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Mães Especiais

25/05/2012, por José Reynaldo Figueiredo
Considerado o mês das noivas, maio também traz outras denominações: o mês de Maria, o mês das flores e o mês das mães, e mães são especiais. Segundo uma pesquisa realizada pelo British Council (Conselho Britânico), entidade do Reino Unido que tem por atividade o ensino e expansão do inglês no mundo, a palavra mother é a palavra mais bonita da língua inglesa, entre as pessoas que não falam inglês como língua materna.
 
Foto do site www.inclusive.org.br
 
Foram mais de 40 mil pessoas entrevistadas em 102 países, e entre as cinco primeiras estavam mother (mãe), passion (paixão), smile (sorriso), love (amor) e eternity (eternidade). Father não aparece sequer na lista de 70 palavras, triste sina dos homens de concorrer e perder, quase sempre, para aquelas que foram escolhidas por Deus.
Mas nesses “tempos modernos” a maternidade ou paternidade, que cria e educa bebês e crianças, tem mudado de maneira significante nas três últimas décadas. Esses cuidadores, às vezes são solteiros, geralmente mulheres, mas podem ser irmãos, tios, avós, funcionários de creches ou de uma instituição pública, porém, neste espaço doravante ficam denominado “mães”.

Seja qual for o grau de afinidade familiar, independente de sua condição socioeconômica ou cultural, elas têm em comum, na maioria absoluta dos casos, uma natureza que as tornam muito semelhantes: a devoção incondicional a seu protegido, doravante denominado “filhos”. Com raras exceções, essas mães têm para si um conceito simples: “Deus no céu e seu filho na terra”. Esse axioma pode também ser traduzida como: amor eterno. Essa situação é bastante clara quando temos filhos lindos e saudáveis, mas tem uma conotação diferente quando esse filho é uma pessoa com necessidade especial.

O nascimento de um filho é aguardado com alegria, e a expectativa é sempre de que o bebê nasça com “saúde perfeita”, mas, em alguns casos, isso não acontece.

Nesse último minuto que você leu esse início do texto, nasceram mais de 250 crianças no mundo, muitas delas com alguma limitação ou dano permanente que as acompanharão pelo resto de suas vidas. E poucas mães estão preparadas para a vinda de um “bebê especial”. O choque imediato é acompanhado pelo desapontamento e a compreensão de que o filho nunca viverá independente, e o “futuro não mais será como era antigamente”.

No princípio, essa situação afeta o dinamismo interno da família, que frente a uma “nova pessoa” volta-se para uma “nova função”, surgindo uma “nova família”, uma “família especial”. Nesse momento, das profundezas do âmago, emerge um ente que, buscando forças que não se sabe de onde, faz a vida retornar seu curso: a “mãe especial”.

Qualquer que seja o quadro que se apresente, a relação profissional-mãe tem que ser levada em consideração. As diretrizes técnicas devem ser aplicadas e adaptadas à estrutura de cada família. A chave dessa boa relação está na compreensão do papel que cada um deve executar, cabendo ao profissional entender à complexidade familiar (superproteção, descuido, desinteresse, desinformação e superestimação) e direcionar a atenção ao paciente, contando com o apoio e colaboração dessa família especial.

Algumas dicas para construção desse bom relacionamento:

» Comunicação competente: falar abertamente sobre o paciente, suas necessidades e limitações e onde o profissional poderá chegar.

» Compreender as limitações técnicas: todos querem filhos com dentes saudáveis e perfeitos, em alguns pacientes com necessidades especiais isso é inatingível.

» Considerar os sinais positivos: colaboração do paciente e da família.

» Engajamento em busca de soluções: ‘bater em retirada’, quando a situação é complicada, não nos tornará melhor.

» A conquista do possível: trabalho com afinco traz ao profissional um senso de realização que nos leva ao Olimpo.

» Reconhecimento: “mães especiais” sabem quando cuidamos bem dos seus filhos.

Costumo dizer em minhas palestras em congressos ou cursos, que estou ali não apenas para lhes falar sobre Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais, estou ali para defender uma causa. Claro, os pacientes são o foco principal, mas estou também para lembrá-los dessas “mães especiais”. Elas, que sem serem convidadas para a festa, veem-se no meio do salão, sem maquiagem, sem ao menos um cabelo arrumadinho e partem para aquela que será a valsa do seu dia a dia, conduzir seus filhos pelos “bailes da vida”.

José Reynaldo Figueiredo é Conselheiro Técnico da Corpore e cirurgião-dentista. Doutor em Odontologia Social. Mestre em Odontologia Legal e Deontologia. Especialista em Odontopediatria e em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais. Vice-presidente da Associação Brasileira de Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais (ABOPE). Cirurgião-dentista da Associação de Assistência à Criança Deficiente - AACD. Membro do Conselho Científico da Revista Odonto Magazine.

*Coluna publicada na Revista Odonto Magazine em maio/2012.
 


 
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