenças prévias que comprometam o sistema cardiovascular. Nesses casos, o organismo pode não estar preparado para ser submetido a provas de resistência”, avisa. Exames básicos como eletrocardiograma e medição de pressão arterial são a regra e podem ser complementados dependendo da idade e das condições individuais, diz ele.

Contraditoriamente, pois é altamente emagrecedora, a corrida não pode ser praticada por quem tem excesso de peso, sob o risco de lesões nos membros inferiores, intensamente exigidos. “A corrida é uma atividade de alto impacto, que se caracteriza pela fase aérea (os dois pés no ar). Por isso, o excesso de peso vai representar uma descarga ainda maior sobre as articulações. Nesses casos, é melhor tentar antes uma atividade sem impacto, como ciclismo ou natação”, orienta Borges.

Sinal verde no consultório e na balança, vem a parte técnica. Ele aconselha que o candidato a corredor procure um profissional (como um personal trainer) para montar, conforme seu perfil, um programa personalizado. “Sem orientação, a pessoa pode promover um mecanismo de lesão que talvez nem seja imediato e que vai aparecer em cinco, seis anos”, diz.

Pneu do corpo

“Um tênis é como o pneu de um carro”, compara Borges, ressaltando a importância de um calçado adequado, com bom amortecimento para absorver os impactos e devolvê-los em performance. Há no mercado tênis destinados a esportistas avançados, desenvolvidos de acordo com o tipo de pisada – pronada, com os pés para dentro, ou supinada, com os pés para fora, mas Borges diz que um bom tênis de corrida dá conta do recado.

Qualquer que seja ele, o amortecimento dura cerca de seis meses, dependendo da frequência e maneira de uso, mas nunca se deve usar um calçado que esteja deformado, torto ou com o solado deteriorado. “Vale usar o bom-senso e sempre que puder alternar os calçados, para que sua vida útil aumente”, ensina Borges.

O piso, segundo o treinador, vai influenciar, e muito, os resultados e a boa prática da corrida. Ele condena cimento e asfalto, contrariando o que fazem centenas de corredores amadores. Para reduzir as chances de lesões e ampliar a capacidade de amortecimento dos calçados, o melhor é correr na terra ou na grama, recomenda.

 

 



 
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