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Voando baixo pelas ruas do mundo - entrevista

28/3/2003, por Flávia de Almeida Prado
Seguindo nossa série de reportagens com nossos corredores associados, que levam suas vidas e profissões sem deixar de lado o esporte, apresentamos desta vez um profissional diferente. Nosso entrevistado deste mês é um associado Corpore que voa baixo. E voa alto. Há 21 anos, completos no último dia 16 de março, o Comandante de linhas aéreas, Flavio Filgueiras pilota aviões e corre pelas ruas do mundo.

Flávio correndo a Maratona de Berlim, Alemanha, 2002



Ele se auto-intitula “corredor amador dedicado”, e como pode ser visto nos seus arquivos fotográficos, esta dedicação lhe rendeu tempos muito bons em diversas provas nacionais e internacionais. Conheça mais sobre Flávio nas linhas abaixo.


Primeiros passos

2ª Edição Corrida Corpore Academia de Polícia Militar do Barro Branco - 2002
"As provas da Corpore são como Natal e Carnaval. Todo ano tem e a gente sempre faz questão de se preparar e participar"

O mineiro Flávio Filgueiras, nascido em Belo Horizonte, cidade conhecida por suas ladeiras, conta que sempre praticou algum tipo de atividade física. Na época de colégio optava por caminhadas para ir e voltar da escola. “Das caminhadas para as corridas foi apenas uma evolução. Encontrei na corrida um esporte que se enquadrava perfeitamente nas minhas pretensões profissionais”, disse Flávio. E justifica isso com argumentos fortíssimos e reconhecidos pela maioria: para praticar corrida não é preciso nenhum equipamento específico, local apropriado ou mesmo infra-estrutura, e completa: “Basta um bom tênis, disposição e sair correndo. Acabei me formando piloto e me tornando corredor”.

Antes de conhecer a Corpore, Flávio teve contato com algumas associações de corredores, mas lembra: “elas eram poucas e extremamente simples, sem qualquer tipo de estrutura e organização”. Mesmo assim, Flavio fez parte de alguns grupos de corredores aficionados, mas lembra-se desta época com um tom crítico:
“a insatisfação com o desrespeito e a falta de consideração entre os participantes sempre me faziam distanciar destes ‘bandos de corredores’” – contou o piloto.


Quando conheceu a Corpore, Flávio já estava numa fase mais evoluída e madura da sua vida de corredor. “Com alguma experiência em lidar com organizações de corredores não só no Brasil como também em outros países, encontrei na família Corpore um grande exemplo de profissionalismo, dedicação e idoneidade. Fundamentos básicos e coincidentes com os ideais de um corredor”, disse Flávio, que é associado desde 2000 – quando correu a 1ª Meia Maratona Corpore, que no próximo mês terá sua quarta edição.


Maratona de San Diego, EUA
Janeiro de 2003

Esta prova foi sua primeira participação em corridas promovidas pela entidade. Mas foi apenas o início deste relacionamento. Flávio procura participar do maior número de corridas possível. Para programar suas escala de vôos, Flávio conta que deve solicitar ao planejador suas folgas e vôos, com 60 dias de antecedência. “Aí sim entra o calendário Corpore! Prioritário entre competições nacionais onde haja coincidência de datas. Isto porque reconheço que as corridas promovidas pela entidade são as mais bem organizadas no país. Sei o quanto é trabalhoso planejar e executar eventos com tantas variáveis como estes, e a CORPORE nunca se descuida de aspectos técnicos e de segurança, preservando sempre e, principalmente respeitando, os corredores” – afirmou Flávio.

Sempre presente nos eventos Corpore, desde que se associou, Flávio participa do Ranking. “Pontuar não é meu principal objetivo. Preso mais a assiduidade às provas do que propriamente a colocação. Sei das minhas possibilidades, conheço meus limites como ‘corredor amador dedicado’”, disse o piloto, que mantêm em mente que as corridas são o pano de fundo na sua atividade profissional, e portanto, não tem pretensão de premiação. Flávio coleciona medalhas de participações, que trazem boas lembranças, inclusive de alguns contratempos. Mesmo assim, Flávio disse: “São lembranças que me deixam sempre satisfeito, grato, realizado, e me contagiam com o clima saudável e fraternal que os eventos CORPORE nos proporcionam”.

 

O Preparo físico - Nas ruas e no ar

>>>Maratona de Berlim, Alemanha, 2002

Flávio vive viajando. Esta conversa teve de ser feita via e-mail, para que o piloto pudesse responder às perguntas da entrevista. Inclusive por viver ‘com o pé na estrada’, Flávio geralmente treina sozinho, apesar de ter alguns profissionais da área que o assessoram. Para os treinos e competições o corredor conta com as orientações do Carlos Alberto Cavalheiro “que muito mais que um brilhante treinador é um grande amigo” disse. Também é acompanhado por uma nutricionista “que freqüentemente me da uns puxões de orelha, em função da minha inconstância de horários para as refeições” e monitorado bioquimicamente por uma clínica especializada no Rio de Janeiro. Todo este background, aliado a muita disposição, disciplina e determinação, compensam a sua reduzida possibilidade de participar e manter freqüência com um grupo específico de corredores em função da sua escala de vôos.


Quando corre, Flávio sente-se conectado à saúde e à integração total entre corpo e mente. “Geralmente consigo me desligar de tudo ao redor, concentrando nas passadas, nos movimentos, administrando e gerenciando passo a passo o objetivo final: a tão esperada e, algumas vezes tão distante, linha de chegada”.

Flávio acredita sabiamente, que, se bem executada, a prática esportiva sempre traz benefícios. Em sua profissão, Flávio diz que a atividade física compensa os grandes períodos de tempo que passam confinados nas cabines de comando das aeronaves. “Adoto também as corridas como uma higiene mental, nos treinos ou competições, a concentração é total, e a cada passada, a cada quilometro percorrido, há sempre uma integração entre movimentos e pensamentos, entre corpo e mente”, concluiu.

Cada um de nós pode, com pouco esforço, lembrar-se que quando criança, voar era um grande sonho. Algumas crianças, até hoje, sonham em ser, quando crescerem, pilotos de aviões. Os anos passam, e apenas alguns conseguem realizar este objetivo, mas certamente, o lado poético desta profissão é bastante conhecido.

Flávio reconhece que isto existe, mas diz que pilotar um avião é uma atividade como qualquer outra. Disse também que existem peculiaridades específicas, em função de muitas variáveis com as quais os pilotos lidam simultaneamente. Mas diz: “Nós pilotos somos seres humanos e, como profissionais, devemos conhecer os nossos limites e os das aeronaves que gerenciamos. A paixão pelo que fazemos ajuda a encurtar o caminho para a satisfação e a realização pessoal ou profissional. Assim, acredito que possa haver uma relação bem estreita entre profissões exercidas com amor e hobbies praticados com extrema dedicação, paixão e interesse” – comparou o piloto, que vive a correr e voar.

Meia Maratona de Las Vegas
Flávio cruza a linha de chegada


Os exemplos
Cada prova da Corpore que Flávio participa, vê com novos olhos, inclusive aquelas tradicionais, realizadas há vários anos. “É como Natal, feriados e Carnaval. Todo ano tem e a gente sempre faz questão de se preparar e participar”, brincou. A única prova do circuito Corpore da qual o piloto ainda não participou é a Corrida Corpore Bombeiros – que neste ano será realizada sua oitava edição. Nos últimos dois anos, a coincidência de datas com corridas previamente agendadas inviabilizaram sua participação, mas diz que neste ano, possivelmente irá conhecer de perto este percurso.



10K Nike - Prova da Corpore de 2002

O Comandante Flávio Filgueiras afirma que para correr é preciso gostar de correr. Com este pensamento em mente, Flávio prefere não aconselhar as pessoas a correrem só por correr. O modismo que envolve hoje a prática da corrida, sob seu ponto de vista, não é suficiente para motivar uma pessoa a abraçar o esporte. Reconhece que hoje, muitas pessoas praticam apenas para perder peso e manter a forma, mas acredita que o apresso pelo asfalto é o que firma a pessoa na corrida. “É preciso sentir satisfação e prazer para praticar qualquer atividade física. Só com amor ao que se faz é que se consegue superar obstáculos e sentir-se motivado a buscar seus objetivos e metas”, concluiu.

A energia do maratonista - Berlim 2002<<<






 
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