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Mulher 100 obstáculos

7/3/2012, por Paula Diniz
Nesse Dia Internacional da Mulher, revelamos os “segredinhos” de uma corredora prestes a completar sua 100ª corrida pela Corpore. Aos 75 anos, cheia de energia e de amigos, ela mantém os pés firmes nas pistas... e nos pódios!

Nascida em São Caetano, na rua São  Paulo, dona Norma Lanfranchi de Martin veio, ainda bebê, morar na capital paulista, onde vive até hoje. Casada há 54 anos, com dois filhos e três netos (para quem faz pizza todo o sábado!), esse ano ela completa 25 anos de corrida e 76 felizes primaveras.
 
Elegante, inquieta e com um astral nas alturas, dona Norma é muito popular, não só pelos arredores do clube Juventus, por onde passa e onde treina todos os dias; mas principalmente por onde corre. Dona Norma faz sucesso é nas pistas! “Ao lado dela, não dá para andar 3 metros sem parar pra cumprimentar alguém”, conta Marcelo Chiorboli, seu treinador e amigo. “Só não quero ficar conhecida nas páginas policiais”, brinca a jovem senhora.
 
“Há 25 anos o bichinho da corrida me mordeu.”
 
Em 1987, aos 51 anos – e com um empurrãozinho do pai, que sonhava em vê-la na São Silvestre –, Norma participou, por acaso, da primeira prova de sua vida: a Volta Pedestre da Vila Prudente (8 km). “Passando por lá, vi escrito: ‘Volta Pedestre’. E quando olhei tanta gente correndo, fui atrás!” Nessa "brincadeira", chegou em 4º lugar. “Logo fiz amizade com algumas mulheres e entrei para o grupo dos veteranos do Ibirapuera.”
 

Entusiasmada, no mesmo ano correu sua primeira São Silvestre. Com sorte de principiante, talento ou garra (ou, quem sabe, com tudo isso junto), dona Norma conquistou o 4º lugar na sua categoria. Desde então, correu todas São Silvestre. Exceto em 2011, devido a um probleminha nos meniscos - o que não a impediu de treinar. “Hoje vou devagar, mas vou até o fim!”
 
Em janeiro, lá estava ela, caminhando os 3 km da “prova dos dentistas” – como diz, referindo-se à 7ª Corrida Oral B - Prevenção do Câncer Bucal.
 
Corredora assídua nas provas da Corpore, dona Norma não está de brincadeira! “Em todas as corridas eu pego medalha, viu?!” Fato confirmado por Denise Garbelini, sua amiga e parceira de pista: “A cristaleira da casa dela não tem copos e pratos, só tem medalhas!”



Alegria que atrai
 
Espontaneidade, simpatia e modéstia caminham (e correm) lado a lado com Norma. “Todo mundo conhece a dona Norma. Quando fomos à última São Silvestre, logo no metrô veio um segurança brincar com ela. E na avenida também, todos cumprimentam a dona Norma. Mas nas corridas da Corpore é onde ela é mais conhecida”, conta Denise.
  
Toda essa disposição que ela tem... Será puro acaso, treinador? “Tive o primeiro contato com a dona Norma na academia do Juventus. Vejo que as pessoas se inspiram nela pra começar a correr”, diz Marcelo. “Dona Norma é minha aluna mais assídua. Pode chover canivete que ela vem treinar”. Me parece que tá aí a explicação.
 
Fala, dona Norma! 
                                                                

1.
Qual o seu tipo preferido de corrida?  
Pra ser franca, eu gosto é de rua. Mas o bom da pista é a torcida, aquela gente vibrando. E o cross é legal também. Se não cuidar, você sai que nem porco no chiqueiro.  Se chove então... a gente se suja toda. Mas é gostoso!

2.
O que mudou na sua vida desde que começou a correr?  
Fiquei mais amiga de um monte de gente. Conto mais piada, dou mais risada. 
Desde que comecei, mantive o peso, me sinto disposta, tenho uma saúde de ferro. Brinco que minha geladeira está cheia de vidrinho... de cereais! Não tomo remédio pra nada. Só chazinho, vitamina, quinoas, aveia, gérmen de trigo, mel, banana...



3. A senhora contou que faz corrida e marcha atlética. Por que entrou na marcha atlética?  
Quebrei o braço caindo na rua e me disseram para não correr durante os 40 dias em que fiquei com o gesso. Como não consegui ficar parada, resolvi entrar na marcha atlética com gesso e tudo.

4. Dona Norma, no que a senhora pensa quando está correndo? 
Rezo, converso com Deus, ponho meus problemas em dia, e quando fico cansada, peço pra ele “Me ajuda para eu chegar até o fim”. E depois, quando chego, agradeço: “Cheguei viva!”

5. Por que a senhora corre?  
Quando eu era dona de casa, olhava pela janela da sala e me sentia enjaulada. Então resolvi ir ao Clube Juventus. Eu já era sócia. Lá, vi uma moça correndo no campinho. Perguntei se eu podia correr também e ela deixou. Até apitou para mim. E foi assim.

6. Foi a senhora que escolheu a corrida, ou foi a corrida que te escolheu? 
(Risos) Corrida é bom porque dá para bater papo, fazer amizades. Se eu ficasse só em casa, não tinha com quem conversar. A corrida era um momento em que eu me soltava, me distraía, dava risada. Sempre tem algum motivo pra dar risada. Era divertido. 
 
Além disso, meu pai pediu pra eu correr a São Silvestre. Então tentei. Na minha primeira São Silvestre agradeci tanto ao meu pai. Ainda peguei o 4º lugar! Acho que ela (a corrida) me escolheu e eu a escolhi. E estamos felizes. (risos)

7. E seu pai, chegou a te ver em sua primeira São Silvestre?
Não. Três dias depois de olhar bem para mim e dizer “Eu quero te ver na São Silvestre”, ele teve um infarto fulminante e faleceu.

8. E... dona Norma, do que a senhora corre?

A gente corre da tristeza, corre pra fugir dela. Fazer o que gosta enquanto pode é a maior alegria. Eu corro para me realizar naquilo que estou pretendendo fazer. Mas não corro da polícia não! (risos)
 
9. No momento da prova, o que te ajuda a vencer?
Enquanto a gente corre e faz amizade, a gente não pensa em doença. Só pensa em se sentir bem. Mas não é fácil não. Tem provas em que eu até rezo pra Deus me ajudar a chegar logo. Se eu estou cansada, diminuo um pouquinho o ritmo. Vou equilibrando. Temos que conhecer nosso corpo, porque o corpo da gente pede e temos que saber ouvir. Meu corpo conversa comigo. E eu o escuto.
 


10. Dona Norma, será que a concorrência anda fraca nas corridas? (risos) 
Nunca vi tanta velharada nas corridas. E quando vão só três da minha faixa etária, fico animada. Sei que pelo menos em terceiro eu chego! (risos) Se as outras “véias” não vão correr, o que posso fazer? Eu pego tudo! 

11. No que a senhora pensa quando quer ultrapassar uma “concorrente”?
Se percebo que dá para passar, eu vou com tudo! Uma vez, numa corrida no Ibirapuera, vi uma senhorinha de cabelinho branco. Fui apertando, apertando, apertando...
Quando ela me viu, começou a correr forte. E, de repente, ouvimos o locutor falar: “Atenção! Duas senhorinhas disputando a chegada!” Nós demos risada e chegamos juntas. (risos)



12. O que te atrapalha no momento da prova?
Trabalhar muito no dia anterior. Porque eu não sou só corredora. Sou dona de casa também. E normalmente eu faço janta em casa no sábado. Mas quando os convidados demoram muito pra ir embora, eu mando embora! (risos) Porque tenho prova no dia seguinte, tenho que acordar cedo.
 
13. Que dicas a senhora daria a uma mulher que está começando a correr?
 
Acho que ela tem que começar a andar um pouco mais rápido, depois dar uma trotadinha... ir aos poucos. Daí ela vai tirando a trotadinha e colocando a corridinha. Mas ela precisa gostar do que ela está fazendo, tem que se sentir bem fazendo isso. E se ela puder ter um treinador, melhor ainda.


14. Dona Norma, o que a senhora sente quando está no pódio?


Eu me sinto A Rainha! Subo aquilo com uma alegria, uma disposição... Você não faz nem ideia! Teve um dia que tocaram o hino do São Paulo e eu, sem nem perceber, comecei a pular lá em cima! (risos) Ah, nem ligo! Gosto de fazer palhaçada. Eu me realizo.
 








15. As pessoas que te conhecem dizem que a senhora tem uma energia muito boa. Dona Norma,  conta pra gente qual o segredo para manter o alto astral e a disposição?

Quando a gente se sente feliz, a gente irradia alegria para os outros também. É uma troca de felicidade, de energia. E eu sou louca pra contar besteira, sabe? Quando estou perto das pessoas, quero transmitir ALEGRIA. Quando não dói nada, só faço folia. Se dói, fico quieta. Porque gostou de transmitir SÓ alegria para os outros.


16.Quais são seus planos?

Planos? (risos) Pretendo ter saúde para fazer tudo o que aparecer pela frente.
E quero sarar desse joelho porque não pretendo operar. Pretendo continuar nas corridas de rua, nas corridas dos veteranos... E participar dos XX Campeonato Mundial de Atletismo Master em 2013.  
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*Pra você que chegou até aqui, contarei o último (e mais quente!) segredinho revelado por dona Norma. Questionada sobre sua corrida preferida, sem "papas na língua" ela declarou: “Gosto mesmo é da corrida dos Bombeiros! Não perco uma, desde que começou. Ano passado subi no carro deles e, pra descer, um bombeiro bonito me pegou no colo”, lembra, com um olhar maroto.
 

Se por acaso você, assim como eu, ficou encantado com essa mulher e quer conhecê-la pessoalmente, aqui vai um atalho certo: Parque da Independência, dia 1 de julho, 08h.

E os bombeiros que se cuidem!



Mais fotos:











 

 Paula Diniz

 

 


 
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Por: Paula Diniz

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