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Minha História - Regina Miranda

30/05/2004, por Marcel Trinta

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Regina Miranda - corredora associada em Minha História

Na realidade comecei a treinar por influência de alguns amigos e com a orientação do Profº Nuno Cobra.

No início eram trotes bem lentos para não sobrecarregar as articulações...Com isso aprendi a correr por prazer.

Cheguei a correr a Meia Maratona do Rio de Janeiro, mas logo em seguida, engravidei. Confesso que durante a gravidez apenas diminuí o ritmo. Na última semana de gestação, estava em casa e tudo já estava pronto. Estávamos apenas na expectativa do nascimento da Sofia.

Como eu tinha muito tempo livre, ligava a esteira em posição inclinada e caminhava rapidamente por até 02 horas. Emagreci 1,5 kg nesta última semana. O parto foi normal e exatamente 12 dias após o parto eu já estava com o meu peso normal.

A Sofia nasceu grande e gorda, era um bebê aparentemente saudável... Alguns dias depois, seus olhos e pele foram ficando amarelados - "icterícia". Consultamos alguns médicos e todos diziam ser normal, quando então um deles resolveu investigar melhor e nos indicou uma especialista em hepatologia infantil: Dra. Gilda Porta que imediatamente nos deu o diagnóstico: "Atresia de Vias Biliares". No caso da Sofia os canais biliares não haviam se formado e, conseqüentemente, o fígado não tinha como drenar as toxinas para o intestino.

Marcamos a 1ª cirurgia para a mesma semana, mas já sabíamos que esta cirurgia tinha apenas 20% de probabilidade de sucesso. Fizemos muitas orações, mas infelizmente nós não estávamos entre os 20% de contemplados... Teríamos de submetê-la a um "Transplante de Fígado".

Meu mundo desabou naquele momento...Eu sequer conhecia um ser humano que tivesse realizado um transplante...Era algo tão distante da minha realidade! A Sofia, então, foi incluída na fila de receptores de órgãos do Estado de São Paulo, onde esperaria por um fígado de doador cadáver...

A fila de espera por um fígado pode demorar cerca de 03 anos. A minha tranqüilidade era saber que "eu" era uma possível doadora, pois reunia todas as condições necessárias.

Com muitas dificuldades e limitações aprendemos a conviver com este problema e esperar pacientemente pelo novo órgão... Foram dias muito difíceis...Mas a atividade física sempre me ajudou a controlar a ansiedade! Treinava apenas para me distrair...

Manter um certo ritmo e condicionamento físico sempre foram prioridades em minha vida...Por conta disso, tenho o mesmo peso - 61 kg - desde os meus 15 anos.

Certo dia, a Sofia acordou vomitando sangue...Eu sabia que este dia seria decisivo. Ela foi devidamente medicada, quando então recebemos a seguinte orientação: É hora de realizarmos o transplante... Na semana seguinte realizei todos os exames e 15 dias depois nos internamos no Hospital Sírio Libanês, onde eu doaria 1/3 do meu fígado para a minha filha.

A cirurgia demorou cerca de 12 horas e tudo correu muito bem! No dia seguinte, a Sofia já receberia alta da UTI.

Eu fiquei internada apenas 03 dias e a Sofia uma semana.

No começo eu andava com dificuldades, pois as dores abdominais eram intensas e indescritíveis. A nossa recuperação foi muito rápida e exatamente 40 dias depois, eu já estava correndo novamente.

Hoje, graças a Deus e aos médicos, temos uma vida normal.

Regina Miranda - 34 anos - mãe da Sofia 3 anos e 6 meses.

Parecer do médico responsável:

Dr. Paulo Chapchap é Doutor pela FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), cirurgião pediátrico, especialista em transplante hepático. Atua como chefe do departamento de Transplante Hepático do Hospital do Câncer - AC Camargo e do Hospital Sírio Libanês, é editor associado da Revista "Liver Transplantation"

Segundo o Dr. Paulo Chapchap:

Apesar de tratar-se de uma cirurgia de alta complexidade, onde parte do fígado da doadora foi retirado, a recuperação é relativamente simples. No caso da Regina que já tinha um histórico de bom condicionamento físico e boa alimentação, a recuperação é ainda mais rápida. A alta três dias depois da cirurgia é um recorde para este procedimento e, sem dúvida, o estado de saúde e a reserva orgânica proporcionados pela atividade esportiva regular contribuíram para o resultado. O fígado é um órgão que se regenera facilmente, possibilitando a ambas - doadora e receptora - condição de vida normal e aptas à prática de qualquer modalidade esportiva.

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