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Campeões todos os dias

11/05/2012, por Paula Diniz (texto e fotos)


As crianças da Associação Desportiva para Deficientes (ADD) e o resgate do espírito esportivo

A ADD – Associação Desportiva para Deficientes é uma instituição sem fins lucrativos fundada em 1996 pelo prof. Steven Dubner e pela administradora de empresas Eliane Miada. Dentro de sua filosofia de trabalho, desenvolve projetos que facilitem o processo de integração e inclusão de pessoas com deficiência na sociedade.

Uma das principais preocupações da ADD refere-se à qualidade de vida dos deficientes, que em muitos casos encontram-se em casa ou nos faróis da cidade, vendendo balas ou simplesmente pedindo dinheiro. Qualidade de vida está diretamente ligada à moradia, alimentação, educação e saúde, e para que isso ocorra é necessário criar condições que concretizem essas necessidades.

Sua missão é promover o desenvolvimento da pessoa com deficiência através do esporte, educação e cursos de capacitação, potencializando seus aspectos psicológicos e sociais, promovendo assim a sua integração e inclusão.A filosofia da ADD é pautada no trabalho em equipe e na valorização da pessoa humana. Em inglês, a palavra “ADD” significa somar, adicionar. A associação acredita que cada um pode fazer um pouquinho; essas ações somadas são o caminho para a construção de um grande ideal e de um mundo melhor.
 
Por meio de patrocínios e parcerias, a ADD espera alcançar um número maior de beneficiados e tornar o esporte adaptado um dos meios para a pessoa com deficiência se reencontrar na sociedade.



“O esporte me deu mais força, mais agilidade e mais amigos.”


Gabriela Santos de Oliveira – 10 anos.



Nasceu com má formação nas pernas.
Usa cadeira de rodas ou próteses para andar. Frequentemente participa de corridas de rua. Frequenta a ADD há cinco anos.














 

Conversa com Ester Reis Miranda – mãe de Vinicius, 11 anos, portador de Síndrome de Down. Vinicius participa da ADD há quase 1 ano.

Ester, já percebeu alguma evolução no Vinícius desde que ele entrou na ADD?
Sim, a concentração, a disposição, a coordenação motora.
Agora ele gosta mais de andar de bicicleta, tem mais pique. Melhorou sua condição física e chega em casa mais tranquilo.
Antes de treinar na ADD ele engordava 200g e crescia meio centímetro. Agora que está na ADD passou a engordar 2,5 kg e cresceu 4 cm por causa dos alongamentos. Está uma criança “bem distribuída”.


Para você ter uma ideia do quanto ele cresceu, comprei calçado número 32 em novembro para ele, e 34 em janeiro! Ele também está adoecendo menos.

E a autoestima dele, como é?

Sem contar a autoestima... Quando ele ganha uma medalha, parece que está ganhando o mundo! Ele está numa fase em que percebe muito a diferença entre ele e as outras crianças. Mas aqui (na ADD) ele está num meio em que todos têm dificuldades bem nítidas, assim como ele, então todos são tratados da mesma forma.

Por exemplo, ele participou de um acampamento aqui e de outro na escola dele, que é uma escola “normal” e ele participa de todas as atividades, não é excluído de nada. Mas ele contou que gostou muito mais do acampamento da ADD do que do acampamento da escola, porque aqui na ADD ninguém ficava cuidando dele.

Aqui não tem tantas crianças com deficiência intelectual, como é o caso dele. A maioria tem deficiência física. Mesmo assim eles são tratados (e se tratam) sempre de igual para igual. E as crianças não se comparam: “Eu tenho isso, você tem aquilo.” Não, eles são todos do mesmo time, da mesma equipe. Eles se veem como iguais. Isso é importante para o Vinícius. Ele se sente bem aqui, gosta daqui.

E seu outro filho, o Bruno (3 anos), faz questão de vir junto aos treinos da ADD?

Sim, ele gosta. Ele fala: “Vamos, Vini, para o treino!” Ele tem uma camiseta da ADD e gosta de vir com ela. O Bruno e o Vini se dão super bem. O Bruno gosta de estar onde o Vini está. Ele vem em praticamente todos os treinos. Mesmo sem poder participar, ele vem (só crianças acima dos 6 anos participam das atividades da ADD). Ele até pergunta para os professores: “Cadê o meu lanche?” (risos)

O Vinícius participa de corridas de rua?

Sim, participa de várias.
Sempre que posso eu inscrevo o Vini porque para ele, ganhar a medalha é uma conquista. Principalmente pela satisfação que sente quando recebe a medalha. Aquilo representa muito para ele, porque é um esforço muito maior, uma dificuldade muito maior para ele conseguir.

Ele corre com crianças da mesma idade ou com crianças que também têm Síndrome de Down?

Em algumas corridas as crianças correm todas juntas. E às vezes, em algumas provas, percebo que as crianças estão querendo chegar em primeiro lugar a qualquer custo. Não se importam muito em correr pelo esporte, sabe? E aqui na ADD não é assim. Aqui os professores ensinam a correr pelo esporte. Primeiro vem o treino, a prática... Só depois vem a conquista. 
Nos últimos jogos para-desportivos da ADD, as crianças estavam correndo e o Vinicius estava na frente. Quando ele ouviu a gente gritando o nome dele, ele parou para dar tchau! E nisso, um menino o passou. E eu quis “matar” ele! (risos) Porque ele ganhou a medalhinha de prata. Mas ele ficou muuuito feliz por ter conseguido a medalha. Então parece que é mais uma expectativa nossa mesmo (dos pais).
Acho que é essa visão que muitos da corrida de rua, que não conhecem esse mundo aqui (ADD), têm.
A atitude do Vinícius, de parar para dar tchau, é reflexo da visão que a ADD estimula nas crianças, de que o esporte é importante, de que o esporte vem primeiro, e não a simples competição. Sem dúvidas ele tem essa consciência.

E o que você percebe em relação aos pais nas corridas infantis?

Parece que alguns pais levam seus filhos nas corridas com o único objetivo de competir e ganhar.
Vi um pai colocando a maior pressão no filho antes mesmo de a corrida começar, enquanto o menino se alongava. Eu acho isso errado... é só uma criança.
Claro que se o filho quer ser profissional, tudo bem, não discordo. Mas é só uma criança. E nessas corridas todos são medalhados, sabe, não tem competição. Todos ali vão receber uma medalha. Claro que é legal se ele fizer um tempo bom, mas deixe ele correr para ver que tempo está fazendo, e para ele poder fazer o melhor tempo dele. Mas tem pai que se vê muito no filho. Por isso o filho tem que conseguir, tem que ser o   primeiro.


 
















Quando a gente tem um filho deficiente, a gente trabalha muito a paciência. A gente aprende que tudo é uma conquista, e as conquistas são diárias.
Cada coisa: comer, ir ao banheiro sozinho, se vestir, se calçar... E tudo isso já é esperado de uma criança normal, é o fluxo natural que ela vai percorrer. Mas para uma criança deficiente não é assim. É tudo com mais esforço, tudo é uma conquista.
 


 









*A ADD busca patrocínios, doações e apoios. A captação de recursos da ADD é feita através de patrocínios institucionais e projetos incentivados.

Contato: Denise (11) 8143-3044





 




 



 
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